O uso nominal de samicas
Já se falou aqui do uso do advérbio samicas, usado por Gil Vicente, com o sentido de «talvez», «porventura» ou «quiçá».
Agora encontrei em Sucessos de Portugal, Avisos do Céu, de Luís de Torres de Lima (1.ª ed. Lisboa, 1630, 2.ª ed. Coimbra, 1654), o seguinte trecho (ortografia actualizada):
«E com ouvirem estas lamentações acabaram de crer os que estavam fora que aquele era el-Rei ou a alma de Samicas em seu lugar.» (O contexto é o aparecimento na Ericeira de um falso rei D. Sebastião).
Samicas é aqui um nome cujo significado me escapa.
No Vocabulário de Bluteau (1638-1734), encontro, além do advérbio samicas, sinónimo arcaico de porventura, isto: «SAMICAS, chama o vulgo ao homem coitado, pobre de espírito, etc.»
Tenho dúvidas que tenha sido com este sentido que Torres de Lima usou o termo.
Campo e campanha
Campanha pertence à família de palavras de campo?
A origem da mesóclise em português
Sou estudante de Línguas, Literaturas e Culturas e, numa disciplina da área da linguística, surgiu a questão de como é que se poderá explicar diacronicamente a possibilidade da mesóclise.
Assim, qual é a história da mesóclise, desde o latim clássico até ao português contemporâneo?
Sobre os significados do nome tempo
Gostaria de saber porque usamos a mesma palavra, tempo, para nos referirmos ao tempo cronológico e ao tempo meteorológico.
Como evoluiu a língua para termos a mesma palavra para conceitos tão diferentes?
A história da expressão de realce é que (II)
Para a pergunta «é que», deparei com a seguinte resposta do Ciberdúvidas:
«Rodrigo de Sá Nogueira, no seu Dicionário de Erros e Problemas de Linguagem (Livraria Clássica Editora, Portugal), explica esse é que (ou foi que) por imitação do francês "c'est que…". E não lhe via, já nesse tempo, qualquer deselegância gramatical . Antes pelo contrário: "Trata-se de uma expressão radicada, consagrada pelo uso, e, diga-se de passagem, de muita expressividade." À luz da gramática portuguesa, R. Sá Nogueira justifica este tipo de construção como uma frase elíptica, que dá força e realce a uma determinada ideia ou informação. No exemplo apontado, a frase seria assim: "A escola recuou na sua proposta. Porque (é que) faltam os fundos necessários." E remete-nos para o que escreveu sobre o mesmo assunto o insuspeito Vasco Botelho de Amaral. Vem no Glossário Crítico de Dificuldades do Idioma Português (Editorial Domingos Barreira, Porto, esgotadíssimo) e é a defesa mais acalorada que conheço da "espontaneidade e relevo expressivo" da partícula é que – um recurso estilístico comum, de resto, em clássicos como Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, ou Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro. A transposição da oralidade – propositada, por exemplo, no jornalismo radiofónico e de TV – para uma linguagem escorreita é que, algumas vezes, deixa muito a desejar…»
A minha dúvida recai sobre a explicação que dá para é que Epiphânio Dias na sua Syntaxe Histórica Portuguesa. Com base nela, é que resultaria da perda de concordância do verbo seguido do antecedente demonstrativo o acompanhado de oração relativa introduzida pela conjunção que: «Eu sou o que sei.», «Eu é que sei.»
Quem estaria com a razão, Epiphânio Dias ou Sá Nogueira?
Cumprimentos
A etimologia da palavra noite (II)
Qual a etimologia de noite?
Obrigada!
A expressão «ruço de mau pelo» (II)
A expressão «ruço de mau pelo» tem qualquer coisa a ver com o romance Rosso Malpelo de 1878 do escritor italiano Giovanni Verga?
O romance conta a história de Rosso Malpelo, um garoto ruivo que trabalha numa pedreira de areia vermelha na Sicília. Pressionado pelos preconceitos da mentalidade popular acerca das pessoas com cabelos ruivos, Roso Malpelo não encontra afeto nem mesmo junto da própria mãe.
«Às duas por três», «não há duas sem três», «a três por dois»
É conhecida a origem da expressão «às duas por três», que justifica o sentido que tem («subitamente»)?
As expressões «matar dois coelhos de uma cajadada» e «pano para mangas»
Estou escrevendo um romance de época que se passa em 1930. As expressões «matar dois coelhos de uma só cajadada» e «panos pras mangas» existiam nessa época?
O acento gráfico de família
A palavra família tem acento. Contudo os jazigos do Cemitério dos Prazeres [...] [em Lisboa] têm uma grande percentagem de inscrições com família sem acento.
Estou a fazer uma recolha de letras dos jazigos e verifico que a iliteracia tipográfica é frequente contrastando com o investimento arquitectónico: problemas de espaçamento (entre letras e entre palavras), de escolha tipográfica (o novo jazigo dos escritores portugueses é um bom exemplo, mas até um em Comic Sans encontrei), de boa anatomia das letras, de composição (o do Jaime Cortesão…) etc. Mas intrigou-me bastante o aparecimento muito frequente da palavra família sem acento.
A acentuação da palavra é uma coisa recente (muitos dos jazigos vêm do século XIX e os mais recentes podem ter querido grafar à antiga para sugerir a tradição familiar)?
Obrigado pela ajuda desde já.
