DÚVIDAS

Segunda-feira: adjectivo/adjetivo + substantivo
Evanildo Bechara, em sua Moderna Gramática da Língua Portuguesa, classifica o substantivo composto "segunda-feira" como a união de um adjetivo mais um substantivo. Classificação essa que discordo, pois a definição de adjetivo é "um termo que qualifica um nome", e neste caso a palavra "segunda" não qualifica o nome "feira". Pergunto: estou certo em classificar a palavra "segunda" como um numeral, que é realmente a idéia, pelo menos para mim, nesse composto?   Muito obrigada.
O uso de entre com a em vez de e
Tem-se generalizado nos media, e consequentemente no discurso escrito e falado dos cidadãos, o uso de entre com a em vez de e. Por exemplo, é comum ouvir um jornalista anunciar que algo aumentou «entre 30% a 50%», em vez de «entre 30% e 50%». O erro provavelmente vem de uma confusão com uma outra forma de exprimir o mesmo conceito, «(de) 30% a 50%». A forma correcta parece óbvia («Coimbra fica entre Lisboa e Porto», não «entre Lisboa a Porto»), mas já é muito raro ouvi-la hoje em dia. Quer o Ciberdúvidas ajudar a lançar luz sobre a questão?
«Integração de lacunas» (no Direito)
Tenho constatado, com estranheza, a utilização da expressão «integração de lacunas» em documentos de natureza jurídica. Mas, olhando à raiz etimológica e ao valor semântico e significado dos termos que integram esta expressão, não seria mais correto dizer «preenchimento de lacunas» ou «suprimento de lacunas»? No português do Brasil, por exemplo, usam quase sempre a opção suprir/suprimento. Gostava de ter a vossa análise. Muito obrigado!
Complemento nominal e adjunto adnominal, de novo
Na frase: "A compreensão é a necessidade do fraco." Por que "do fraco" é complemento nominal e não adjunto adnominal? Seria porque "do fraco" é paciente ou destinatário da ação de compreender? "do fraco" possui sentido ativo ou passivo? Por que? Veja o exemplo (se é que é dessa forma que eu deveria analisar a frase acima): 1 - A resposta do aluno foi satisfatória. 2 - A resposta ao aluno foi satisfatória. Na primeira, "do aluno" é adjunto adnominal pois possui sentido ativo (algo de alguém). Na segunda, "do aluno" é compl. nominal pois possui sentido passivo, ou seja, é destinatário da ação de responder (algo a alguém).
A combinação de pronomes reflexos com outros
Após ter pesquisado as inúmeras respostas que foram fornecidas pelo Ciberdúvidas sobre o uso de pronomes oblíquos, venho colocar uma pergunta que me parece não ter sido ainda abordada. Trata-se da possibilidade de combinar dois pronomes, como nos seguintes exemplos: (1) a) deu-mo b) ofereceu-no-lo Podemos combinar pronomes de complemento indirecto com pronomes de complemento directo (cf. exemplos (1)), e podemos ainda combinar pronomes reflexos com pronomes de complemento indirecto, conforme ilustram os exemplos em (2). (2) a) A Joana apresentou-se-lhe como aluna. b) Ele queixou-se-me. É sobre a ocorrência de pronomes reflexos com outros pronomes que gostaria de colocar as seguintes perguntas: 1 - Sendo possível associar o pronome reflexo da terceira pessoa a outros pronomes, tal como em (2), será também possível combinar os pronomes reflexos das primeiras ou segundas pessoas (singular ou plural) nos mesmos contextos? Nos exemplos em (3-5), tentei criar frases em que 'me', 'te' e 'nos' são pronomes reflexos, e gostaria de saber se essas frases podem ser todas produzidas ou se algumas serão mais aceitáveis do que outras. (3) a) Eu apresentei-me-lhe como aluna. b) Eu queixei-me-lhe (4) a) Tu apresentas-te-lhe como aluna. b) Tu queixas-te-lhe sempre que o vês. (5) a) Nós apresentamo-nos-lhe como alunas. b) Nós queixamo-nos-lhe sempre que o vemos. (= Nós queixamo-nos a ele) 2 - Haverá alguma explicação para a maior frequência de exemplos com o pronome 'se'? Fico-vos grata pelo esclarecimento.
Coocorrer, coocorrência
Se "coocorrer" se escreve como "cooperar", i.e., sem hífen (assim o consigna o Dicionário Houaiss na sua versão portuguesa), por que motivo o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa e o Dicionário 2006 da Porto Editora registam o substantivo "co-ocorrência" grafado com hífen? Será por ambos não averbarem, quer o verbo "coocorrer", quer o adjectivo participial "coocorrente", ao contrário do que faz o supracitado Dicionário Houaiss? Grato de antemão pelo parecer que houverem por bem dar.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa