A pronúncia da letra w
Se a letra w pertence ao alfabeto gótico, se a maioria das línguas a lê com o seu valor original "v", por que razão agora em Portugal se usa como valor o "u", som que petence a uma das excepções, dantes chamava-se duplo v e tinha o som de "v". Já ouvi pronunciar o nome do pintor francês Watteau como "Uotau" e o dos Wagner que imigraram para os Estados Unidos como "Uogner", etc. O inglês, o wallon (língua já mais que moribunda) e o espanhol, a meu ver, são excepções e não a regra.
Há-de, de novo
De Padre António Vieira eis um trecho do "Sermão de Santo António aos Peixes" que me intrigou, no segundo parágrafo do capítulo I:
"Suposto, pois, que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar; que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo o disse logo: Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras et conculcetur ab hominibus. Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer, é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos." (...)
Minha intriga é com este "há-de" que várias vezes aparece no trecho. O verbo "haver" ligado à preposição "de" por meio de hífen. Se não me engano já vi isto aqui mesmo no Ciberdúvidas em alguma pergunta ou resposta. Talvez seja comum tal coisa em Portugal, mas não no Brasil atualmente, ou pode ser que seja eu próprio a não saber nada sobre isto. De qualquer forma, nas gramáticas de que disponho, não consegui encontrar qualquer referência a este caso. Daí então o surgir das dúvidas:
Qual a explicação para que o "há-de fazer" esteja escrito assim, com esse hífen?
É correto ligar-se a "preposição" ao verbo por meio de hífen?
Se é correto ligar-se a "preposição" ao verbo por meio de hífen, vale isso para "qualquer verbo" e "qualquer preposição"?
Poderia escrever algo assim: "gosto-de" comer maçã? Estaria certo esse "gosto-de comer", com hífen, a exemplo do "há-de fazer"? Ou quem sabe escrever outra coisa do tipo: "é-de se estranhar isso"? Estaria certo esse "é-de", com hífen?
Seria certo escrever "tudo está-por fazer", com esse hífen?
No caso de valer o hífen apenas para o verbo haver, ou até para outros verbos, valerá para todos os tempos, pessoas e modos? Poderia escrever: hei-de fazer, havemos-de fazer, houvesse-de fazer, haveria-de fazer...?
No caso de ser ainda considerado certo atualmente o "há-de fazer", com hífen, ficará errado escrevê-lo sem hífen: "há de fazer", simplesmente?
E será certo tanto no Brasil quanto em Portugal, escrever-se com hífen, ou sem hífen, ou ambos, conforme for o caso?
Desculpem se me alonguei um pouco. Se o fiz, foi na esperança de fornecer informações que lhes permitam corrigir-me o raciocínio mais precisamente. Tentei apenas mostrar-lhes o que estou pensando sobre o assunto: pensamentos que podem não estar muito claros, mas justamente a nuvem da dúvida é que talvez os obscureça. Preocupei-me até em antecipar outras dúvidas que surgiriam de possíveis respostas suas: possibilidades que depois, quem sabe, se mostrem disparatadas; mas só o saberei após a resposta. Por favor, peço então me esclareçam o que lhes houver por bem.
Desde já, agradeço a atenção.
A expressão latina «ridendo castigat mores»
= «corrige os costumes sorrindo»
= «corrige os costumes sorrindo»
O que quer dizer «ridendo castigat mores» e qual é a intenção de Gil Vicente a utilizar isto no Auto da Barca do Inferno?
O advérbio né
É muito comum as pessoas, principalmente aqui, no Mato Grosso do Sul, utilizarem a palavra né especialmente ao final de uma frase, o que na maioria das vezes soa como uma pergunta, como se substituísse o «não é?». Por vezes, ao meu ver, isso soa como insegurança ao fazer uma afirmação.
Pergunto: a palavra né existe? Se sim, ela deve ser acentuada? Qual a origem dessa palavra? Devemos utilizá-la normalmente?
Obrigado!
A identificação de uma frase nominal
Me deparei com a seguinte questão:
Assinale a única opção que apresenta uma frase nominal:
a) Ai, minha cabeça dói!
b) Dor de cabeça!
c) Ai, que dor de cabeça!
d) Ai, está doendo minha cabeça!
e) Finalmente minha cabeça parou de doer.
Gabarito: Letra b.
Bem, segundo o que eu entendo, uma frase, em primeiro lugar, tem de ter sentido completo, com ou sem verbo, ou seja, para ser frase basta atingir seu objetivo que é de estabelecer comunicação. Portanto, dependendo do contexto, uma única palavra poderá ser classificada ou não como frase.
Frase nominal é aquela que possui sentido completo, mas não possui verbo.Voltando à questão, eu descartaria de cara as opções A, D e E porque, além de serem frases, são também orações, ou seja, possuem pelo menos um verbo em sua construção.
Nas opções B e C não há um verbo, salvo se tiver algum elíptico que eu não esteja percebendo. Como a questão não apresenta um texto básico para que o candidato tenha uma ideia do contexto onde essas frases foram produzidas, eu marquei a letra C. Para minha surpresa, o gabarito foi a letra B. Não entendi!
Quando comparada as duas construções «Dor de cabeça!» e «Ai, que dor de cabeça!» e levando-se em consideração que não tenho um contexto para essas construções, entendo que não posso dizer que «Dor de cabeça» tenha sentido completo, pois pode ser que eu esteja vendo uma pessoa sofrendo com dor de cabeça e afirme isso para uma outra pessoa que esteja a meu lado ou posso eu responder a uma pessoa que estou com dor de cabeça, mas aqui eu precisaria de um contexto para dar sentido a essa construção «Dor de cabeça!».
Por outro lado, a construção «Ai, que dor de cabeça!» me parece de fato uma frase nominal. Um falante quando a expressa não há dúvidas para o seu interlocutor quem está sentindo dor de cabeça. Seria aqui o caso de ser uma oração, pois a locução verbal, «estou sentindo», estaria subentendida («Ai, que dor de cabeça estou sentindo!»)?
Poderiam me ajudar a esclarecer?
Pneu suplente ou sobressalente?
Gostava de saber qual o termo a aplicar na seguinte situação: Mudar o pneu suplente; ou o pneu sobressalente, quando nos referimos a um pneu de reserva? Já encontrei as duas situações, podem-se usar ambas ou existe algum critério a aplicar? Obrigado e continuação do excelente serviço.
"...me dê notícias"
"Eu quero saber qual é a forma correta de escrever esta frase:
"Me der notícias" ou "Me dê noticias"?
Valores aspetuais imperfetivo, habitual e iterativo
Por vezes, tenho dificuldades em distinguir o valor aspetual imperfetivo, habitual e iterativo. Se me puderem ajudar, agradeço imenso. Assim, na expressão «Eles iam todos os dias ao cinema», o valor é habitual ou iterativo? E na frase «Quando era jovem, lia livros de aventuras», o valor é habitual ou imperfetivo?
Muito obrigada.
A definição de sujeito
O que é o sujeito?
Constar em / constar de
Eu digo consta da ata ou consta na ata?
