DÚVIDAS

«Amanhã todos vocês trazem o seu livro»
Muito obrigado pela vossa resposta. Tomo boa nota dela. Permitam-me contudo que expresse mais uma interrogação sobre a mesma estrutura. Faço-o aqui, mas transponho este texto para o «Ciberdúvidas», e peço-vos muito o favor de me responderem esclarecendo-me mais. A flexão verbal em português, na sua forma corrente, mais actual e mais usada é, como todos bem sabemos, (por exemplo, no presente do indicativo de trazer): eu trago, tu trazes, ele traz, nós trazemos, vocês trazem, (vós trazeis, é uma forma de uso restrito, praticamente um regionalismo, de sabor arcaico), eles trazem. Portanto, coincidência formal entre a 2.ª e a 3.ª pessoa do plural. Sendo pois que essa forma da 2.ª p. pl. é a mais corrente e aceite, não deveria aceitar-se também, como norma, a sua adequação com o pronome possessivo da 2.ª p. pl.? «Amanhã vocês trazem todos os vossos livros» (em paralelo com «... os seus livros», aliás sujeito, em certas situações, a ambiguidades – seus de quem? Deles ou vossos?) Demais, se o c.o.d. "livros" estiver no singular, a situação piora, em termos de ambiguidade: «Amanhã vocês trazem todos o vosso livro». Mais claro do que: «... trazem todos o seu livro». Mais uma vez muito obrigado pela vossa atenção e apoio linguístico.
A regência de gostar numa oração relativa
É comum ouvir em certos anúncios publicitários do Brasil a seguinte oração: «Dê um presente a quem você gosta.» Creio haver aqui um problema, uma vez que não se deu atenção à regência do verbo gostar, o qual pede a preposição de. Se quisermos construir gramaticalmente, teremos de usar a preposição supramencionada. Penso que a forma limpa de qualquer senão sintático é esta: «Dê um presente à pessoa de que (ou de quem) você gosta.» Estou certo? Muito agradecido!
Próclise após o "que"
Gostaria de saber em que casos é obrigatória a próclise após a partícula "que" no português de Portugal. Tenho essa dúvida pois ao consultar Ciberdúvidas vi, por um lado, que na frase "Se a pergunta for difícil, avise-me, que eu lhe enviarei a resposta" (6/7/2001) era possível também utilizar o pronome em posição mesoclítica se a frase fosse dita pausadamente. Por outro lado, ao comentar as diferenças sintáticas entre o português de Portugal e do Brasil (17/03/1999), afirmou-se que no Brasil há freqüentemente trocas entre ênclise e próclise, em relação ao que é usual em Portugal (ex: que se diz/ que diz-se). Talvez a colocação pronominal dependa da eufonia da frase, ou de se o "que" tem função de conjunção ou de relativo.
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