O papel de algumas conjunções coordenativas é duplo: ou liga termos de mesma natureza sintática, ou liga orações de mesma natureza sintática. Exemplos:
– Você nem ele devem ficar aqui.
– Você não deve ficar aqui nem ele.
Na primeira frase, a conjunção coordenativa aditiva nem liga dois termos (núcleos do sujeito composto: «você» e «ele»).
Na segunda frase, o nem liga duas orações, em que a segunda está com o seu verbo implícito – «você não deve ficar aqui» (1.ª oração) e «nem ele [deve ficar aqui]» (2.ª oração). Note que a conjunção nem não está entre dois termos, conectando-os.
Dito isso, na frase trazida pela consulente, inferimos que a conjunção coordenativa nem está ligando dois núcleos do objeto direto. Isso se prova pela possibilidade de substituição do nem pelo e ou pelo ou, ou pela passagem de voz ativa para passiva:
– ... ele não prejudica a infância nem a adolescência.
– ... ele não prejudica a infância e a adolescência.
– ... ele não prejudica a infância ou a adolescência.
– Nem a infância nem a adolescência são prejudicadas por ele.
Note que, no trio de frases, os termos de mesma natureza sintática («a infância» e «a adolescência») estão conectados por essas conjunções coordenativas (nem, e, ou). Na frase em voz passiva, repete-se o nem como um reforço aditivo ligando os núcleos do sujeito composto.
Assim, em resposta direta à pergunta da consulente, podemos afirmar que a conjunção nem conecta termos de mesma função sintática, e não duas orações (com verbo implícito na segunda).
Sempre às ordens!