A expressão «dez-réis de mel coado»
Qual o significado da expressão «reis de mel coado»?
Conversão de adjetivo em nome comum: «domingo perto do calmoso»
Na passagem «um domingo perto do calmoso»[1], a palavra calmoso é um nome, ou, apesar de ter um determinante a antecedê-la, pode ser considerada adjetivo por estar a qualificar domingo?
Obrigada!
[1 N. E. – A expressão é retirada do conto A Instrumentalina (Lisboa, Edições D. Quixote, 1992, p. 23), da escritora portuguesa Lídia Jorge. O adjetivo calmoso significa «em que há calma, isto é, calor; quente»]
As orações relativas introduzidas por preposição no português e no castelhano
É correto dizer «O homem de que te falei» / «O homem do que te falei», ou devo dizer exclusivamente «o homem do qual te falei»?
De igual maneira, posso usar indiferentemente as suas formas no seguinte caso, ou usar o que com preposição é incorreto/arcaico/extremamente formal?
«A pessoa com a qual trabalho.» / «A pessoa com a que trabalho.»
Agradeço muito a resposta.
A colocação do quantificador mais com nomes e pronomes
Tanto faz dizer em português? Refiro-me à colocação do advérbio de quantidade mais em relação ao pronome indefinido algo, alguma coisa, um, "ninguém", etc.
Exemplo 1: «Quero mais uma taça de vinho.»/«Quero uma taça mais de vinho.»
Exemplo 2. «Quer algo mais?»/«Quer alguma coisa mais?»/«Quer mais algo?» / «Quer mais alguma coisa?»
Exemplo 3. «Quero mais um beijo de você.»/«Quero um mais...»
Exemplo 4. «Não quero ver mais ninguém.»/«Não quero ver ninguém mais.»
Obrigado pela ajuda!
O significado da locução «à mistura»
Gostava de saber o significado da expressão «à mistura». Embora conheça mesmo o significado de mistura, não consigo perceber esta expressão, que frequentemente é usada na comunicação social.
Muito obrigado.
O pretérito perfeito no discurso indireto
Porque é que nesta frase o discurso indireto é feito desta forma?
«... a gente começou a conversar sobre a festa e ele disse-me que quando me ouviu a falar ... »
Porque «ouviu», e não «ouvira»? Ou «quando te tinha ouvido a falar»?
Esta frase causou muita confusão aos alunos, e eu também fiquei um pouco confuso. As regras são claras, mas aqui fugiu um pouco às regras.
Muito obrigado
O significado de atualização conforme diferentes preposições
Pretendo compreender qual é a frase correta, ou saber se as preposições podem ser ambas utilizadas, nas seguintes frases:
«(...) origina uma atualização em X€ por cada novo posto.» ou «(...) origina uma atualização de X€ por cada novo posto.»?
Obrigada e continuação de bom trabalho!
A origem do se apassivante e indeterminado
Tenho uma questão relacionada com as seguintes frases-exemplo: «Vê-se bem que o barco está à deriva»; «Isso faz-se muito bem»; «Conduz-se muito bem durante o dia». Qual a origem/lógica do uso do -se nos casos mencionados? Trata-se do uso de verbos reflexos (i.e. ver-se, fazer-se, conduzir-se)?
Confesso que a mim não me parece que seja o caso. Mas também não encontro uma explicação alternativa. Será que me podem elucidar sobre esta questão?
Obrigado.
Cãibra vs. contractura
Contractura muscular e cãibra. Estes dois termos são sinónimos? A contractura é mais abrangente do que cãibra? Sempre pensei que a palavra contractura fosse um termo usado pelo senso comum e não um termo médico/científico. Já fiz algumas pesquisas e não fiquei esclarecida.
Obrigada.
Ainda a ordem dos apelidos em Portugal
Na explicação sobre os apelidos portugueses [resposta n.º 33455], li a invocação de uma tradição portuguesa que não vi fundamentada em sitio algum que, argumenta o articulista, manda colocar primeiro o(s) apelido(s) maternos e depois os paterno(s), no final. De facto, lá pelos anos 30 do século passado, houve uma lei que, contrariando, precisamente algumas tradições lusas impunha essa regra. Mas foi lei de curta duração.
Quem se dedicar, mesmo como amador, à genealogia verifica que tradicionalmente a utilização de apelidos em Portugal foi sempre muito arbitrária. Há irmãos que possuem apelidos diferentes: uns ficam com o apelido da mãe, outros com o apelido do pai (não raro as filhas ficavam com o apelido da mãe e os filhos com o do pai, mas não era imperativo e as excepções são muitas, o que até faz supor que são regras nalgumas famílias). Não raro se veem apelidos que se "suspendem" por algumas gerações e que depois vêm a ser "recuperados", bem como se transmitirem por via feminina e depois se transmitem por via masculina.
Também é de referir, pelo menos nalgumas zonas da Beira Baixa, a concordância de género entre o apelido e a pessoa que o utiliza. Assim, por exemplo, Leitão-Leitoa, Silveiro-Silveira, Carrasco-Carrasca, Lourenço-Lourença, etc. Registo, para ilustrar, um caso de uma pessoa, do sexo masculino, natural de Caria, Belmonte, que é Silveira, nascido no final do séc. XVII, a filha casa-se numa localidade onde se faz essa concordância de género, sendo, pois, natural que a filha e a neta, sejam Silveira, mas o trisneto passa a ser Silveiro e aí nasce esse apelido Silveiro. Porém, esta concordância de género terá já caído em desuso no século XX.
Há tradições que não "traditam", perdem-se, vão progressivamente caindo em desuso, mas, algumas, ainda não morreram. E a lei vigente não a limita. Autoriza-a.
