DÚVIDAS

Emprego de pronomes
Sou acadêmico de Direito na Universidade Católica de Goiás (Brasil). Ao estudar essa matéria surgiu dúvidas em 02 exercícios que, se possível, gostaria que me esclarecessem. Desde já agradeço. Na Gramática Contemporânea da Língua Portuguesa, de José Nicola e Ulisses Infante, Editora Scipione, São Paulo, 1.994, páginas 215 e 216 constam as seguintes questões: "Texto para as questões 6 e 7: ´Que me enganei, ora o vejo; Nadam-te os olhos em pranto, Arfa-te o peito, e no entanto Nem me podes encarar; Erro foi, mas não foi crime, Não te esqueci, eu to juro: Sacrifiquei meu futuro, Vida e glória por te amar!´ (Gonçalves Dias) Questão nº 6. (FUVEST-SP) Em dois versos do texto, um pronome substitui toda uma oração. Aponte os versos em que isso ocorre." "Questão nº 13. (UFPR) Assinale a alternativa que substitui corretamente as palavras destacadas: Assistimos à inauguração da piscina. O governo assiste os flagelados. Ele aspirava a uma posição de maior destaque. Ele aspira o aroma das flores. O aluno obedece aos mestres.   lhe, os, a ela, a ele, lhes a ela, os, a ela, o, lhes a ela, os, a, a ele, os a ela, a eles, lhe, lhe, lhes lhe, a eles, a ela, o, lhes" Prezados Senhores, se puderem me explicar, minhas dúvidas são: Em ambas situações não consegui aplicar o conhecimento teórico. Não consigo como devo analisar nem como dar início à resolução dos problemas. Por favor me digam quais são as respostas corretas e como devo analisar as questões.
Palavras com mais de um ç
Sou brasileiro e um curioso pela língua portuguesa. Atualmente estou interessado em palavras em português, escritas com mais de um (c) cedilha. Já conheço algumas mas, há muito tempo atrás, consultando o dicionário Caldas Aulete, me deparei com as seguintes palavras, com as respectivas origens geográficas: Açarçalhar (Minho); Caçarraça (ilha do Pico, onde fica a ilha do Pico?); Moçaço (árvore africana, de qual país?); Muçaça (Moçambique); Quiçandaçuala (pássaro de Angola), Quiçoçoria (ave africana, de qual país?). Farei três perguntas: Essas palavras são mesmo usadas até hoje? As origens geográficas estão corretas? Vocês conhecem outras palavras em português escritas com mais de um (c) cedilha? Agradeço a atenção.
«Tudo ao molho»
«Tudo ao molhe em Ypres.» Este título de uma notícia da revista portuguesa de desporto automóvel Auto Sport, edição de 12 de Junho, página 17, está correcto? O articulista queria referir-se ao facto de que no Rali de Ypres (Bélgica) estariam muitos inscritos, muitos carros em prova e presentes muitos favoritos à vitória. Será que não deveria dizer «Tudo ao molho», que julgo ser a expressão mais correcta e que sempre ouvi dizer? O facto de se tratar de um jornalista da Madeira a escrever a notícia, onde é muito frequente colocar o e em vez do o no fim das palavras, não terá a ver com isso? É, de facto, muito comum os madeirenses, incluindo muitos jornalistas que o escrevem nos seus jornais e falam nas suas rádios e na televisão local, dizerem «tudo ao molhe» e «não tudo ao molho». Afinal, o que está correcto?
Sobre o uso da pontuação
No contacto diário com a língua escrita, facilmente constatamos uma certa anarquia na área da pontuação. Sabemos que o emprego dos sinais de pontuação oferece uma considerável margem de liberdade, que a subjetividade desempenha um papel importante; no entanto, sentimos que algo deveria ser feito no sentido de uma maior uniformização de critérios… As gramáticas portuguesas não concedem ao assunto a importância que ele merece, limitam-se a uma apresentação sumária e superficial, manifestamente insuficiente. Estes fatores alimentam a indecisão, a dúvida e, mesmo, a ignorância, atingindo, inclusive, aqueles que mais de perto lidam com a língua: os docentes. É deste âmbito a situação que passo a expor, solicitando o vosso contributo. Nas atas das reuniões de avaliação, são frequentes as enumerações. Nestas, é mencionado o número do aluno, seguido do respetivo nome (primeiro e último), naturalmente separados pela vírgula. O que, muitas vezes, se passa é que se usa a vírgula para separar os vários alunos entre si… Não invalidando sumariamente esta opção, parece-me preferível optar pelo uso do ponto e vírgula para separar estes elementos. Isto contribuirá para uma melhor clareza do texto, evitando a excessiva repetição deste sinal de pontuação e eliminará uma certa ambiguidade. Embora a ata, texto normativo, não tenha as preocupações estéticas do texto literário, isso não impede que procuremos construir um texto agradável e, neste aspeto, ele sairá largamente beneficiado. Tendo manifestado, em contexto escolar, esta minha posição, fui objeto de grande contestação, junto dos colegas de Português (minha área disciplinar). O ponto e vírgula é usado para «separar os diversos itens de enunciados enumerativos» (Cunha e Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, 13.ª ed., Lisboa, Sá da Costa, p. 648). Isto é amplamente corroborado: «Usa-se o ponto e vírgula entre os vários elementos de uma enumeração quando se pretende estabelecer claramente a sua separação» (Bergström e Reis, Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa, 33.ª ed., Lisboa, Editorial Notícias, Lda., p. 49). Será, sem dúvida, pertinente incluir neste âmbito a situação que exponho. Os exemplos apresentados são diferentes, mas a gramática não pode, naturalmente, contemplar todos os contextos. A partir da análise de obras que tratam este sinal, ressaltam duas ideias fundamentais: ele é decisivamente “escravo” do contexto (além da intenção), pela sua própria natureza de intermediário entre o ponto e a vírgula; a sua capacidade para colmatar claramente as insuficiências da vírgula é inquestionável. Gostaria que comentassem esta situação, pois é comum assistir-se a um "interminável desfile" de vírgulas nas atas que mencionei. Creio que isso pode contribuir para esclarecer uma situação recorrente nos nossos estabelecimentos de ensino.
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