Na frase «Nosso compromisso é garantir atendimento sem discriminação ou preconceito», o sujeito é este: «nosso compromisso». A oração reduzida, «garantir atendimento sem discriminação ou preconceito», funciona como predicativo do sujeito. Note a sua forma desenvolvida: «Nosso compromisso é que se garanta atendimento sem discriminação ou preconceito».
Segundo a gramática de Evanildo Bechara, se for possível reescrever a frase substituindo o termo que vem antes (ou depois) do verbo ser pelo pronome demonstrativo o, tal termo será o predicativo do sujeito. Isso é assim porque o sujeito não é comutável com esse pronome.
Logo, na frase «Nosso compromisso é garantir atendimento sem discriminação ou preconceito», o predicativo do sujeito é o termo substituível pelo o, a saber: «garantir atendimento sem discriminação ou preconceito». Veja uma estratégia para chegar a esta conclusão:
- Nosso compromisso é garantir atendimento sem discriminação ou preconceito, mas o compromisso dele não o é = Nosso compromisso é garantir atendimento sem discriminação ou preconceito, mas o compromisso dele não é garantir atendimento sem discriminação ou preconceito.
Para entender melhor a identificação entre sujeito e predicativo do sujeito, eis mais um caso:
- O autor que escreveu o livro é João, e Paulo também o é (ou seja: «... e Paulo também é o autor que escreveu o livro»).
Note que o demonstrativo o substituiu «o autor que escreveu o livro», de modo que o sujeito da frase é «João».
A frase, na ordem direta, ficaria assim:
- João é o escritor que escreveu o livro.
Para fixar a compreensão, veja ainda outros exemplos:
1. «João é meu pai.»
João é meu pai, mas Pedro não o é. (Logo, «João» é sujeito e «meu pai», o predicativo.)
2. «Fernando Pessoa foi vários poetas.»
Fernando Pessoa foi vários poetas, e Bruno Tolentino também o foi. (Logo, «Fernando Pessoa» é o sujeito e «vários poetas», predicativo do sujeito.)
3. «O palhaço é as delícias da garotada.»
O palhaço é as delícias da garotada, mas o trapezista não o é. (Logo, «O palhaço» é o sujeito e «as delícias da garotada», o predicativo do sujeito.)
4. «O que há de novo são as cores.»
O que há de novo são as cores, e os perfumes também o são. (Logo, «o que há de novo» é o predicativo do sujeito e «as cores», sujeito.)
Sempre às ordens!
N. E. (27/04/2026) — Na resposta, adota-se uma perspetiva apoiada em E. Bechara (Moderna Gramática Portuguesa, Editora, Lucerna, 2003, pp. 426-431), cuja análise leva a conclusões divergentes das da análise das frases identificacionais que tem sido seguida em várias respostas anteriores do Ciberdúvidas, com base em Maria do Carmo Pereira Oliveira, As Frases Copulativas com Ser: Natureza e Estrutura (Faculdade de Letras da universidade do Porto, 2001) e em E. B. Paiva Raposo et al., Gramática do Português (Fundação Calouste Gulbenkian, 2013-2020, pp. 837 e 1318-1326). Sendo assim, importa assinalar que as frases identificacionais , também denominadas «orações equativas» e «orações copulativas identificadoras», não têm, por enquanto, uma análise consensual. Em todo o caso, em relação a consultas provenientes de Portugal, justifica-se continuar a aplicar as propostas de Oliveira (2001) e Paiva Raposo (2013-2020), as quais se afiguram consistentes e capazes de descrever adequadamente a maioria das frases identificacionais.