Verbos de elevação - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Verbos de elevação

Sabendo que um verbo de elevação não selecciona predicado e selecciona uma frase como argumento, solicito outros exemplos para além de «parecer».

Solicito ainda a explicação da designação «verbo de elevação» e a sua ancoragem terminológica.

Grata pela atenção.

Cristina Marques Professora S. João da Madeira, Portugal 2K

1. O verbo de elevação é um verbo que não tem sujeito e que, ao seleccionar uma completiva como objecto directo, permite que o sujeito dessa completiva venha a ser sujeito da oração subordinante (frase superior).

Atentemos nos exemplos.

a) Parece que os alunos estragaram o pavilhão.

Construção de elevação correspondente:

b) Os alunos parecem ter estragado o pavilhão.

«Alunos» é seleccionado pelo verbo estragar como sujeito. O facto de haver concordância do verbo parecer prova que se trata de uma construção de elevação.

De outra ordem é a estrutura:

c) Os alunos parece que estão contentes.

que é apenas uma construção com tópicos marcados.

Outro aspecto a ter em conta é que a construção de elevação só o é, de fa(c)to, quando a completiva está no infinitivo não flexionado («ter estragado»/«estragar»).

2. O verbo parecer é um verbo de elevação típico em várias línguas. São igualmente verbos de elevação (que, aliás, só ocorrem em estruturas de elevação) os verbos dever e poder:

d) Os alunos devem entregar os trabalhos amanhã.

3. O termo linguístico elevação é um termo semanticamente concordante com superior [activado em «frase superior» e «verbo superior»] que, por sua vez, vinca a estrutura hierárquica da subordinação.

4. Sobre construções de elevação, ver:

DUARTE, Inês 2003 – “Subordinação completiva – as orações completivas” in Mateus et al., Gramática da Língua Portuguesa, Lisboa, Caminho: 593-651.

Ver também os artigos em linha de
Telmo Móia, Anabela Gonçalves e Ernestina Carrilho.

Ana Martins