DÚVIDAS

«Eu não me acredito...» e «é suposto que...»
Muitas vezes (demais, eu acho), ouço pessoas a dizer «eu não me acredito». Será influência brasileira, das novelas? Falo de colegas que, p.e., têm trinta e tal/quarenta e poucos anos. Igualmente, é frequente ouvir os «supostamente» ou o «é suposto que», coisa que eu, tendo frequentado o Curso de Línguas e Literaturas Modernas, me faz sentir tremendamente irritada. Para já não falar no «Eu, pessoalmente,...». Como é que essas pessoas, pais/mães de filhos em idade escolar, poderão ajudar a transmitir o que aprenderam e que, pelos vistos, já esqueceram?
Tradução de acrónimos
Porquê insistir na palavra ADN em vez de DNA? Em ciência (e a língua de comunicação em ciência – escrita e oral – é o inglês) é útil manter os acrónimos sob pena de se confundirem termos, p. ex. ATP (trifosfato de adenosina) que em português seria TFA e TFA (trifluoroacetate). E porque não em vez de LASER (light amplification by stimulated emission of radiation) em inglês usarmos ALEER? Julgo que é importante traduzir os termos mas não os acrónimos.
A diferença entre uma média de e aproximadamente
Meu nome é Eduardo, sou estagiário de um Juiz em Florianópolis/SC. Estou com um pequeno problema: Um dia um advogado chegou e me perguntou: Quantos processos o Juiz sentenciou esse mês? Daí eu respondi: O Dr. fez uma média de 40 sentenças. O advogado, em seguida, disse que não se fala uma média de e sim aproximadamente 40 sentenças!! Eu achei um absurdo!!!! Por que a expressão uma média de estaria errada? Vocês me ajudariam muito se me mandassem alguma fundamentação sobre quem está certo! Afinal, falar uma média de 40 processos está errado? Por favor me ajudem nessa dúvida cruel!!! Obrigado.
Peste Negra (com maiúsculas)
Ainda sobre o uso de maiúsculas na expressão Peste Negra, que foi aqui desaconselhada a alguém, gostaria de recordar que a mesma se refere a um episódio de peste ocorrido na Europa no século XIV (chegou a portugal c. 1348), e não à doença. Devemo-nos referir à doença como "peste", ou peste bubónica, e aos vários episódios mais específicos pelos nomes que a história lhes vem atribuindo (Peste Grande, Peste Negra, etc.).
Novo acordo, proposta para entrar já em vigor em Ciberdúvidas
A propósito de "A Língua Portuguesa: Presente e Futuro", constato que a Língua de oito pátrias continua a escrever-se de duas maneiras diferentes, apesar do Acordo, por causa duns acentos insignificantes e mais meia-dúzia de pruridos, interesses e diferenças sem sentido. Até quando? Proponho que o Ciberdúvidas – que inventou ele próprio uma engenhosa forma de unificação alternativa – o passe à prática de imediato.
Biliões, triliões, etc.
Quando me iniciei na matemática eram as coisas lineares. Havia as ordens das unidades, das dezenas e das centenas, que, por sua vez, eram a base das classes: as unidades, os milhares, os milhões, os biliões, os triliões e os quatriliões. E por aqui se ficava a tabuada da época. Hoje, a seguir aos milhões, diz-se milhares de milhões e só depois aparecem os biliões, subvertendo aquela anterior ordenação quiçá mais natural e seguramente mais perceptível. Como e quando foi introduzido este conceito na língua portuguesa (ao lado da Inglaterra do milliard e da Alemanha, por exemplo) e o que é que o justifica? Que norma é esta que desalinhou Portugal de outros países que mantêm uma lógica linear (milhões - bi - tri - quatr.)? E já agora o que é que se segue hoje aos biliões? Os milhares de biliões?! E a seguir? E onde é que param agora os triliões e os quatriliões no meio disto tudo? Biliões de biliões de agradecimentos pelo esclarecimento.
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