DÚVIDAS

Imperativo vs. conjuntivo/subjuntivo
Gostava de saber em que pessoas se conjuga o modo imperativo.Tradicionalmente, diz-se que apresenta como únicas formas as da segunda pessoa do singular e plural. Contudo, também o usamos na terceira pessoa do singular (ex.: «coma», «beba»), na primeira pessoa do plural (ex.:«andemos», «comamos») e na terceira do plural (ex.: «comam», «bebam»). Alguns professores dizem que estes últimos três casos não se podem considerar como imperativo, mas, sim, como presente do conjuntivo, com valor de imperativo. No entanto, a gramática de Celso Cunha e de Lindley Cintra indica que estas três conjugações pertencem ao modo imperativo. Por outro lado, consultei também a Gramática da Língua Portuguesa, de Maria Helena Mira Mateus, e, realmente, é referido que o imperativo apresenta as formas da segunda pessoa do singular e plural como as únicas possíveis do modo imperativo. Agradecia um esclarecimento.
A regência de insistir
Gostaria que me esclarecessem acerca de uma dúvida relacionada com a regências do verbo insistir. Exemplo: 1 – «Alguns insistiam que eu começasse a abrir os presentes.» 2 – «Alguns insistiam para que eu começasse a abrir os presentes.» Qual dos exemplos é o correcto? Consultei o Dicionário dos Verbos Portugueses, da Porto Editora, mas só refere o seguinte: «insistir – insistir em: inserir-se num contexto moral.»
Ainda «eu mesmo» e «eu próprio»
Ao contrário do que se afirma no Ciberdúvidas, Fernando Pessoa considerava a forma «eu mesmo» mais correcta do que «eu próprio». Afirma isso na célebre carta a Adolfo Casaes Monteiro, onde diz que Álvaro de Campos escreve português com alguns lapsos e aponta expressamente este. Mesmo que ambos possam, hoje em dia, ser correctos, com que bases Fernando Pessoa, um cultor da língua portuguesa, afirmava tal? Antecipadamente agradecido.
Erros lusos e erros brasileiros
Gostaria de responder ao consulente português Ricardo Nobre que defende o uso corrente das palavras pertencentes ao pronome vós. O uso das palavras vosso, vossa, vos, convosco com terceira pessoa de plural (vocês) é completamente errado e deve ser hoje evitado. Deve saber-se que com as formas da terceira pessoa (você, vocês) só se podem usar palavras seu, sua, o(s), a(s), lhe(s), com você(s) e consigo. Vejamos agora duas frases, uma lusa e uma brasileira. 1. Continuem com o vosso trabalho! Sempre vos digo isso mas nunca me obedecem.2. Continue com teu trabalho! Sempre te digo isso mas você nunca me obedece. A fala popular lusa mistura, como vimos, vocês e vós e a fala popular brasileira mistura você e tu. Deve ser: 1. Continuem com o seu trabalho! Sempre lhes digo isso mas nunca me obedecem./Continuai com o vosso trabalho! Sempre vos digo isso mas nunca me obedeceis.2. Continue com seu trabalho! Sempre lhe digo isso mas você nunca me obedece./Continua com teu trabalho! Sempre te digo isso mas nunca me obedeces. As misturas são erros enormes quanto à gramática, mas quanto à semântica não há muita diferença. Por isso há pessoas, os que desconhecem a gramática, dizerem que misturar vós com vocês e tu com você seja correto. Se quisermos aceitar a mistura lusa (quero apresentar-vos a vocês), então, devíamos aceitar também a mistura brasileira (eu te amo e você me ama). É interessante reparar que em Portugal ninguém mistura tu e você (a não ser que se trate de uma brincadeira) e que no Brasil ninguém mistura vocês e vós (também, a não ser que se trate de uma brincadeira). A presença dessas misturas em português é óbvia. Elas pertencem à linguagem popular e vulgar. O perigoso é elas entrarem na língua formal. O livro "Português sem fronteiras" recomendado pela Faculdade de Letras em Lisboa como o melhor livro de português para os estrangeiros introduz as palavras vosso, vos, convosco sem mencionar o pronome vós, ou seja, apresenta o uso destas palavras com o pronome vocês. Acho uma vergonha porque assim milhares e milhares de pessoas a estudar português vão aprender a falar erradamente. O que dizer sobre o cartaz de Ministério brasileiro da Saúde no qual se lê: «Se você não se cuidar a aids vai te pegar»? Não acho justo o erro brasileiro ser sempre considerado erro e o erro lusitano entrar nos livros de ensino. O que vocês acham sobre esse problema? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa