As orações coordenadas explicativas e as orações subordinadas causais distinguem-se por contribuírem para a expressão de diferentes tipos de causa: as causais expressam uma causa de re, e as explicativas uma causa de dicto.
A causa de re assenta numa relação de causa-consequência que expressa a causalidade tal como a conhecemos no mundo real. As frases seguintes incluem orações subordinadas causais porque expressam uma relação causal que coincide com o nosso conhecimento do mundo real:
(1) «A Rita chorou porque tinha dores.» («ter dores» é a causa que tem como consequência chorar)
(2) «O António ganhou a corrida porque treinou muito.» («treinar muito» é causa que tem como consequência «ganhar a corrida»)
(3) «Ficámos em casa, que lá fora estava frio.» («estar frio» é a causa que tem como consequência «ficar em casa»)
A causa de dicto é uma relação causal que permite justificar, por meio de um enunciado uma firmação feita anteriormente, como se observa nas frases seguintes:
(4) «A Joana já chegou, pois a porta está aberta.» (O facto de a porta estar aberta justifica a minha afirmação de que a «Joana chegou»).
(5) «O Manuel conseguiu a bolsa de estudo, que vem todo sorridente.» (O facto de o Manuel vir sorridente é apresentado como justificação para a afirmação de que ele conseguiu a bolsa de estudo).
Note-se que no caso das coordenadas explicativas não é possível extrair uma relação de causa real, ou seja, na frase (4) não é o facto de uma porta estar aberta que tem uma consequência a presença da Joana, assim como, em (5), não é facto de sorrir que concede ao Manuel uma bolsa de estudo.
As coordenadas explicativas são pequenos textos argumentativos organizados da seguinte forma: «Eu defendo x e eu provo x com o argumento y» ou «Eu digo x porque y». Por estas razões, a oração coordenada explicativa pode também ser utilizada como justificação de um enunciado que apresente uma ordem ou um conselho:
(5) «Agasalha-te, que está frio!»
Para além destes critérios poderemos ainda considerar outros:
(i) as orações subordinadas causais são temporalmente anteriores à oração subordinante, ao passo que nas coordenadas tal não se verifica: em (1), (2) e (3), a situação descrita na oração causal («ter dores», «treinar muito», «estar frio») e teve lugar antes da situação descrita na oração subordinante («chorar muito», «ganhar a corrida», «ficar em casa»); em (4) e (5), a portar aberta não é anterior à chegada da Joana assim como o «vir sorridente» não é anterior ao conseguir a bolsa;
(ii) as orações coordenadas explicativas não podem surgir no início da frase ao contrário das subordinadas causais: a frase (1) pode ter a seguinte ordenação «Porque tinha dores, a Rita chorou.»; a frase (4) não permite a uma alteração da ordenação das orações (*«Pois a porta está aberta, a Joana já chegou.»).
Disponha sempre!
*assinala a agramaticalidade da frase.