A diferença entre «fiquei sabendo» e soube
Como tenho interês [sic] pela história da língua portuguesa, de quando em vez, venho ler artigos a este maravilhoso sítio. Deparei-me com um problema difícil de resolver, por causa do qual meu professor ficou frustrado. Qual é a diferença em nuance entre fiquei sabendo e soube. Esta pergunta pode-se reduzir à diferença entre ficar + gerúndio e o mesmo verbo simples. Será que o verbo ficar exprime não só transição de estado mas também uma açcão [sic}] duradoura? Gostaria de saber como as frases parecidas a seguir se distinguem uma da outra.
«Esteve (está) desconsciente [sic]durante dois minutos.»
«Fiqou [sic] (fica) desconsciente [sic] durante dois minutos»
Incidentalmente, percebo que ficar se parece com o verbo espanhol quedarse no aspecto verbal e no seu uso, conforme o que disse uma amiga. Agradeceria muito se pudesse resolver este problema.
Desejo de coração que este sítio continue a ser luz de esperança para todos. Muito obrigado.
O feminino de nu-proprietário
Já foi analisada a questão do plural de "nu proprietário". Tenho outras duas dúvidas, quanto à mesma expressão:
a) qual o feminino?
b) há hífen entre as duas palavras?
Infante e infanta
Sobre as palavras infante e infanta o dicionário dá a definição de: infante: 1. s. m. menino, criança; 2. soldado de infantaria; 3. filho de rei, mas não herdeiro da coroa; 4. peão; e infanta: 1. s. f., filha de rei, mas não herdeira da coroa; 2. esposa do infante. Visto que infante é sinónimo do s. m. menino, infanta pode ser sinónimo do s. f. menina?
Onde, em que, na qual
É indiferente usar-se "em que", "onde" ou "na qual" na frase seguinte: "Uma sociedade em que o homem dominava".
Açougue
Qual é a etimologia da palavra açougue?
Estrofe
O que significa estrofe?
Frase imperativa e polaridade
A frase «Para de comer as nossas alfaces!» é imperativa. Contudo, a dúvida surge na polaridade, uma vez que não tem as palavras-chave de uma frase negativa; daí considerarmos a frase com polaridade afirmativa. Contudo, o sentido da frase remete-nos para uma frase com polaridade negativa, pois se substituirmos pela palavra não estamos a negar: «Não comas mais as nossas alfaces!»
Qual o tipo de polaridade mais correto?
Síndica
O cargo de síndico, em um condomínio, quando ocupado por uma pessoa do sexo feminino, passa a ter a denominação de "síndica"?
Sinónimo(s) de potenciar
Agradecia que me dessem um sinónimo de potenciar, para este exemplo: «...onde os factores históricos e culturais sejam potenciados para melhor promoção dos resultados políticos e económicos.».
"Cheio de nove horas", mais uma vez
Com relação à origem da expressão "Cheio de Nove Horas", questionada por Márcio J. C. Coimbra, em 14.01.2000, acredito que seria interessante nos reportarmos à explicação dada por Luís da Câmara Cascudo em seu livro "Locuções Tradicionais no Brasil" (Belo Horizonte, Itatiaia; São Paulo, EDUSP, 1986, pág. 48). Na obra citada, encontramos as seguintes observações para a expressão "Cheio de Nove Horas":
"Na noite de 25 de setembro de 1968, o meu velho amigo João Baptista de Medeiros veio ver-me, acompanhado da filha Teresa e do genro, dr. João de Souza Leão Cavalcanti, flor de velhas roseiras pernambucanas. Visita agradável, cativante, afetuosa. Conversa viva, variada, evocadora. Súbito, olhando o relógio de pulso, dona Teresa, sob o pretexto de fazer-me descansar, apressou a saída indesejável. Explica-me: "O Senhor precisa repousar e já são nove horas!" Nove horas era a razão suficiente, indiscutível, para finalizar tão amistosa convivência. Foi, realmente, a hora clássica do séc. XIX, regulando o final das visitas, ditando o momento das despedidas.
(...) Às nove horas caía o pano sobre a representação do quotidiano. Apenas os boêmios, notívagos impenitentes, teimavam em afrontar os perigos da noite, da polícia, dos ladrões e capoeiras esfaimados.
(...) Criou-se no século XIX a figura sestrosa, cerimoniática, meticulosa, do "Cheio de Nove Horas", criatura infalível em citar regras, restrições, limites às alegrias dos outros, memorialista dos pecados alheios, fiel lembrete aos códigos e regulamentações, imperativas e dispensáveis, complicando as cousas simples."
Cf. Cheio de nove horas, de novo.
