DÚVIDAS

«Ser omisso» e «ser omitido» (particípios duplos) + anáfora
Li esta frase: «Uma prova de que é opcional é o facto de poder ser omitido sem que a frase deixe de ser gramatical:» num artigo em Ciberdúvidas intitulado «Sem sela» é complemento circunstancial – I, da autoria da senhora Ana Carina Prokopyshyn. A minha dúvida prende-se com «ser omitido» sobretudo depois de o meu Word me aconselhar a «ser omisso». Numa consulta ao sítio de Mark Davies encontrei apenas três frases com “ser omitido”, ao passo que no Google encontrei um infindável número de casos. Pergunto, pois, qual das duas está correcta? Tendo em conta as regras dos particípios, dir-se-ia que seria «ser omisso», porém, são mais as vezes que vejo «ser omitido» que o contrário. A não ser que algo me esteja a escapar… Gostava igualmente de deixar aqui esta frase que me parece ambígua: «Pelo meio, a voz de I Will always Love You, teve problemas com a filha, Bobbi Kristina, de 15 anos, que alegadamente a terá tentado matar», in revista Maria. Quem tentou matar quem, a filha a mãe, ou esta a filha? Agradecida.
O advérbio claramente, as orações relativas e o conjuntivo
Num destes fóruns que hoje há pela Internet surgiu esta discussão após eu ter advertido para o erro que a seguir passo transcrever: «Mas merece claramente ser ouvido. E com atenção. Ouvido outra vez para percebermos todos os pormenores. Eu confesso que ainda sinto que estes dois álbuns têm mais para eu descobrir. Merece claramente o tempo que se perca (ou ganhe!!!) com ele e merece estas linhas todas que estou a escrever!! E volta a reforçar as minhas preferências: Manuel Cruz é um verdadeiro artista e um verdadeiro homem da música!»A advertência era para isto: «Merece claramente o tempo que se perca (ou ganhe!!!) com ele e merece estas…» Disse eu que o modo a usar no verbo perder deveria ser o indicativo, porquanto o claramente assim o exigia. Como certezas não tenho, embora me pareça estar correcto no meu raciocino, peço-vos a vossa ajuda. Grato pela vossa atenção.
O indicativo em lugar do conjuntivo
Sempre disse e ouvi duvidar na afirmativa com subjuntivo, mas vejo numa conceituada revista hebdomadária brasileira: «Duvido que o Brasil virá a ser um grande exportador de petróleo. Ninguém sabe qual é o custo de produzir sob a camada de sal.» Esta frase foi proferida por Albert Fishlow, economista americano, que certamente a pronunciou em inglês, e traduzida por alguém depois, o que descarta os lapsos que muitas vezes se cometem na linguagem falada. Por isso mesmo, pergunto-lhes: é lícito usar o indicativo aí? Talvez o tradutor tenha optado por esse modo por haver referência futura (vir a ser), já que o futuro do subjuntivo, existente em português, seria agramatical («duvido que o Brasil *vier a ser»). Usando o subjuntivo, teria de dizer-se algo como «Duvido que o Brasil passe a ser/seja algum dia/se torne ...». Saudações brasileiras.
«Não abrimos mão (...) mesmo que tal fosse possível...»
Gostaria de saber se a concordância entre os tempos dos verbos das seguintes orações é aceitável: «Não abrimos mão, porém, assim sem mais nem menos, mesmo que tal fosse possível, de semelhante honra.» O «ser possível» é, na frase em questão, uma impossibilidade definitiva. Ora, se substituíssemos, seguindo as regras de concordância, «mesmo que tal fosse possível» por «mesmo que tal seja possível», já estaríamos a abrir uma hipótese de «vir a ser possível», certo? Por outro lado, o «não abrimos mão» é um facto consumado, que está mesmo a acontecer, logo substituí-lo por um «não abriríamos mão» desvirtuaria o sentido da frase... Mas a frase fica correcta, contudo, tal como a escrevi em cima? Muito obrigada!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa