DÚVIDAS

Abreviaturas nas cartas
Encontrei num manual de Português que não se abrevia Senhor ou Senhora na saudação inicial de uma carta e no endereço. Só se utilizam as abreviaturas Sr./Sra. seguidas do nome próprio. Gostaria de saber se esta informação está correcta, porque, em outros manuais, em exemplos de fórmulas de saudação inicial, esta regra não é respeitada. Assim, na saudação de uma carta devo escrever: «Exmo. Sr. João», ou «Exmo. Senhor João»? Outra dúvida: uma carta de reclamação deve ser escrita na 1.ª pessoa ouna 3.ª pessoa? É que já encontrei exemplos de cartas de reclamação escritas na 1.ª e outras na 3.ª Muito obrigada!
Coordenante e coordenada “vs.” subordinante e subordinada
Na sequência de uma pergunta feita por uma professora, foi-lhe respondido que a oração «O João gosta de manga» é principal ou coordenante; ora aprendi que não podia ser principal, pois não há uma relação de dependência entre elas e também não pode ser coordenante, visto que o termo não existe, pelo menos nos dicionários que consultei. Há uns tempos atrás, fiz essa mesma pergunta, tendo-me sido respondido que se poderia chamar-lhe coordenada inicial. Por outro lado, eu penso que lhe podemos atribuir o mesmo nome da segunda oração, como neste caso bem evidente: (ou) Estás calado ou sais.
Concordância com um ou outro
Após uma pesquisa no site, encontrei algumas perguntas e respostas onde se usa a expressão «uma ou outra» seguida de palavras no singular; no entanto, sempre achei que fazia mais sentido – se bem que não sei bem porquê – dizer «tenho uma ou outra questões a fazer» ou «fiz uma ou outra alterações» em vez de usar «questão» e «alteração». A minha questão – que afinal é mesmo só uma – é essa: é mais correcto dizer «fiz uma ou outra alteração» em vez de «fiz uma ou outra alterações»? Chamaram-me à atenção que se utilizaria o plural apenas se quiséssemos dizer «uma _e_ outra»...
Texto injuntivo nos anúncios publicitários
Sou professora de Português e participei de um curso de capacitação nesta área e devo repassá-la aos professores da minha escola E. E. Odilon Behrens, na cidade de Guanhães. Em um desses repasses, quando eu explicava sobre o efeito injuntivo nos textos publicitários, uma colega perguntou se a seqüência: "Boticário: perfume que vem das flores" era argumentativo, descritivo ou injuntivo. Eu disse que de acordo com minha leitura ele teria o tipo textual descritivo, mas que possuía um efeito argumentativo (pelo fato de querer convencer o leitor de que o produto em questão é o melhor) e injuntivo (porque deseja que o leitor aja, vá a uma das lojas Boticário e compre um de seus produtos. Agora é que vem a questão. Estou realmente correta? Pois a professora afirmou-me que a seqüência é injuntiva. Quem está com a razão?
A expressão mi-mi-mi
Em um mesmo jornal de grande circulação, no Brasil, tenho observado diferentes grafias para «imitar ou descrever alguém que reclama demais» ou para «satirizar e tirar sarro de reclamações ou brigas desnecessárias, servindo como argumento para as pessoas pararem de falar». Afinal, que grafia devemos adotar na escrita? “Mimimi”, “mi mi mi” ou “mi-mi-mi”? Eis os contextos: a) “Nós temos que enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos de enfrentar os problemas. Respeitar, obviamente, os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades, mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos?”, questionou o presidente em São Simão (GO).” (Marcelo Toledo e Luís Cláudio, Saúde, Folha de São Paulo, 04/03/2021); b) “Finalmente o futebol está de volta nesta quarta-feira! Depois de quase um mês de muito blá-blá-blá, mi mi mi e jogos horripilantes, vamos ter três jogos de verdade hoje. Palmeiras x Inter, Grêmio x Bahia, Athletico x Flamengo abrem as quartas de final da Copa do Brasil. Felizmente acabou a Copa América, uma das piores edições da história, que não deixará saudades.” (Ágora São Paulo, Esporte, Folha de São Paulo, 10/07/2019); e c) “Era um papel bastante distanciado, porque o Estado se comporta como reflexo da sociedade que o compõe, negando esse processo de morte. Desde novembro de 2018, temos uma normativa sobre os cuidados paliativos no SUS. Está aprovado, reconhecido. Precisamos agora ter quem faça. Temos que mostrar ao que viemos, sem mi-mi-mi.” (Paulo Markun, Colunas e Blogs, Folha de São Paulo, 21/08/2019)
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa