DÚVIDAS

O nome metralhamento
O termo metralhamento pode ser aceite como correto no léxico do português europeu? Já o vi grafado em alguns meios, como o diário dos debates parlamentares, e revistas militares. Gostaria de o utilizar na tradução do termo strafed, derivado do verbo strafe, que significa «atacar com metralhadoras ou canhão, a partir de aeronaves voando a baixa altitude», embora os dicionários traduzam genericamente por bombardear. Desde já, muito grata pelo vosso parecer.
A preposição por e os pronomes átonos em orações de infinitivo
Confesso que fiquei confuso com a correção que foi feita ao teste de Português da minha filha, nomeadamente na parte a que antigamente chamávamos "redação". Numa situação fiquei dúvidas. A minha filha relatava uma viagem que fez à Disney com a irmã e contava que logo à chegada a Paris tiveram uma pequeno problema porque não sabiam qual era o autocarro. Depois de explicar, a dada altura escreveu: "(...) acabámos por encontrar". Ora o corretor acrescentou um "o", ficando: "(...) acabámos por o encontrar". Está correto? Não seria "por encontrá-lo". "Por o encontrar" não soa bem. Grato!
E como palavra denotativa
No contexto abaixo, seria possível inferir que a conjunção e por si só está fazendo as vezes da preposição sobre ou equivalentes como «quanto a», «em relação a», etc. Ou seria apenas casos em que se omite a preposição? «E sua mãe, para onde ela foi?» (Quanto a sua mãe, para onde ela foi?) «E o dinheiro, o que faço para reavê-lo?» (Sobre o dinheiro, o que faço para reavê-lo?) Agradeço desde já pela disponibilidade, compreensão e apoio de sempre!
Regionalismos do Algarve
A peça de teatro Náufragos, de Fernanda de Castro (1900-1994), apresenta várias marcas do falar algarvio. Importa referir que toda a ação se desenrola em ambiente de pescadores. Assim, em contexto, solicita-se algum apoio no esclarecimento das expressões: 1. Emposta (será imposta/impostora?) – «Desde a Senhora da Encarnação que não me vê com bons olhos. Tudo por via do Amândio. Quando reparou nele a bailar comigo, pôs-se logo numa fúria, e vá de me tratar de falsa, de vadia e de emposta, defronte de toda a gente...» 2. Nágnas e Charlocas (náguas/anáguas e chalocas ?!) – Aquilo é que é uma bruteza. Ele são saias de pano fino, ele, charlocas bordadas, ele, nágnas de folhos, ele, corpos de chita… 3. Abiscámos (será um trocadilho popular com a ideia do isco) – Vou à do Bento… Andamos a concertar um negócio de sardinhas com os da fábrica… Já lhe abiscámos uma bruteza de encomendas. (à Rita) Anda daí Rita… Disse à Maria Rosa que te levava… 4. Brasalisco (será relacionado com inquietude?) – «Se desde mocinha me metes pena. Não te lembras? Quanto a gentinha caçoava dos trapos que te prantavam em riba, eu punha-te às cavalas, e fugia, fugia às carreiras até te fazer rir. Que chuvenisco tu eras, ó Mariana! Mesmo, mesmo um brasalisco.» Pode, porventura, existir algum destes vocábulos mal escritos, uma vez que se retirou diretamente do manuscrito.
A expressão «artista sequencial»
O termo «arte sequencial» é um sinônimo para «história em quadrinhos» (Brasil), («banda desenhada» – Portugal e Angola)... Daí, pela lógica do idioma português, como se chama quem faz «arte sequencial» como derivado do nome «arte sequencial» em si? Fica como "artista sequencial"? Como "arte sequencialista"? Ou como mesmo? Por favor, muitíssimo obrigado e um grande abraço!
A sintaxe do verbo chocar («embater»)
Recentemente, foi-me apontado um erro de regência verbal numa estrutura sintática semelhante a "Duas bicicletas chocam uma na outra". A justificação é a de que o verbo "chocar", com o sentido de "embater" não admite a preposição "em" e que só a preposição "com" é aceitável neste contexto. A única versão possível seria, portanto, "Duas bicicletas chocam uma com a outra". Consultei o dicionário Houaiss (Círculo de Leitores, 2015) e constatei que o verbo "chocar" pode ser regido de três preposições, nomeadamente "com", "contra" e "em", mas o dicionário em questão não foi aceite como uma fonte confiável por se tratar de um trabalho de um autor brasileiro. Sem querer discutir a relevância desta referência que eu pessoalmente considero primordial e muito relevante para as questões linguísticas de todas as variantes da língua, na minha maneira de ver, qualquer uma destas preposições estaria correta, e "chocam uma na outra" teria o mesmo valor que "chocam uma com a outra" ou até de "chocam uma contra a outra". Poderão ajudar-me a perceber se estarei errada? Obrigada.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa