DÚVIDAS

Fazer causativo e elevação do objeto a sujeito
Bom ano a toda a equipa do Ciberdúvidas. A minha dúvida prende-se com a análise sintática e oracional da seguinte frase: «O amor fez o poeta sofrer.» Ora, se a frase fosse «O amor fez do poeta infeliz» teríamos um complemento oblíquo («do poeta») e um predicativo do complemento oblíquo («infeliz»). Se a frase fosse «O amor fez o poeta infeliz» teríamos um complemento direto («o poeta») e um predicativo do complemento direto («infeliz»). Agora neste caso que coloquei inicialmente («O amor fez o poeta sofrer») avanço duas hipóteses. A primeira é considerar «o poeta sofrer» uma oração substantiva completiva com a função sintática de complemento direto e nesse caso poderia ser toda substituída pelo pronome o: «O amor fê-lo.» No entanto, esta hipótese não me soa bem e por isso pergunto se é possível dizer «O amor fê-lo sofrer». Se for esta a opção correta, ou seja, assumindo «o poeta» como complemento direto, o constituinte «sofrer», sendo um verbo no infinitivo, continua a ser considerado predicativo do complemento direto? E se assim for como fazer a análise oracional da frase? Muito obrigado.
Meia-tigela e racismo
Todas estas matérias aqui indicam que o vocábulo «(de) meia-tigela» seja racista:  "Boçal, meia-tigela e mais termos racistas para você deixar de usar" "Mercado negro, meia-tigela, índio: veja expressões que a agu quer barrar" "Conheça algumas expressões racistas e seus significados" "Você sabia que..." A palavra meia-tigela surgiu em Portugal, e nada tem a ver com pessoas negras! De onde tiraram que ela é racista? Este vídeo do YouTube mostra e explica sobre o assunto todo: Pablo Jamilk, "Meia-tigela é uma expressão racista", YouTube,  14/04/2022. Detalhe também que o mesmo youtuber do vídeo acima defende que mulato e denegrir, em suas origens (etimologias), não possuam quaisquer relações com o animal mula ou «pessoas negras»! Como isso fica? E ainda tem mais: termos como «noite negra», «buraco negro» e «Cavaleiro Negro»? Também terão cunhos racistas? Usei o termo «de meia-tigela» em um livro meu (O Desespero de um Solteiro), fui ver se é ou não racista, e deu que não é! Tudo certinho na realidade? Abração a vocês todos! Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
A conjunção mas e as vírgulas
Em relação à colocação da vírgula antes da conjunção mas, pergunto se a mesma é obrigatória ou se, por razões estilísticas, a mesma seja dispensável. A frase que apresento pertence a um texto de Afonso Reis Cabral e não sei se não terá sido descuido/omissão da editora: «Ele explica-lhe que era o mesmo MAS não morrera na temporada anterior.» Neste caso, a vírgula deveria constar? Obrigado.
Jamais com valor afirmativo
Por gentileza, poderiam responder à seguinte pergunta: Estava lendo um álbum de figurinhas sobre dinossauros (do início da década de 90), eis que me deparei com o seguinte período: "Tyrannosaurus-Rex, cujo nome significa "Rei tirano dos lagartos", era o dinossauro carnívoro maior que jamais existiu e um dos últimos a aparecer na terra." A meu ver o uso de "jamais" deve estar equivocado, porque parece que estão afirmando que este referido réptil nunca existiu, ou estou equivocado. Há uma acepção para o vocábulo que ignoro e não encontrei no dicionário que consultei? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa