A forma de grafar os nomes chineses - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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A forma de grafar os nomes chineses

Uma questão que de vez em quando me tem assaltado (ufa!, antes assaltos destes...) é a da forma de grafarmos os nomes chineses, por exemplo, Feng, Chung, Shiang, Ming, Hong, Wa e outros. Ora, como pouco ou nada sei de chinês, fico com a impressão de que a "ocidentalização" dos nomes se processa de tal modo, que seja adequada à leitura por anglófonos, mas não por nós. Outro indício disso mesmo é o uso dos grupos sh e ch e da letra w, que soam, respectivamente, como "ch", "tch", se é que assim se pode indicar em português, e "u".

Quanto ao g final, em português escrever-se-ia Fengue, Chungue, Shiangue, Mingue, etc., mas isso ainda evidenciaria mais um g que não existe, mas que entretanto resulta bem para os anglófonos, pois para estes esses gg impõem uma nasalação final. Por exemplo, nas palavras inglesas doing ou spring, o g final é praticamente imperceptível. No alemão e no neerlandês, o g final também tem habitualmente um efeito análogo.

E mais: que me pareça, não existe o som "g" no fim das palavras chinesas: ao ouvir chineses a falar, não detecto esses sons baseados em g.

Não deveríamos então nós escrever Fem, Chum, Mim, Chiã ou Chiam, Tchum (com o grupo tch?), Uá e assim por diante? Ou devemos continuar a escrever «para inglês ver»?

Ora eis uma dúvida.

Muito obrigado antecipadamente pela atenção.

Oliveira Ramos Professor Aveiro, Portugal 3K

O método ou sistema de romanização usado para transcrever o dialecto mandarim padrão no alfabeto latino é o pinyin. Este sistema é usado oficialmente na República Popular da China. A variante mais usada, o chamado Hanyu Pinyin, foi aprovada em 1958 e adoptada em 1979 pelo governo da República Popular da China. O Hanyu Pinyin foi adotado em 1979 pela Organização Internacional de Padronização (International Organization for Standarzation) (ISO) como a romanização padrão do chinês moderno (ISO-7098:1991).

Em http://pt.wikipedia.org/wiki/Pinyin, onde estas informações podem ser encontradas, lê-se: «O pinyin é uma romanização, e não uma anglicização, ou seja, ele utiliza letras latinas para representar sons no mandarim padrão. A maneira de efetuar tal representação no pinyin difere, em alguns casos, do estilo de simbolização escrita de sons em outras línguas que usam o alfabeto latino. Por exemplo, os sons indicados nesse dialeto pela letra b e g correspondem mais precisamente aos sons representados, respectivamente, pela letra p e k no emprego ocidental do alfabeto latino. Outras letras, como j, q, x ou zh indicam sons que não correspondem exatamente a nenhum som em inglês. Algumas das transcrições no pinyin, tais como a terminação “ang”, também não correspondem a pronúncias da língua inglesa. Ao permitir que caracteres latinos se refiram a sons chineses específicos, o pinyin realiza uma romanização acurada e compacta, o que é conveniente para faladores natos chineses e acadêmicos. Contudo, isto também significa que uma pessoa que nunca estudou chinês, ou o sistema do pinyin, está sujeita a cometer graves erros de pronúncia, o que é um problema menos sério com sistemas de romanização anteriores, tais como o Wade-Giles

E ainda podemos completar esta informação em http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabela_Pinyin, onde é possível encontrar uma tabela de conversão gráfica do mandarim para o alfabeto latino. Periódicos portugueses de referência, como o Público, adoptam o pinyin na redacção das suas matérias jornalísticas, como atesta a entrada «chinês» do seu Livro de Estilo (2.ª versão).

Sónia Valente Rodrigues
Classe de Palavras: nome próprio