DÚVIDAS

A diferença entre «fiquei sabendo» e soube
Como tenho interês [sic] pela história da língua portuguesa, de quando em vez, venho ler artigos a este maravilhoso sítio. Deparei-me com um problema difícil de resolver, por causa do qual meu professor ficou frustrado. Qual é a diferença em nuance entre fiquei sabendo e soube. Esta pergunta pode-se reduzir à diferença entre ficar + gerúndio e o mesmo verbo simples. Será que o verbo ficar exprime não só transição de estado mas também uma açcão [sic}] duradoura? Gostaria de saber como as frases parecidas a seguir se distinguem uma da outra. «Esteve (está) desconsciente [sic]durante dois minutos.» «Fiqou [sic] (fica) desconsciente [sic] durante dois minutos» Incidentalmente, percebo que ficar se parece com o verbo espanhol quedarse no aspecto verbal e no seu uso, conforme o que disse uma amiga. Agradeceria muito se pudesse resolver este problema. Desejo de coração que este sítio continue a ser luz de esperança para todos. Muito obrigado.
Frase imperativa e polaridade
A frase «Para de comer as nossas alfaces!» é imperativa. Contudo, a dúvida surge na polaridade, uma vez que não tem as palavras-chave de uma frase negativa; daí considerarmos a frase com polaridade afirmativa. Contudo, o sentido da frase remete-nos para uma frase com polaridade negativa, pois se substituirmos pela palavra não estamos a negar: «Não comas mais as nossas alfaces!» Qual o tipo de polaridade mais correto?
"Cheio de nove horas", mais uma vez
Com relação à origem da expressão "Cheio de Nove Horas", questionada por Márcio J. C. Coimbra, em 14.01.2000, acredito que seria interessante nos reportarmos à explicação dada por Luís da Câmara Cascudo em seu livro "Locuções Tradicionais no Brasil" (Belo Horizonte, Itatiaia; São Paulo, EDUSP, 1986, pág. 48). Na obra citada, encontramos as seguintes observações para a expressão "Cheio de Nove Horas": "Na noite de 25 de setembro de 1968, o meu velho amigo João Baptista de Medeiros veio ver-me, acompanhado da filha Teresa e do genro, dr. João de Souza Leão Cavalcanti, flor de velhas roseiras pernambucanas. Visita agradável, cativante, afetuosa. Conversa viva, variada, evocadora. Súbito, olhando o relógio de pulso, dona Teresa, sob o pretexto de fazer-me descansar, apressou a saída indesejável. Explica-me: "O Senhor precisa repousar e já são nove horas!" Nove horas era a razão suficiente, indiscutível, para finalizar tão amistosa convivência. Foi, realmente, a hora clássica do séc. XIX, regulando o final das visitas, ditando o momento das despedidas. (...) Às nove horas caía o pano sobre a representação do quotidiano. Apenas os boêmios, notívagos impenitentes, teimavam em afrontar os perigos da noite, da polícia, dos ladrões e capoeiras esfaimados. (...) Criou-se no século XIX a figura sestrosa, cerimoniática, meticulosa, do "Cheio de Nove Horas", criatura infalível em citar regras, restrições, limites às alegrias dos outros, memorialista dos pecados alheios, fiel lembrete aos códigos e regulamentações, imperativas e dispensáveis, complicando as cousas simples." Cf. Cheio de nove horas, de novo.
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