DÚVIDAS

Expressamente
Agradeço o esclarecimento brilhante que me deram acerca das palavras "Express" e "expresso" mas ainda permanece uma dúvida no meu espírito. É a seguinte: a palavra "expressamente" significa "exclusivamente" ou "de forma escrita"? É que surgiu uma dúvida na interpretação da seguinte frase: "...áreas expressamente destinadas a fumadores".Ver ponto 2 do artigo 2º do Decreto-Lei nº226/83 de 27 de Maio. É que, como reconhecerá concerteza, consoante a interpretação que se dá à palavra "expressamente" assim a frase assume diferentes significados. Por exemplo, se pela palavra "expressamente" se entender "de forma escrita" então a referida área poderá servir tanto a fumadores como a não fumadores sendo estes últimos obrigados a serem fumadores passivos contrariando o espírito da Lei e do Decreto referido quando afirma a "Proibição de Fumar (nos referidos) Locais". Se pelo contrário se atribuir à palavra "expressamente" o significado de "exclusivamente", nesse caso a referida área será escolhida de entre as salas ou espaços alternativos de tal forma que os não fumadores não sejam obrigados a entrar nem a respirar o fumo do tabaco, como é lógico, porque o fumo do tabaco, como qualquer consumo, só interessa a quem o consome, minimizando-se o mais possível os riscos para os não fumadores, cuja saúde é assim salvaguardada, pelo menos do fumo do tabaco. É devido a estas diferentes interpretações que solicito a vossa intervenção de especialistas da Língua portuguesa para resolverem de vez este assunto que já se arrasta há 15 anos (fez no passado dia 27 de Maio!). Muito Obrigado.
Plugue = tomada-macho
Estimados senhores, já dei com mais outra: plugue. O progresso está a ir depressa demais. Daqui a poucos anos o português brasileiro vai tornar-se um "créole" inglês nada mais. Como dirá o cantor daqui por uns dez ou vinte anos? Brazil um cuntry tropical, bleced bai Gode e biutiful bai neitchiure? Já que estamos com estas não há aparentemente razão nenhuma para que os 800 000 imigrantes portugueses em França não utilizem também o seu "créole" ou frantuguês e que possam passar certas palavras para o vocabulário corrente, totalmente diferente do que é modificado pela influência inglesa no Brasil. Residente em França desde 1964 poderia apresentar-me da seguinte forma: Nasci em Portugal e vim habitar para França em 1964. Primeiro morei num pavilhão e depois morei num batimã. Todos os dias para ir à escola e depois ao trabalho prendia o autobus ou o comboio. A minha primeira paga foi em bilhetes e peças. Agora trabalho num birô num grande batimã na banliô de Paris. Todos os dias prendo a autoruta A86. Alguns dos meus antigos colegas obrieiros continuam a trabalhar na lusina perto daqui. Para não perder o uso da língua portuguesa tenho alguns abonamentos a várias revistas portuguesas. Em geral parto sempre de vacanças no mês de agosto e vou quase sempre a Portugal. Viajamos de carro por que agora as rutas estão em bom estado. Só é pena as peagens que são muito caras. No inverno a temperatura vai até menos 10 por vezes menos 20 e os carros não querem desamarrar, há muitas panes et se a pessoa não é bricolósa têm de levar o carro à garagem. Há também muitos problemas com o parking porque é difícil encontrar praça para estacionar o carro. Também se formos ao marché encontramos bons legumes como as carotas, o puarô etc... Como receita francesa que gosto muito há o pótofô. Este texto não precisa de tradução para qualquer residente português em França, mas para um português continental ou brasileiro será um pouco difícil. Tenho a certeza que me esqueci de muitas, mas no dia em que for ao Brasil e que procurar no hotel onde está a prise que os brasileiros chamam plugue e que em português parece-me ser a tomada (de corrente) estará tudo arrumado. Adeus ó bela língua. Qual é a vantagem de integrar ao vocabulário original palavras de língua estrangeira escritas foneticamente? Por exemplo plugue. O que ganha a língua com tais acréscimos? Um senhor emigrante residindo nos EUA falou-me outro dia do bildingue. Felizmente que sabia que vinha dos EUA e que estudei o inglês na escola, o meu sogro não sabia do que o homem estava a falar. Para mim é um prédio e para um emigrante residindo em França seria um batimã. Não seria tudo isto mais nada do que uma questão de vaidade por copiar os americanos et ter a impressão que a nossa língua evolui, ao passo que na realidade regressa?
Interoperacionalidade
Na área das redes de computadores está a ser usado com alguma frequência o conceito que em língua inglesa se exprime por 'interoperability' e em francês por 'interoperabilité', que pretende traduzir a capacidade de executar programas e de transferir dados entre várias unidades funcionais, exigindo poucos ou nenhuns conhecimentos do utilizador sobre as características dessas unidades; o termo português mais adequado poderia ser 'interoperabilidade' ou 'interoperacionalidade', se estivessem dicionarizados. Como não os encontrei, qual é a vossa opinião sobre o que fazer: adoptar os dois, adoptar apenas um (qual?) ou adoptar outra alternativa? Com os meus agradecimentos e felicitações pelo vosso sítio Web que consulto regularmente.
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