Joaquim vs. Joaquina (fonologia)
Se Joaquim se escreve com M ao final, quando e por que se decidiu que seu feminino, Joaquina, seria com N (e não com M...) na última sílaba?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
O verbo dizer com interrogativa indireta
Gostaria de ver uma dúvida relativa à classificação de uma oração subordinada substantiva esclarecida.
Na frase «Ele não nos disse quanto ganhou», o meu primeiro pensamento seria classificá-la como oração subordinada substantiva completiva, seguindo a estrutura de substituir a oração subordinada por isso («Ele não nos disse [isso].»).
No entanto, sabendo que as conjunções completivas são normalmente limitadas a que, se e para, seria mais correto classificá-la como relativa?
E caso possa ser considerada completiva, qual seria o antecedente de quanto (uma vez que as relativas não têm antecedente)?
A sequência «... mas também...»
Relativamente à frase «O acesso à Internet traz vantagens, mas também desafios», perguntava se esta locução não exigirá o outro termo em falta («não só... mas também»).
Obrigado.
Frase nominal e frase verbal
Sou bem jovem, provavelmente muito novo, se comparado a muitos, pois ainda não cheguei ao ensino médio e gostaria de aprender Português por minha própria conta!
Tenho muita dificuldade em análise sintática, então gostaria de deixar as seguintes frases para saber se são frases nominais ou verbais. Agradeço de antemão!
Se algum professor puder dizer se existe sujeito etc., também agradeceria!
• Proibido fumar.
• Entrada proibida.
• Proibido estacionar.
• É proibido estacionar.
Se algumas forem nominais e outras, verbais, poderiam explicar qual a diferença? Principalmente entre a 3.ª e 4.ª frase?
Espero tornar-me 1% do que vocês são aqui.
Obrigado!
O advérbio finalmente
Tenho uma dúvida sobre o advérbio «finalmente» e o seu uso como conector discursivo. Em várias gramáticas, «finalmente» é indicado como marcador do último elemento de uma sequência enumerativa. Infelizmente, não havia exemplos.
No entanto, ao analisar textos reais, encontrei apenas usos diferentes (corrijam-me, por favor, se a terminologia não é a correta);
- Como advérbio temporal – indica que algo acontece após espera: “O projeto finalmente começou.”
- Conector conclusivo – introduz uma conclusão ou culminação de um raciocínio: “Foram analisados vários fatores e, finalmente, decidiu-se alterar a lei.” “O relatório estudou a evolução da despesa pública, o impacto das medidas fiscais e, finalmente, as perspetivas de crescimento económico.”
Porém, se a frase for: “Em primeiro lugar, discutiu-se a educação. Relativamente à saúde, foram apresentados dados. Quanto a transportes, houve propostas. Finalmente, falou-se da cultura.” Neste caso há uma sequência temporal e finalmente introduz o último termo que é temporal. Até aqui entendo.
A dúvida vem como uso numa sequência sem qualquer relação entre si, como marcador de enumeração neutra. Por exemplo, em textos argumentativos ou opinativos com tópicos independentes, uma frase hipotética seria (reforço que foi inventada):
“Em primeiro lugar, penso que a educação é essencial. Relativamente à saúde, considero prioritário investir. Quanto a transportes, creio que o investimento deve ser maior. Finalmente, a cultura merece atenção.”
Neste caso, os tópicos não seguem uma sequência temporal ou lógica, mas apenas refletem pontos de opinião sucessivos. Aqui, «finalmente» soa estranho, já que transmite um valor de conclusão ou encerramento diferente de marcadores puramente enumerativos como “por último”, que apenas indicam o último item da lista.
A minha dúvida é, portanto: Será que «finalmente» pode ser usado de forma natural como marcador neutro do último ponto em listas de tópicos independentes? Não é o mesmo "por último" que "finalmente". Sendo assim, porque teimam as gramáticas em tê-los juntos?
Poderiam ainda ajudar-me a classificar gramaticalmente os diferentes usos de «finalmente»?
Agradeço desde já qualquer esclarecimento sobre a frequência real destes usos e a terminologia adequada para cada valor de «finalmente». Muitos parabéns pelo magnífico trabalho.
O nome geográfico Bengala Ocidental
Para a designação inglesa West Bengal, um dos estados da Índia, qual é a melhor tradução portuguesa?
Obrigado.
O nome tasco e os registos linguísticos
A frase «Vamos a todo o tasco» está correta?
Obrigada.
«Que morreu D. Sebastião» (Mensagem, Fernando Pessoa): análise sintática
Os dois últimos versos do poema “O Quinto Império” do livro Mensagem, de Fernando Pessoa, suscitam-me algumas dúvidas, tanto semântica como sintaticamente.
Ora, os dois versos são:
«Quem vem viver a verdade/Que morreu D.Sebastião?»
Por seu turno os versos anteriores desta quintilha são:
«Grécia, Roma, Cristandade, /Europa – os quatro se vão/ Para onde vai toda a idade»
Achei curiosa a musicalidade do verso «Quem vem viver a verdade», que junta a assonância do e e a aliteração do v.
Contudo, a minha dúvida prende-se com a classificação da oração «Que morreu D.Sebastião».
Terá um valor restritivo (que tipo de verdade é essa: a verdade que é [consiste no facto de] ter morrido D.Sebastião/ o facto que é ter morrido D.Sebastião), ou de complemento (que facto é caraterizado como verdadeiro, ou seja:«É verdade que morreu D.Sebastião/ Que morreu D.Sebastião é a verdade»), ou de explicação (o motivo do apelo para viver a verdade [do quinto império] é a constatação da morte física de D.Sebastião, ou seja: «quem vem viver a verdade, já que morreu D.Sebastião»)?
Assim, a oração em causa será adjetiva relativa restritiva, substantiva completiva, ou coordenada explicativa?
Ainda assim, nenhuma das hipóteses que avancei parece ser inteiramente coerente com o sentido global do poema e da obra. O contexto é o da crença na perenidade do espírito de D. Sebastião, apesar da sua morte física em Alcácer Quibir, e na necessidade de fundar o tal quinto império, posto que os outros quatro já terminaram.
Talvez nos queira transmitir o poeta que devemos assumir a morte física do Rei para acreditarmos na sua presença espiritual?
Bem sei que a poesia dá azo a uma grande maleabilidade semântica e sintática, mas gostaria de ter a vossa opinião.
Parabéns a toda a equipa do Ciberdúvidas pelo vosso excelente trabalho.
O verbo vigorar
Qual a função sintática da expressão «ao longo dos tempos», na frase «Os sistemas de estrutura social que vigoraram ao longo dos tempos em muitas sociedades».
Antecipadamente grata.
Se e infinitivo (norma do Brasil)
Lendo uma tradução feita por Brenno Silveira de um dos contos de Edgar Allan Poe, me deparei com a seguinte construção:
«possuir-se boa memória e proceder-se de acordo com as regras do jogo são coisas que constituem etc.»
Estaria correto o emprego do pronome se?
De acordo com Napoleão Mendes de Almeida não se deve usar se quando o sujeito é um infinitivo. Ele cita na sua gramática: «"é proveitoso ler-se esse livro” o correto é "é proveitoso ler esse livro".»
No trecho que me causou dúvida não seria mais correto dizer «possuir boa memória e proceder de acordo…», já que é um sujeito infinitivo?
Obrigado.
