DÚVIDAS

O eu: deíctico pessoal e deíctico indicial
No texto «Do corredor, onde ela enfiava o vestido aos puxões, como se lutasse com as fúrias desencadeadas, a Dona Alzira gritou-me alegremente: "Não sejas calisto, homem de Deus! Até mete azar! Há agora pressa, qual o quê, está um tempo lindo, e com os dias compridos o que falta é tempo para a gente gozar! E depois, que importância tem isso, se eu for um bocado mais tarde?... É só carregar no pedal, e pronto!" E a velha senhora ria, ria nervosamente, perdida dentro do corpete do vestido apertado», de José Rodrigues Miguéis, tomando como referente «Dona Alzira», considera-se que o «eu», expresso dentro do discurso directo da personagem, é um termo anafórico (anáfora), ou, tendo em conta que é um discurso directo e que não se pode substituir por «Dona Alzira», considera-se apenas como deíctico pessoal? Obrigada pela ajuda!
Deícticos pessoais
Pelo que tenho consultado, a deixis pessoal inclui (entre outros) os pronomes pessoais de primeira e segunda pessoas, pois são marcas que identificam o sujeito da enunciação e o(s) interlocutor(es), deixando de fora a terceira pessoa, visto ser considerada uma "não-pessoa". No entanto, em alguns casos ficam-me algumas (ou muitas) dúvidas. Por exemplo, imaginemos uma conversa em que participam três pessoas e uma delas diz: «— Amanhã, eu, tu e ela vamos ao cinema.» Não será o pronome ela também um deíctico pessoal (tal como eu e tu), já que faz parte de um sujeito composto (equivalente a nós) e, para além disso, aponta para alguém que também participa no acto de fala? Ou ainda outra situação hipotética: perante a questão «— Quem é a Joana?», o interlocutor responde «— É ela» (acompanhando a resposta com um movimento de cabeça ou apontando...). Nesta situação, o pronome pessoal ela não será um deíctico com um valor demonstrativo? Agradeço a atenção.
O uso de vós, novamente
Gostaria de saber a opinião de peritos sobre a seguinte questão:É correcto dizer, quando referido a um grupo (o mesmo grau de formalidade nos dois casos; amigos íntimos, por exemplo):«Vós quereis...»«Vós ides...»«Vós tendes...»ou «Vocês querem...»«Vocês vão...»«Vocês têm...»Tenho para mim que a segunda opção (o tratamento por você/vocês e utilização da terceira pessoa do plural) e o desaparecimento da segunda pessoa do plural (esta é ainda, mas ironicamente, ensinada na escola básica) é uma corruptela da língua induzida pela influência brasileira. Terei razão?Podemos ter o caso anedótico de uma professora ensinar «Nós comemos, Vós comeis, Eles comem» e rematar com «Perceberam?» em vez de «Percebestes?»?Obrigado.
O uso dos pronomes interrogativos que ou qual
Eu gostaria de saber se existe alguma regra gramatical que determina o uso dos pronomes interrogativos que ou qual. A explicação das gramáticas normativas não estabelece a diferença entre quando se deve usar que e quando se deve usar qual. Será que nós usamos um ou outro de forma idiomática? Ou existe uma construção gramatical implícita quando se usa cada um destes pronomes? Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa