Afigurar-se e predicativo introduzido por como
Ouço e leio cada vez mais a expressão «afigura-se como».
Acabo de ler «Isto afigura-se como um desafio complexo».
Pergunta: o como está inquestionavelmente a mais, ou é aceitável?
Obrigado.
Ouço e leio cada vez mais a expressão «afigura-se como».
Acabo de ler «Isto afigura-se como um desafio complexo».
Pergunta: o como está inquestionavelmente a mais, ou é aceitável?
Obrigado.
A conjunção como é aceitável no contexto em questão, sobretudo, como é o caso, quando a expressão predicativa («como um desafio») encerra uma expressão nominal («um desafio»):
(1) Isto afigura-se um desafio.
(2) Isto afigura-se como um desafio.
O uso exemplificado em (2) está atestado de modo indireto no Dicionário de Verbos Portugueses (2007), de Malaca Casteleiro:
(3) A criança afigura o universo imaginário como a realidade.
O exemplo (3), se bem que ilustre o uso transitivo de afigurar associado ao significado de «imaginar, conceber», pode ser adaptado a uma construção reflexa:
(4) O Universo imaginário afigura-se como a realidade.
Também não é impossível empregar «afigurar-se como» com um adjetivo (a ocorrência de me no exemplo não é relevante para esta discussão):
(5) Essa hipótese afigura-se-me como altamente improvável. (Winfried Busse, Dicionário Sintáctico de Verbos Portugueses, 1994)
Dito isto, pela consulta que fizemos em dicionários gerais e de verbos, é consensual a correção do uso de afigurar-se sem esta conjunção:
(6) A saúde da criança afigurava-se uma nova preocupação. (ver Malaca Casteleiro, op. cit.)
(7) «Os seus sistemas de reforma social afiguram-se-me abstrusos.» (Alexandre Herculano , Opúsculos , IV, in Dicionário de Caldas Aulete)