Criação de palavras: "vicinalvo"
Gostaria de submeter à vossa análise uma reflexão sobre a ausência de um termo sintético na língua portuguesa para designar o elemento que sucede o próximo (o segundo em uma sequência, ou n+2).
Atualmente, o falante recorre a perífrases como «sem ser nesta rua, a próxima» ou «na terça-feira da semana subsequente à próxima». Tais estruturas, embora gramaticalmente corretas, são imprecisas e onerosas em contextos de rapidez comunicativa, como na navegação assistida por GPS ou em agendamentos céleres. Nesse sentido, proponho o termo "vicinalvo" (ou "vicinalva"), formado pela aglutinação do latim vicinalis («vizinho») com o elemento alvo (objetivo/finalidade). A construção «Vire na direita vicinalva» ou «Marcaremos para a terça-feira vicinalva» parece preencher essa lacuna de forma precisa.
Consulto esta equipa sobre a viabilidade morfológica desta proposta no sistema do português e se consideram que o termo preenche adequadamente essa 'janela lexical'. Existe algum arcaísmo ou termo já dicionarizado que cumpra essa função específica de saltar uma unidade para designar a seguinte?
Desde já agradeço o vosso contributo para o esclarecimento desta questão.
A expressão «andar à caçador»
Gostaria de saber a origem da expressão «andar à caçador»?
Uso e omissão do artigo definido
Considerem-se as seguintes frases:
1. «É preciso declarar guerra à guerra.»
Por que não há artigo antes da primeira palavra guerra e há artigo antes da segunda palavra guerra? Há ausência de paralelismo?
2 . «Não tenho dúvidas de que é preferível a virtude à desonestidade.»
Por que há artigo antes da palavra virtude e antes da palavra desonestidade?
Estrutura clivada: «é a data da morte de um poeta que...»
Na frase «Em Portugal, é a data da morte de um poeta que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante.» (in Discurso de Lídia Jorge no dia 10 de junho de 2025), qual será a função sintática desempenhada pelo segmento "que protagoniza o nosso momento cívico de unidade mais relevante"?
Poder-se-á considerar:
a) modificador restritivo do nome?;
b) ou o "que" faz parte de uma expressão enfática (tendo em conta a forma verbal "é") e, nesse caso, seria o sujeito seria -"a data da morte de um poeta"-, e o predicado - "é (...) que protagoniza o nosso momento...".?
Agradeço, desde já, a V/ colaboração!
«Desde manhã até tarde» ou «desde a manhã até à tarde»
Considerando-se as frases apresentadas apenas do ponto de vista sintático, tenho dúvidas quanto ao elemento destacado:
«O melhor é que foi tudo na minha casa. Desde manhã ATÉ [à?] tarde houve festa.»
Obrigado
O verbo arrepender numa oração relativa
Agradecia o vosso parecer sobre a sintaxe do verbo destacado:
«Fiz muitas traquinices em criança, mas esta foi a que mais me "arrependi".»
Obrigado.
«Vinha estudando»
Vejo sempre em livros o ensino de conjugação dos tempos composto com o auxílio do verbo ter.
Ex.: «Tenho estudado bastante...»
Nunca vi, todavia, exemplos com o verbo vir, apenas na linguagem falada do dia a dia.
Ex.: «venho estudando bastante nos últimos dias...»
Assim, gostaria de saber se esta última construção é abrangida pela norma culta ou é fruto de coloquialismo.
Desde já agradeço pelo apoio de sempre!
Maiúsculas: «golpe de Estado»
Escreve-se "golpe de estado" ou "golpe de Estado"?
Obrigado.
A história de arrumar e arranjar
Em resposta [de 20/03/2026] afirmou[-se] que o verbo arrumar, com o sentido de «preparar, vestir ou pôr em ordem» [se usa no Brasil e] que os termos mais comuns, em português europeu, são arranjar-se ou preparar-se.
[No Brasil] seja informal, seja formalmente, empregaríamos arrumar, e nunca arranjar, que se usa noutras acepções.
Diga-se, a propósito, que arrumar, com o sentido de «ordenar ou dispor», já aparecia nos dicionários de Cardoso (século XVI) e de Bento Pereira (século XVII). Em Bluteau (primeiro quartel do século XVIII), dá-se exemplo muito semelhante ao do consulente, «arrumar a roupa (Lintea componere)». Moraes (último quartel do século XVIII) traz outro quase idêntico: «arrumar o fato».
Já arranjar não se registra em nenhum dos dois primeiros e surge, em Bluteau, apenas no suplemento de 1727, mas como «termo de tanoaria», e não no sentido geral em que viria a ser sinônimo de arrumar. É também como termo de tanoaria que aparece na edição de 1793 do dicionário da Academia das Ciências de Lisboa. Portanto, arrumar é termo mais antigo que arranjar, pelo menos na acepção de que estamos tratando, e arranjar é que parece ter-se instalado, no português europeu, a partir de uma extensão informal de um emprego originalmente restrito ao ofício dos tanoeiros.
O verbo servir com complemento indireto
No segmento «...uns e outros tantas vezes esquecidos nesse mundo subterrâneo que serve à nossa vida», o constituinte «à nossa vida» é complemento oblíquo ou complemento indireto?
Agradeço, desde já, o esclarecimento.
