Informação relacionada sobre todas as Aberturas
O árabe da Palestina, semântica política, «haver novidades», dever, caligrafar e afropolitano
1. Na sequência da Abertura de 31/11/2023, faz-se referência neste dia à situação linguística do Estado da Palestina, onde o idioma maioritário e oficial é o árabe, que, como se sabe, é língua de grande diversidade interna. Além da modalidade do Alcorão e da literatura clássica, existe a variedade padrão moderna – a chamada Fuṣḥā al-ʻAṣr (فصحى العصر ) –, a qual permite aos palestinianos comunicar com os arabófonos de outros países, do Magrebe ao Maxerreque. Entre outras línguas...
A língua de Israel, os significados de premir vs. pressionar, «qué-lo» vs. «quere-o» e usos do hífen com compostos
1. A comunicação social tem facultado aos falantes de língua portuguesa, no atual contexto do conflito israelo-palestino, um contacto frequente com as línguas faladas nessas latitudes, o que desencadeia a curiosidade relativamente aos idiomas e sistemas de escrita usados nas regiões em questão. Israel tem como língua oficial o hebraico moderno, uma língua semítica, pertencente à família das línguas afro-asiáticas, o chamado ivrit. Também já teve como língua oficial o árabe,...
Gaza e os gentílicos, «cessar-fogo humanitário»/«pausa humanitária», taparuere, linguística teórica e sete respostas
1. Nas notícias sobre os milhares de vítimas civis das operações de retaliação israelitas na Faixa de Gaza, depois dos massacres de 7 de outubro perpetrados pelo Hamas, não parecem claros nem correntes os usos das designações dos naturais e habitantes da cidade de Gaza e do seu território. Um gentílico correto é gazense, mas este é homónimo de outro, o que denomina o natural ou residente na província moçambicana de Gaza. Há outras formas com mais tradição dicionarística,...
Nomofobia e os novos processos de neologia, «o que você é meu?», o topónimo Farminhão e a Gramática histórica do português europeu
1. As mudanças sociais, técnicas, científicas ou culturais são um fator que conduz muitas vezes ao aparecimento de novas palavras. A criação lexical é um processo que se insere na dinâmica própria das línguas, a qual encontra na renovação lexical um campo fértil para a sua ação. É neste quadro que vamos encontrar a neologia, um fenómeno fundamental que se caracteriza pela criação de palavras novas, pela atribuição de novos sentidos a palavras já existentes ou pela introdução na...
O uso de humanitário, «pipi e betinho», refém, futebol e idioma, falar à Porto e o barranquenho
1. A tragédia que se vive na Faixa de Gaza desencadeia operações de ajuda à população palestiniana em fuga, perante a ofensiva militar israelita. O adjetivo humanitário está, portanto, de regresso aos noticiários, com os problemas de sempre, herança do próprio anglicismo que decalca, humanitarian. No Ciberdúvidas, continua a recomendar-se a associação de humanitário a nomes que denotem ações para a proteção de pessoas: diz-se e...
O Manifesto de Óbidos pela Língua Portuguesa, verbo impessoal haver, palestiniano vs. palestino e um caso de paraetimologia
1. O Manifesto de Óbidos pela Língua Portuguesa, lançado no festival literário Fólio, a decorrer na vila de Óbidos, tem como objetivo central a defesa do uso e da valorização do português como «língua de culturas e de pensamento e, sobretudo, como língua produtora de conhecimento». Trata-se de uma petição pública que decorreu de uma conversa, no Fólio de 2022, entre os investigadores e professores universitários Luísa Paolinelli, José Eduardo Franco e Regina Brito. A esta...
Lisboa multilingue, o português do Brasil, os pleonasmos, a gramática inclusiva, «casamento real» e o Manifesto de Liubliana
1. A atualidade internacional é marcada pela escalada do conflito entre Israel e o Hamas, com notícias chocantes em que avulta a terrível palavra massacre. Em segundo plano, aparece a guerra russo-ucraniana, que nem por isso conhece tréguas, constantemente motivando a ativação dos vocábulos drone e míssil. Em Portugal, vive-se felizmente em paz, mas o léxico mediático denota o mal-estar social causado pela crise da...
Línguas em tensão, a construção «haver por + adjetivo», a origem de «pena de morte», tem-no vs. tem-lo
1. As relações entre as línguas podem estabelecer-se de inúmeras formas, mas neste processo há sempre espaço para algum tipo de tensão: em muitas situações, há línguas que ocupam espaços comuns e que tendem a competir entre si, o que pode levar a que uma dada língua ocupe gradualmente o espaço de outra, minimizando-a; há outras línguas que divergem entre si para sobreviver ou para consolidar a autonomização e afirmação de um dado território. São relações de poder, que nem sempre são conduzidas de...
Nobel e binormativismo, aborrecer vs. apetecer, o nepali nas escolas e expressões em desuso
1. São tema recorrente em outubro e em 2023 voltam à atualidade – os Prémios Nobel. Além do relevo dado à atribuição do Nobel de Medicina a Katalin Karikó e Drew Weissman, cujas descobertas têm sido decisivas para o desenvolvimento de vacinas anti-covid-19, do de Física a Pierre Agostini, Ferenc Krausz e Anne L'Huillier e do de Química a Moungi Bawendi, Louis Brus e Alexei Akimov, as atenções centram-se também no Prémio Nobel da Literatura, ganho pelo norueguês Jon Fosse, e no da Paz, que foi...
Sorte vs. trabalho, pudico vs. púdico, a origem da linguagem inclusiva e a variabilidade do prefixo in-
1. A cantora portuguesa A Garota Não recebeu a 1 de outubro o Globo de Ouro da SIC para a melhor intérprete. Agradeceu a distinção não com o habitual discurso, mas com um poema de sua autoria, que analisa de forma crítica alguns dos fatores que podem estar na base do sucesso, terminando com as seguintes palavras: «Há quem tenha muita sorte / A sorte, a mim, tem-me dado muito trabalho». Esta afirmação rapidamente se tornou viral nas redes sociais, chegando às páginas da comunicação...
