Português na 1.ª pessoa - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
 
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<i>Fui</i> (do verbo <i>ser</i>) e <i>fui</i> (do verbo <i>ir</i>)<br> Porquê a mesma forma?

O filósofo Fernando Belo, professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, fez-nos chegar as seguintes questões acerca dos verbos ser e ir:

«Como é que se explica que estes dois verbos, em português como [...] em castelhano, pelo menos (em italiano não existe ire), tenham esta forma comum em pretéritos e conjuntivos, sendo que ela só existe em latim em esse, e não em ire? O meu interesse é de filósofo: como compreender que um verbo que indica essência e substância tenha tido uma influência sobre um outro que indica movimento? Fascina-me que uma forma verbal correlacione ser e movimento (em grego, o ser – phusis – é sobretudo o dos vivos, que se movem, crescem, etc). É possível explicar o fenómeno linguístico?»

Em resposta, o latinista e tradutor Gonçalo Neves lançou-se numa uma pesquisa etimológica donde resultaram os apontamentos que se seguem sobre este curioso caso histórico de parcial convergência morfológica de dois verbos semanticamente diferentes.

Norma e tolerância
Sobre o papel histórico da Academia das Ciências de Lisboa em matéria linguística

Apelando à tradição normativa e à tolerância que deve observar-se num processo de mudança ortográfica, D'Silvas Filho avalia o papel que a Academia das Ciências de Lisboa tem tido na história da ortografia do português e, em especial, na aplicação do Acordo Ortográfico de 1990.

Por uma ortografia comum de todos os países lusófonos, <br> transnacional e transdisciplinar
Declaração apresntada na ACL sobre o AO de 1990

«A Academia das Ciências de Lisboa não [deve] tomar uma posição negativa quanto ao processo iniciado com o Acordo Ortográfico de 1990mas, sim, manifestar a sua disponibilidade para continuar a contribuir para a sua consolidação e aperfeiçoamento, levando em conta a complexidade transnacional e transdisciplinar da problemática envolvida», defende o musicólogo e professor catedrático jubillado (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas-Universidade Nova de Lisboa) Mário Vieira de Carvalho na declaração que apresentou à insttiuição de que é sócio correspondente, com data de 23 de maio de 2017. Texto que adiante se transcreve na íntegra, com título da responsabilidade editorial do Ciberdúvidas.

 

Sobre a “opinião dos linguistas”,<br> a arrogância, a ignorância e a continência
Uma réplica a João Malaca Casteleiro e Telmo Verdelho.

Reação do investigador e intérprete de conferência Francisco Miguel Valada (in Público, 14/06/2017) às críticas que João Malaca Casteleiro e Telmo Verdelho, membros efetivos da Academia das Ciências de Lisboa, dirigiram à petição Cidadãos contra o Acordo Ortográfico, em texto publicado no Ciberdúvidas em 4/06/2017.

A língua ao serviço da comunicação

Como comunicar com adequação e a eficácia q.b., seja na forma escrita ou oral? Quais os mecanismos da língua e as suas marcas mais expressivas para se "tocar" quem nos dirigimos? Sandra Duarte Tavares enuncia alguns conselhos em texto dado à estampa na versão digital da revista Visão do dia 6 p.p., reproduzido na íntegra a seguir, com a devida vénia.

Um discurso ignorante e retrógrado
Sobre a petição "Cidadãos contra o Acordo Ortográfico"

O «movimento de cidadãos contra o Acordo Ortográfico» – escrevem os autores nestas suas considerações, enquanto membros efetivos da Academia das Ciências de Lisboa, sobre a petição entregue na Assembleia da República no dia 8 de março de 2017, reclamando a sua desvinculação de Portugal – «é um tropismo de adesão emocional, uma animação chique, intelectualoide, classista e reacionária. Os poetas e os intelectuais não têm problemas de escrita. No que à ortografia diz respeito são inimputáveis, mas dir-se-ia que alguns se julgam donos da língua. Têm saudades do tempo em que a qualidade da língua era aferida pelo número dos erros de ortografia.»

Covfefe – o gerador de patetice

O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, rematou uma das suas mensagens de Twitter com a forma "covfefe", que, não sendo palavra reconhecida do inglês, logo suscitou numerosas reações a respeito do que poderia ser. Gralha, lapso, neologismo arbitrário e idiossincrático? Há quem considere que foi simples erro de digitação, por coverage, o mesmo que «cobertura jornalística»*; mas o que o historiador e político português José Pacheco Pereira aí deteta é um sinal preocupante de crescente e perigosa loucura: «[...] Ele é Presidente dos EUA e o que diz e o que escreve tem sempre enorme importância, visto que o faz com os mesmos dedinhos com que pode digitar os códigos nucleares. E se ele estiver doido?» Texto publicado no jornal Público em 3/06/2017, que a seguir se transcreve na íntegra, com a devida vénia.

*N. E. (11/06/2017) – Pode também tratar-se de deturpação fónica e gráfica de kerfuffle, usado no inglês britânico no sentido de «confusão; agitação desnecessária» (dicionário de inglês-português da Porto Editora). Agradece-se à Dr.ª Rosalina Goulão a chamada de atenção para esta explicação, bastante plausível.

Rap – uma via para o ensino da literatura

Felizmente Há Luar! e outras obras literárias, de leitura obrigatória no ensino secundário em Portugal, ao ritmo do rap – a  experiência pedagógica de uma turma do 12.º ano da Escola Secundária D. Dinis, em Chelas, contada no Só Neste País*, da Antena 1 do dia 20 de maio p.p. – é um recurso de muitos professores para porem os seus alunos a gostarem e aprenderem melhor literatura. E o caso da autora, que utiliza igualmente o canto nas suas aulas de Português, agora na Escola Básica e Secundária Dr. Isidoro de Sousa, em Viana do Alentejo, como antes na Guiné-Bissau, na Namíbia ou em Timor-Leste.

* Oiça-se do minuto 12´20'' até aos 23'07 e também aqui e na TVI24.

O Acordo Ortográfico de 1990<br> e as sugestões da Academia das Ciências de Lisboa

Texto em que D´Silvas Filho resume e comenta dois documentos – Sugestões para o aperfeiçoamento do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, publicação da Academia, e a "Base IV do AO 90", artigo de Ana Salgado, publicado no Pórtico da Língua – que sistematizam as propostas da Academia das Ciências de Lisboa para a aplicação, em Portugal, do Acordo Ortográfico de 1990.

O papel histórico<br> da Academia das Ciências de Lisboa para a concretização<br> do Acordo Ortográfico de 1990

João Malaca Casteleirolinguista português, professor catedrático (jubilado) da Faculdade de Letras de Lisboa, membro efetivo da Academia das Ciências de Lisboa (ACL) e coautor do Acordo Ortográfico de 1990, recorda neste artigo o papel desempenhado nos últimos 100 anos pela ACL na concretização de um projeto ortográfico comum a todos os países de língua portuguesa. E, para a sua concretizão, o contributo ativo de filólogos e académicos portugueses e brasileiros. No primeiro caso, por exemplo, Américo da Costa RamalhoLuís Filipe Lindley CintraMaria Helena da Rocha PereiraVitorino NemésioJacinto do Prado CoelhoÁlvaro J. da Costa PimpãoM. de Paiva BoléoA. da Costa Ramalho ou Herculano de Carvalho; e, no segundo, Antenor NascentesJ. Mattoso CâmaraSílvio EliaGladstone Chaves de MeloAntónio Houaiss ou Nélida Piñon.

[Juntam-se, em anexo, a 1.ª e a última página de cópias de cada um dos dois documentos aprovados, e com as respetivas assinaturas, pelos representantes das delegações de Angola, Brasil, Cabo Verde,Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e da Galiza (com o estatuto de observadores), no encontro realizado na Academia das Ciências de Lisboa, no dia 12 de outubro de 1990: “Introdução ao Projeto de Ortografia Unificada da Língua Portuguesa (1990)” e “Projeto de Ortografia Unificada da Língua Portuguesa (1990)”, respetivamente.]