Uso do “s” ou “z”, ou do “g” ou “j” - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
Uso do “s” ou “z”, ou do “g” ou “j”

Recentemente, provavelmente de uma questão surgida nas notícias televisivas, surgiram-me duas dúvidas:
a) quando nos referimos a Mouzinho de Albuquerque, devemos escrever assim com "z" ou seguir a regra ortográfica e usar o “s” uma vez que temos a seguir um “i” ?
b) seguindo outra regra ortográfica devemos escrever “Laranjeiro” ou “Larangeiro”? E “Malanje” ou “Malange”?
Do meu ponto de vista não devemos seguir estas regras quando escrevemos nomes de pessoas, ou de localidades ou cidades. Qual a vossa opinião? Muito obrigada.

Maria da Graça Neto Portugal 7K

Escrevemos “s” entre vogais apenas quando a palavra provém directamente da língua latina ou de uma língua estrangeira onde também se usa “s” com o valor de “z”.
O nome próprio Mouzinho pode ter tido por origem a palavra latina *‘monacu-’ [‘monaku’], que deve ter evoluído para Moosinho e Mouzinho, visto que a ortografia da língua portuguesa foi instável durante muitos séculos. A consoante “z” foi a preferida porque é foneticamente adequada, e a presumível palavra original não tinha “s” entre vogais.
Laranjeiro é uma palavra derivada de laranja que não pode ser escrita de outra forma.
Malanje tem a ortografia mais adequada porque a letra “j” tem apenas um valor.
As palavras que têm “g” com valor de [j] são de origem latina ou de línguas modernas que usam a letra “g”, valendo como [j].
A ortografia da língua portuguesa não é apenas fonética. Respeita também a etimologia e a tradição.
As palavras que se vão formando dentro da língua portuguesa sem influência da língua latina ou da língua grega clássica ou das línguas modernas preferem z e j às formas com s e g, que surgem sobretudo por razões históricas e etimológicas.

A. Tavares Louro