DÚVIDAS

Falsas esdrúxulas e didática do Português
Sei que existem pontos de vista diferentes quanto à classificação tónica das seguintes palavras: família, remédio, extraordinário etc. Ora, já vi serem classificadas como graves (assumindo que as duas últimas vogais formam um ditongo crescente e não um hiato) e também como esdrúxulas (assumindo que as duas vogais finais como um hiato e portanto duas sílabas). Sei também que existe a designação de «falsas esdrúxulas» ou «esdrúxulas aparentes», através da consulta que fiz pelo vosso site. Ora, a verdade é que no 1.º e 2.º ciclos do ensino básico existem muitos exercícios em manuais com este tipo de palavras para serem classificadas quanto à sílaba tónica. Existe alguma norma para o ensino básico? Devem ser classificadas como esdrúxulas ou graves? No Dicionário Terminológico não encontrei resposta para esta questão. Muito obrigado ao Ciberdúvidas pelo excelente trabalho.
Elipse parcial do predicado
Na recente campanha do Metropolitano de Lisboa, para reforçar a vigilância dos passageiros sobre a sua segurança e os seus bens, lê-se a seguinte mensagem: «Se algo não lhe parecer seguro, pode não ser. Na dúvida, recolha o máximo de elementos e avise um funcionário Metropolitano.» Não há qualquer coisa de forçado na primeira frase: «Se algo não lhe parecer seguro, pode não ser.»? Percebe-se que «pode não ser» se refere a «algo», mas afigura-se mais natural uma frase como «algo que não lhe pareça seguro pode não ser realmente»? Porque acontece isto? Obrigado.
A expressão «a meia perna»
Observemos o excerto a seguir: «Aquela senhora, que tinha 35 anos de idade, mas parecia estar na casa dos 50, abre a porta como [...]. A saia dela a meia perna, de um escuro indefinido e barrada por discretas flores vermelhas, prende uma de suas nesgas em um aleatório prego na parte direita da caixa de porta, enfurecendo-a cada vez mais.»  Não conhecia a expressão «a meia perna». Ela é correta? Imagino que indique uma saia com comprimento até a metade da perna. Obrigado.
O género de Metropolitano de Lisboa, E. P. E.
Venho colocar uma dúvida sobre o uso do feminino ou do masculino relativamente ao substantivo da empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E. De acordo com as vossas respostas a outras dúvidas relacionadas com os nomes de empresas ou marcas (como aqui), tem sido demonstrado que o uso correto é a precedência do artigo definido feminino (a/as), por subentender-se o nome «empresa» ou «marca». Contudo, a empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E., é mencionada, no diploma que a rege, por «o Metropolitano de Lisboa, E. P. E.» (veja-se: Decreto-Lei n.º 148-A/2009, de 26 de junho). Questiono se nesta situação há um entendimento que permita o uso indiferenciado dos artigos definidos masculino e feminino. Grato pela atenção.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa