DÚVIDAS

«Com condições para» vs. «em condições de»
Consideremos a seguinte frase: «O paciente não está com (em) condições físicas para participar da audiência designada para o dia 7 de janeiro de 2018, uma vez que sofreu o quarto acidente vascular cerebral, que o deixou com o lado direito do corpo paralisado afetando sua mobilidade.» Minhas dúvidas são: o paciente «não está COM condições» ou «EM condições»? Existe vírgula após «acidente vascular cerebral»?
Os porquês dos porquês no Brasil
A brasileira Luciana Coelho, no dia 30 de março de 2000, perguntou sobre o uso dos porquês. Apesar de o assunto já ter sido tratado pelo Ciberdúvidas diversas vezes, acho que seria interessante explicar-lhe algumas coisas, para facilitar, em relação ao uso dos porquês no Brasil: 1 - A pergunta que ela deveria colocar no espaço é "Por quê?" ou "Por que..".?" (sem o acento, se depois vier mais alguma coisa). Esse "quê" com acento é usado quando é tônico – simplificando, no fim da oração, nesse caso. 2 - Quando é substantivo, escrevemos "porquê" (junto e com acento). E ele é um substantivo quando for precedido de um artigo, por exemplo ("Não sei o porquê disso"). Em sua pergunta, Luciana deveria ter escrito, portanto, "tenho uma dúvida quanto ao uso do porquê" (com acento). 3 - Aprendemos na escola que devemos usar "por que" na pergunta e "porque" na resposta. Isso está correto, mas vale acrescentar que o "por que" (separado) vale também para "perguntas indiretas" (orações subordinadas substantivas), como "Não sei por que ele veio". Não é só quando há um ponto de interrogação que se deve usar o "por que" (separado)! O truque é tentar substitui-lo por "por que razão/motivo" ("Não sei por que motivo ele veio"). 4 - Se ela falar uma língua estrangeira como inglês ou alemão, por exemplo, isso pode facilitar no emprego dos "porquês": quando nessas línguas usamos o "why" ou o "warum", temos "por que"; se utilizarmos o "because" ou o "weil", temos o "porque". Isso vale também (na verdade, principalmente) para as tais perguntas indiretas, que geralmente causam muitas dúvidas ("Não sei por que ele veio" = "I don't know why he came" = "Ich weiss nicht, warum er gekommen ist").
O pronome lhe e o complemento oblíquo
Agradeço um esclarecimento sobre a dúvida seguinte: Na frase «Ele falou aos amigos», o constituinte «aos amigos» desempenha a função sintáctica de complemento indirecto. E qual é a função sintáctica de «com os amigos» na frase «Ele falou com os amigos»? Semanticamente, «falar a» e «falar com» têm o mesmo valor. Num dicionário que consultei (Dicionário de Verbos Portugueses, Porto Editora), a regência do verbo falar é apresentada deste modo: — falar de, sobre: «falámos dele», «falou-se sobre futebol». — falar a, com: «ele falou a todos», «ele falou com todos». — falar em: «falei nele ao professor»; «falou ontem no assunto»; «falaram em vir mais cedo»; «falei-lhes em inglês». Porém, sintacticamente, surge a seguinte dúvida: Na primeira frase, «aos amigos» é um complemento indirecto, sendo introduzido pela preposição a e sendo substituível pelo pronome lhes: «Ele falou-lhes.» Na segunda frase, «com os amigos» é aparentemente um complemento oblíquo; no entanto, penso que é substituível pelo pronome lhes: «Ele falou-lhes.» Qual é, então, a sua função sintáctica? Agradeço desde já a atenção dispensada.
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