O aportuguesamento, a partir do latim, de nomes escandinavos antigos
Cito abaixo os nomes latinos e seu respectivo nome nórdico, colocando em seguida o nome aportuguesado que sugiro [exemplo: Adelus (Adils/Eadgils) – Adelo]. Como são nomes não atestados fora da Wikipédia, preciso do crivo de um linguista para usá-los.
* Adelus (Adils/Eadgils) – sugerido Adelo.
* Agnus/Agnius (Agne) – sugerido Agno ou Ágnio.
* Alaricus e Ericus (Alrekr e Eiríkr) – sugerido Alarico e Érico.
* Amundus (Amund) – sugerido Amundo.
* Anundus (Anund) – sugerido Anundo.
* Aunus (Aun) – sugerido Auno.
* Biornus (Bjørn/Bjǫrn/Björn) – sugerido Biorno. Há uso no espanhol e no italiano e há residual uso em português.
* Dagerus/Dagus Sapiens (Dagr Spaka) – sugerido Dagero/Dago, o Sábio.
* Dagnerus (Dyggve) – sugerido Dignero.
* Domalder (Domalde/Dómalda/Domalde/Dómaldi) – sugerido Domaldro.
* Elfus e Inguinus (Alf e Yngve/Alfr e Yngva) – sugerido Elfo e Inguíno.
* Fliolmus/Fiolni (Fiǫlnir/Fjǫlnir/Fjölner) – sugerido Fliolmo.
* Gudrodus (Guðrøðr/Gudrød) – sugerido Gudrodo.
* Hacus (Hake) – sugerido Haco.
* Haldanus (Halfdan) – sugerido Haldano.
* Hugleicus (Hugleik) – sugerido Hugleico.
* Iaroslaus (Jaroslav) – Jaroslau.
* Inglingus (Yngling) – sugerido Inglingo(s) (outro nome familiar), presente em ao menos um dicionário lusófono e obras hispânicas.
* Ingoldus (Ingjald) – sugerido Ingoldo.
* Inguar (Ingvar) – sugerido Inguar, com a possibilidade de também citar Igor, forma como esse nome nórdico antigo foi traduzido para o russo e como chegou ao português depois.
* Iorundus (Jörund/Jørund/Jorund/Eorund/Jörundr) – sugerido Jorundo.
* Iziaslaus (Iziaslav) – sugerido Iziaslau
* Mistislaus (Mistislav) – sugerido Mistislau
* Niordus (Njord) – sugerido Niordo.
* Olegus (Oleg) - Olego ou Olegue, forma que usei por aparecer residualmente em algumas obras lusófonas
* Ostenus/Augustinus (Östen/Eysteinn) – sugerido Osteno/Agostinho; o primeiro é uma latinização das fontes nórdicas, enquanto o segundo foi dado pelas fontes latinas mediterrânicas ao rei sueco que participou nas cruzadas.
* Ottarus (Ottar) – sugerido Otaro.
* Ragualdus (Ragnvald) – sugerido Ragualdo.
* Randverus (Randver) – sugerido Randúero ou Randuero.
* Rostislaus (Rostislav) – Rostislau
* Saxo Grammaticus – sugerido Saxão Gramático.É referido em latim em todas as fontes nórdicas e na literatura moderna. Há algumas fontes em português para Saxão Gramático.
* Scyldingus (Scylding/Skjöldung) – sugerido Escildingo(s) (é um nome familiar, não necessariamente um sobrenome).
* Scyldus/Scildus/Schioldus/Scioldus (Scyld/Skjöld) – sugerido Escildo, Esquioldo e Escildo.
* Sigurdus (Sigurd) – sugerido Sigurdo.
* Solvus/Salvus (Sölve/Salve/Sølve) – sugerido Solvo/Salvo.
* Stenchillus (Stenkil) – sugerido Estenquilo.
* Suercherus/Sverchervs/Swegthir (Sveigðir/Sveigder/Svegder/Swegde/Swerker) – sugerido Suérquero.
* Svetopolcus/Suetopolcus (Svyatopolk) – sugerido Esvetopolco ou Suetopolco
* Svetoslaus/Suetoslaus (Sviatoslav) – sugerido Esvetoslau ou Suetoslau
* Valander (Vanlanda/Vanlande/Vanlandi) – sugerido Valandro.
* Vsevolodus (Vsevolod) – Usevolodo
A lista é muito mais extensa, mas acho que com esses vários exemplos é possível ter um panorama daquilo com que estamos lidando. [...] Os que defendem os nomes nórdicos consideram o uso do latim equivocado por não ser uma língua de uso corrente – e por quererem ser puristas em relação ao nomes. Nós, latinistas, visamos o uso do latim, não só por também ter uso nas poucas fontes existentes (algumas das obras nórdicas só sobreviveram na sua versão latina), mas por ser a forma mais eficaz de chegarmos a nomes seguros no português e por melhor atender às demandas dos leitores de nossa enciclopédia, em sua maioria leigos e alunos pré-universitários.
Agradeço imensamente a atenção.
A etimologia e a evolução do verbo subir
Queria saber qual é a razão por que subir é com b se tem a sua origem em latim subire e, pelo tanto, deveria ser com v, já que o b do latim é intervocálico.
Obrigada!
A pronúncia e a grafia de septuagésima
Numa série, para indicar a posição imediatamente a seguir à sexagésima nona, tenho escrito septuagésima. Porém, gostaria de saber se (à luz do acordo ortográfico) deverei escrever "setuagésima"?
"Abissurdo": um caso da inserção do i na pronúncia brasileira
Não poucas vezes, ouvi dizer, de brasileiros, “abissurdo” ou inguinorante”, mas sempre levei estes casos de anaptixe[1] à conta de agramaticalidades tipicamente brasileiras (tanto quanto sei, de origem africana ou mesmo angolana).
Quando, porém, ouvi senadores a pronunciarem o impeachment como “impichiment”, na sessão do Senado em que foi votada a exoneração da Presidente Dilma Roussef, perguntei-me se se tratava duma agramaticalidade ou, antes, de um brasileirismo, já enraizado na variedade brasileira do português. Agora, no discurso de tomada de posse de Jair Bolsonaro, ouvi-o dizer “corrupição” em vez de corrupção.
Gostava de saber, do Ciberdúvidas, se esta anaptixe é uma agramaticalidade fonética ou é um brasileirismo, já registado como aceite na variedade brasileira do português.
[1 N. E. – O termo anaptixe denomina «[a] epêntese de vogal no interior de um grupo consonantal (p.ex.: latim febrariu > português fevreiro > fevereiro; tramela > taramela; no português informal do Brasil, diz-se peneumonia por pneumonia, adevogado por advogado); suarabácti» (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, 2001). Por epêntese, entende-se a inserção de qualquer som no meio de palavra (português antigo cheo > português contemporâneo cheio; latim stella > português estrela) ou entre palavras (a água > português regional a i água) – Cf. Dicionário Terminológico. Segue- se a resposta da professora brasileira Eliene Zlatkin, a quem agradecemos o contributo.]
Etimologia e pronúncia do apelido Albuquerque
Saudações cordiais de além-mar! Há algum tempo que estou a acompanhar vosso sítio de esclarecimentos sobre o português. Agradeço-vos imensamente pela riqueza linguística que é apresentada aqui.
Sei que a maioria, senão quase todas as apalavras iniciadas por (AL) têm origem árabe, tanto é que meu sobrenome se grafa desta forma:
«Albuquerque». Estudo português europeu, desde que adquiri o livro de professor António Emiliano: «Fonética do Português Europeu - Descrição e Transcrição». Esse fenómeno de abertura da vogal (A) átona nessas palavras ocorre por quê? (algodão, alqueire, alfazema). É tradição da língua pronunciá-las abertas devido a origem árabe? De qualquer modo, em «nacional, estadual, especial», etc. Ocorre o mesmo. Obs.: Coloquei as setinhas («») no lugar das aspas porque estava a aparecer um código estranho. Muito obrigado!
As vogais átonas do nome próprio Antioquia
Eu era um dos muitos que pronunciavam a palavra Antioquia como "Antióquia": aliás, eu até colocava o acento.
Recentemente percebi que a sílaba tónica era o qui e não o o, mas no entanto uma dúvida persistiu:
Lê-se "AntiuQUÍa" [ɐ̃tiu'kiɐ], ou "AntióQUÍa" [ɐ̃tiɔ'kiɐ]? A segunda sílaba tónica é ti?
Muito obrigado!
O ditongo ei em Portugal
Sou brasileiro e fascinado por idiomas, e o português não fica longe desse fascínio apenas por ser minha língua materna. Muito pelo contrário! Adoro ouvir e aprender as diferenças entre as variantes da nossa língua: o dialeto europeu, os dialetos africanos, assim como os mil e um sotaques do dialeto brasileiro.
Mas enfim, sendo mais direto, ao ouvir o português de Portugal, tenho um pouco de dificuldade em entender exatamente como é pronunciado o ditongo EI (como em manteiga, beira, eira, maneira, feira, etc.), soando na maioria das vezes como /éi/, porém as vezes também me soando como /ai/ (como o ei é pronunciado no alemão, por exemplo). Eu já tinha essa dúvida há um tempo, mas decidi finalmente perguntar algo sobre após ouvir várias vezes a voz sintética do iPhone (em português de Portugal) pronunciar os dias da semana, onde a palavra feira me soa perfeitamente como “faira”.
Fato inegável é que, de maneira ou outra, é bem diferente do dialeto brasileiro, onde EI se pronuncia /êi/ ou em alguns casos, /ê/.
Mas, assim, o que devo concluir sobre a pronúncia portuguesa?
Arcaísmos do português de Pernambuco
Aqui na região onde vivo, Pernambuco, é muito comum as pessoas, principalmente do interior do Estado, pronunciarem as palavras vassoura, varrer, travesseiro, vestido, alavanca, etc. trocando-se a letra v pelo b. É notório também uso de arcaísmos como ''treição'' (traição), ''baladeira'' (estilingue), ''fruita'' [fruta], ''luita'' (luta), etc. É triste, pois muitas dessas pessoas, que são doutra geração, são tidas como ''arcaicas'' e sofrem algum preconceito.
Minha pergunta é a seguinte: em Portugal é corriqueira tal mudança na pronúncia ou uso de arcaísmos por parte da população? Sei que os daqui não têm esse sotaque à toa, creio que há uma raiz no outro lado do Atlântico.
Grato!
A pronúncia de esmero
Eu sei que o substantivo masculino esmero se pronuncia com a sílaba tónica -me- com um e fechado: como se fosse "esmêro". Mas qual é a pronúncia da primeira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo esmerar? Será «eu esmero-me», com a sílaba tónica pronunciada com um e aberto, como em "esméro"? Ou será «eu esmero-me», com a sílaba tónica pronunciada com um e fechado, como em "esmêro"?
Desde já, mui grato pela atenção despendida.
A preposição a antes de um título
começado por artigo definido
começado por artigo definido
[...] Gostaria de saber o que é mais correto: se escrever-se conforme se diz, ou não usar a contração/apóstrofe no caso que a seguir descrevo.
É só correto escrever «em declarações a O Alcoa» (o nome do nosso jornal tem o determinante, assim como O Jogo, A Bola), ou se pode-se refletir a oralidade na escrita e escrever "em declarações a'O Alcoa?
Muito grata!
