DÚVIDAS

A nominalização de contra
Relativamente à palavra «(os) contraS», trata-se de um caso de derivação por conversão (preposição/advérbio que passa a nome) mesmo estando no plural? Tratando-se de um exemplo de derivação por conversão, a minha questão prende-se com o facto de ter lido que, neste processo de formação (derivação por conversão), forma-se uma palavra pela alteração da classe, sem modificar a sua forma. Então, como se explica que, sendo preposição, contra seja uma palavra invariável e, quando se converte em nome («os contras»), essa mesma palavra já admita plural, modificando-se? A sua forma inicial não foi modificada? Obrigado.
O nome e adjetivo tatibitate
Acerca do conto de T. Braga "As irmãs gagas", li a seguinte frase: 1. São as irmãs «tatebitate» porque trocam muitas consoantes. Perguntava-vos: 1.1. Se conseguem adiantar uma justificação para que a palavra ainda apareça assim escrita na frase/conto que li (Publicações Dom Quixote) e não na grafia atual (tatibitate). A palavra terá sofrido alguma alteração ortográfica, por exemplo? 1.2. Na frase indicada acima, por que razão a palavra aparece no singular? É que no texto recolhido por T. Braga se lê assim: «O noivo assim que viu que todas eram tatebitate desatou a rir e a fugir pela forta fora.» Perguntava-vos se não poderá corresponder à forma obsoleta de tatibitaite. Cumprimentos.
Passiva sintética em locuções verbais com preposição intermédia
É possível a transposição da voz passiva analítica para sintética em locuções verbais com preposição intermediária? Isso pode ser feito em locuções verbais sem preposição intermedária, contanto que o verbo + se não forme um outro, em que essa partícula seja integrante dele; consequentemente, é possível rescreever «Os deveres devem ser feitos» como «Os deveres devem fazer-se», e então como «Os deveres devem-se fazer», mas não «Eles devem ser amados» como «Eles devem amar-se», uma vez que o sentido se altera. Logo, minha dúvida é se existe essa possibilidade para locuções verbais como «ter de ser feito» e «gostar de ser bonificado», exemplificadas em «Os deveres têm de ser feitos até amanhã» e «Os alunos gostam de ser bonificados», mesmo que sem merecimento; ou seja, é possível reescrever a primeira oração como «Os deveres têm de se fazer até amanhã» (ou «Os deveres têm de se fazerem até amanhã»)? e a segunda como «Os alunos gostam de se bonificar, mesmo que sem merecimento» (ou «Os alunos gostam de se bonificarem, mesmo que sem merecimento»)? Agradeço a atenção.
O verbo dizer com interrogativa indireta
Gostaria de ver uma dúvida relativa à classificação de uma oração subordinada substantiva esclarecida. Na frase «Ele não nos disse quanto ganhou», o meu primeiro pensamento seria classificá-la como oração subordinada substantiva completiva, seguindo a estrutura de substituir a oração subordinada por isso («Ele não nos disse [isso].»). No entanto, sabendo que as conjunções completivas são normalmente limitadas a que, se e para, seria mais correto classificá-la como relativa? E caso possa ser considerada completiva, qual seria o antecedente de quanto (uma vez que as relativas não têm antecedente)?
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