O erro da frase «A história da dança tem sido escrita há séculos»
«A história da dança tem sido escrita há séculos».
Esta frase está correta?
Tenho dúvidas porque, por um lado, há pode ter um significado de duração (ex: trabalho nesta empresa há oito anos), mas, por outro, nesta frase, parece-me que há remete para uma localização temporal no passado, com o sentido de «foi escrita há séculos». «A história da dança tem sido escrita ao longo de séculos» soa-me melhor, mas não posso afirmar que a outra esteja incorreta. Gostaria que esclarecessem esta questão, por favor.
Obrigada pelo vosso trabalho.
A classe de palavras de então
Como faço para diferenciar a palavra então de advérbio e conjunção (principalmente conclusiva)?
Grato.
A locução nominal «dedo do pé» e o galego deda
Antes de nada gostaria de dar os parabéns e agradecer a existência desta página maravilhosa das Ciberdúvidas. Eu moro na Galiza e falo galego, mas no seu momento escolhim para a minha língua a opção ortográfica galego-portuguesa e por isso não é estranho que gaste as horas lendo aqui.
Em geral as palavras nas duas beiras do Minho são iguais ou muito parecidas. Mas às vezes alguma delas só está num dos territórios... O caso é que reparei hai pouco que no galego mais enxebre usamos a palavra dedas para falarmos dos dedos dos pés, mas não achei esta forma nos dicionários portugueses.
Gostaria de saber se esta forma é conhecida fora da Galiza, na língua portuguesa, bem como forma dialectal ou histórica ou se consta no registo popular. É uma palavra curiosa, também não sei bem a origem dela, se tem paralelismos noutras línguas românicas ou se parte duma analogia...
Obrigado e saudações desde o confinamento aqui no norte do norte.
N. E. (24/04/2020) – Mantiveram-se a morfologia (hai, escolhim), as palavras (enxebre = «puro, autêntico») e a fraseologia (no seu momento = «a certa altura») galegas, incluindo a construção «desde o confinamento», que, em português, não se recomenda.
«À prestação» e «a prestações»
Quando quero me referir à maneira de pagar alguma coisa, qual das frases abaixo está correta?
1) Pagar à prestação.
2) Pagar a prestações.
Orações relativas, orações explicativas e coordenação
Com referência à consulta de 17/4/2020, cuja resposta circunstanciada abordou elegantemente as sutilezas sintáticas que envolvem a frase examinada, vejo-me forçado a retomar o assunto para aclarar um ponto restante de sombra.
Aqui, o período: «Anda por retos caminhos, que assim vais plasmar tua integridade e a virtude será teu brasão.»
Assumindo, como foi aventado na resposta, que a terceira oração ("e a virtude será teu brasão") é passível de ser considerada subordinada (consecutiva, no caso), seria ela subordinada a qual oração subordinante? À primeira? À segunda? Ou a ambas, que assim formariam um grupo semântico, cuja consequência é exposta na terceira?
Eis o que eu gostaria de saber. Com antecipados agradecimentos.
A análise do complexo verbal «estar por vir»
No período «O pior ainda está por vir», os termos «está por vir» formam uma locução verbal ou duas orações?
Grata pela resposta.
A locução adverbial «de braço dado»
Qual o plural de «braço dado»?
Grato!
O uso nominal de samicas
Já se falou aqui do uso do advérbio samicas, usado por Gil Vicente, com o sentido de «talvez», «porventura» ou «quiçá».
Agora encontrei em Sucessos de Portugal, Avisos do Céu, de Luís de Torres de Lima (1.ª ed. Lisboa, 1630, 2.ª ed. Coimbra, 1654), o seguinte trecho (ortografia actualizada):
«E com ouvirem estas lamentações acabaram de crer os que estavam fora que aquele era el-Rei ou a alma de Samicas em seu lugar.» (O contexto é o aparecimento na Ericeira de um falso rei D. Sebastião).
Samicas é aqui um nome cujo significado me escapa.
No Vocabulário de Bluteau (1638-1734), encontro, além do advérbio samicas, sinónimo arcaico de porventura, isto: «SAMICAS, chama o vulgo ao homem coitado, pobre de espírito, etc.»
Tenho dúvidas que tenha sido com este sentido que Torres de Lima usou o termo.
O adjetivo sináptico
Como se escreve: "sináptica", ou "sinática"?
A diferença (gráfica e eventualmente fonética)
entre precisamos e precisámos
entre precisamos e precisámos
O jornal Observador envia por mail um anúncio para subscrição que começa com o seguinte título: «Nunca como agora precisamos tanto de si.»
A perceção que tenho é que não só faltam vírgulas a separar a oração «como agora», como falta um acento em "precisamos" (precisámos).
O facto parece enquadrar-se numa pandemia fonética que alastra e que consiste na pronúncia igual de tempos verbais diferentes cuja grafia é distinta: entramos/entrámos, compramos/comprámos, etc.
Creio que essa pronúncia está errada pois o acento está lá para se acentuar a sílaba. Ignorá-lo, não só prejudica a comunicação verbal, gerando equívocos de ordem temporal, como parece estar a contaminar a comunicação escrita, até junto daqueles com responsabilidades óbvias no seu uso correto.
Estou certo?
Obrigado.
