DÚVIDAS

Frase imperativa e polaridade
A frase «Para de comer as nossas alfaces!» é imperativa. Contudo, a dúvida surge na polaridade, uma vez que não tem as palavras-chave de uma frase negativa; daí considerarmos a frase com polaridade afirmativa. Contudo, o sentido da frase remete-nos para uma frase com polaridade negativa, pois se substituirmos pela palavra não estamos a negar: «Não comas mais as nossas alfaces!» Qual o tipo de polaridade mais correto?
«Amanhã todos vocês trazem o seu livro»
Muito obrigado pela vossa resposta. Tomo boa nota dela. Permitam-me contudo que expresse mais uma interrogação sobre a mesma estrutura. Faço-o aqui, mas transponho este texto para o «Ciberdúvidas», e peço-vos muito o favor de me responderem esclarecendo-me mais. A flexão verbal em português, na sua forma corrente, mais actual e mais usada é, como todos bem sabemos, (por exemplo, no presente do indicativo de trazer): eu trago, tu trazes, ele traz, nós trazemos, vocês trazem, (vós trazeis, é uma forma de uso restrito, praticamente um regionalismo, de sabor arcaico), eles trazem. Portanto, coincidência formal entre a 2.ª e a 3.ª pessoa do plural. Sendo pois que essa forma da 2.ª p. pl. é a mais corrente e aceite, não deveria aceitar-se também, como norma, a sua adequação com o pronome possessivo da 2.ª p. pl.? «Amanhã vocês trazem todos os vossos livros» (em paralelo com «... os seus livros», aliás sujeito, em certas situações, a ambiguidades – seus de quem? Deles ou vossos?) Demais, se o c.o.d. "livros" estiver no singular, a situação piora, em termos de ambiguidade: «Amanhã vocês trazem todos o vosso livro». Mais claro do que: «... trazem todos o seu livro». Mais uma vez muito obrigado pela vossa atenção e apoio linguístico.
Oração subordinada substantiva com função de sujeito
Tenho alguma dificuldade em definir o sujeito e o complemento directo em frases do tipo: «É aconselhável que se faça a prevenção rodoviária.» «É obrigatório que se respeitem os sinais de trânsito.» «Que tu tenhas estudado deu muita alegria aos teus pais.» Estas frases não possuem um sujeito definido. A minha primeira impressão é que, por exemplo, «que se faça a prevenção rodoviária» seja uma oração subordinada completiva com função de complemento directo, pois faço a pergunta simples: «O que é obrigatório? — Que se faça a prevenção rodoviária.» E assim nesta frase o sujeito é indeterminado. Agradeço que me possam esclarecer estas dúvidas.
Ainda o termo "islamista"
Leio no caderno "Actual" do "Expresso", em texto assinado por Francisco Belard (O Português e os mestres, de 18 de Março p.p.) comentando o livro Gente Famosa Continua a Dar Pontapés na Gramática – Manual de Erros e Correcções de Linguagem, de Lauro Portugal (Roma Editora), que o termo "islamista", apontado no livro em causa (e aqui no Ciberdúvida) como uma corruptela de "islamita" (muçulmano), afinal terá já um sentido diferente (FB não o diz, mas pressupõe-se que significaria "fundamentalista") sendo, portanto, palavra correctamente escrita. Tem sentido esta tese?
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