DÚVIDAS

Ensaio: definição e estrutura
Gostaria muito de aprender a definição e estrutura de um «ensaio» para ensinar aos meus alunos. Vocês podem me ajudar nisso? Ficarei muito grata. N.E. - Esta não é, claramente, uma dúvida de Português. Mas decidimos responder-lhe a título excepcional, até para renovarmos o pedido para os nossos consulentes circunscreverem as suas perguntas, sempre, ao estrito âmbito do Ciberdúvidas da ... Língua Portuguesa.
Paneleiro: valor denotativo e conotativo
«paneleiro s. m. fabricante ou vendedor de panelas de barro; oleiro; (vulg.) homossexual.» (De panela + -eiro) Estas são as definições devolvidas pelo dicionário 'on-line' da língua portuguesa da Porto Editora para a palavra paneleiro. Como leigo que sou nesta matéria, não posso, contudo, deixar de achar curioso que a definição principal da palavra seja aquela que menos é usada hoje, já que as panelas deixaram há muito de ser feitas por artesãos ou vendidas em lojas de paneleiros (será que há excepções?). Por outro lado, não me imagino a entrar numa loja que só venda panelas e perguntar se é ali que é o paneleiro. «Paneleiro é você», seria a resposta mais certa... Se não fosse ainda pior. A questão que quero colocar está directamente relacionada com os chamados «palavrões», constantemente usados e constantemente negados. Apesar de poder parecer inocente, irónico ou maldoso, não queria deixar de perguntar qual é o critério linguístico que justifica a exclusão de várias palavras dos dicionários (não preciso obviamente de as citar), aparentemente porque são considerados «palavrões» e, por outro lado, refere-se o «paneleiro» inocentemente porque o seu significado primitivo seria o de vendedor de panelas? Será que não é um critério linguístico mas sim apenas um critério moral? (Recordo que, em muitos casos, o uso do termo «paneleiro» não serve apenas para atribuir «homossexualidade»; serve também para fazer outras considerações sobre as pessoas que se pretende atingir)
Verbo ir: verbo pleno e verbo auxiliar
Gostaria de um pequeno esclarecimento em relação ao verbo ir. Tenho visto alguns textos e poesias de onde é comum o uso do verbo ir + a preposição a + verbo no infinitivo, como na poesia de Rosa Clement abaixo. Porém tenho entendido que o uso dessa construção gramatical está incorreta no português e portanto a minha dúvida. Agradeço antecipadamente por vosso tempo e atenção. Na ribeira Na tarde ando sozinha pelo caminho do rio, para ver meu amor, e sigo sem nenhum pudor ao prazer dos meus pés descalços. Com perfume de açucenas, deixo o sol beijar minha pele morena e em fogo VOU A CANTAR uma canção de fêmea... E assim, perfumada e quente, chego pela mesma ladeira, e para ele na ribeira, livro meu corpo de censuras. E sem descansar do passeio, com o vento frio a beijar meus seios, fito seu rosto sentindo nas mornas águas os céus descendo....
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