«Que nem» = como
Uma dúvida me assola: no Brasil, é muito estendido o uso da expressão «que nem» no lugar de como. Ex.: «Ele cozinha que nem o pai» / «o teclado se toca que nem piano». Há anos procuro entender a origem dessa expressão, pois me parece estranha e até mesmo incongruente. Na canção "Sebastiana", de Gal Costa (1969)[*], há a frase «(...) pulava que nem uma guariba». Mas em outras gravações se substitui a expressão por «que só», o que para mim soa mais lógico, no sentido de "como apenas". Seria esse o caminho etimológico da expressão? Existem registros históricos de maior importância? Por favor ajude-me a solucionar esse mistério!
[*] N. E. – "Sebastiana" é uma composição de Rodil Cavalcanti (1922-1968) e foi interpretada pela primeira vez, em 1953, por Jackson do Pandeiro (1919-1982), com enorme êxito .
Uma sigla com nomes de uma língua banta
Surgiu-me uma dúvida ao verificar a forma como foi criada a sigla do nome Universidade Mandume ya Ndemufayo (UMN). A letra inicial N em Ndemufayo marca apenas a nasalidade, como acontece com alguns nomes das línguas bantu...
Estará correcta esta sigla?
A preposição de antes de uma enumeração de orações completivas
Qual dos trechos seguintes está correto?
«De que aquela porcaria de rocim não era Málek-Adel, de que entre ele e Málek-Adel não existia a menor semelhança, de que qualquer pessoa minimamente sensata devia ter reparado nisso à primeira vista... disso tudo já não restava a menor dúvida!»
«"Que aquela porcaria de rocim não era Málek-Adel, que entre ele e Málek-Adel não existia a menor semelhança, que qualquer pessoa minimamente sensata devia ter reparado nisso à primeira vista... disso tudo já não restava a menor dúvida!«
Obrigado.
A sequência pronominal «se-vo-la»
(«enviou-se-vo-la»)
(«enviou-se-vo-la»)
Peço que me elucidassem sobre a validade do seguinte raciocínio, com base num artigo publicado recentemente neste portal:
«Enviou-se-vos a embalagem», «Enviou-se-vo-la», «Enviou-se-vos ela».
Por outras palavras, inquiro-vos sobre a gramaticalidade da terceira premissa («Enviou-se-vos ela»), a qual, ainda assim, me não parece correta...
Obrigado.
Tratar-se conjuga-se no singular
É correto escrever «trata-se de sinais que indicam.....», ou tem sempre de se usar o plural «tratam-se de sinais.....»? Acrescento que, no contexto da frase, os referidos sinais eram mais de um. Mas será erro dizer «trata-se», uma vez que este termo é uma espécie de «este assunto diz respeito a....», ou «trata de...»?
Obrigada, se puderem ajudar!
Pensar + indicativo ou conjuntivo
Tenho uma dúvida quanto às seguintes frases:
«"Pensei que estavas a falar sobre...»
«"Pensei que era o único...»
«Pensei que era mais simples.»
As frases estão gramaticalmente correctas? Sempre ouvi «pensei que estivesses/fosse», daí os exemplos acima soarem mal.
Que regras gramaticais se aplicam a estes exemplos?
Obrigado.
Aceleração vs. aceleramento
Qual é mais correto: aceleração ou aceleramento?
O verbo chamar na voz passiva
O Ciberdúvidas disponibiliza diversos artigos sobre a regência do verbo chamar. Porém, não sinto que se tenha abordado suficientemente a questão que se prende com a forma passiva do verbo. Em português europeu, qual seria a construção mais natural:
(a) «O João é chamado Camões Júnior porque escreve belos poemas»;
(b) «O João é chamado de Camões Júnior porque escreve belos poemas»;
ou
(c) outra?
Sobre o uso de «o de...» e de «a de...»
Enquanto estudava História, reparei numa frase curiosa que figurava no manual, mas que não sei se está de acordo com a sintaxe do português europeu. Transcrevo apenas o essencial:
«... confiscação de patentes, como o caso da da aspirina.»
Conforme se pode ver, esta ocorrência da contração da preposição é estranha, embora desconheça o grau de similitude com a seguinte reformulação:
«Confiscação de patentes, entre as quais a da aspirina.»
Se, com efeito, o primeiro segmento for agramatical, gostaria de saber por que motivo, então, se pode censurar a coocorrência da contração, mas não a de «...a (patente) da aspirina» (reformulação).
Obrigado.
O anglicismo «dog-whistle politics»
A expressão inglesa dog-whistle politics («política do apito do cão» – alusão ao som alto emitido por um apito, o qual só um cão consegue ouvir) é sobretudo usada nos EUA quando, na mensagem política, são empregados termos e conceitos aparentemente inócuos, mas potencialmente controversos, e que apenas uma porção (fação) do eleitorado compreende e identifica, deixando a maioria na ignorância ou com uma ideia muito diferente.
Por exemplo, a atual candidata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, diz que o seu adversário, Donald Trump, sobrevive à custa dessa prática política, referindo ainda que a dog-whistle politics não é solução para os problemas da América, e muito menos do mundo.
Considerando que política do apito do cão não seria entendível, pois não vigora (ainda) na linguagem corrente (nos países de língua inglesa, quando começou a ser usada há cerca de uma década, careceu de explicação por parte dos meios de comunicação social), pergunto: seria aceitável traduzir-se por «política demagógica», «política da demagogia» ou «demagogice política», ou talvez outra expressão que pudessem sugerir?
