Modificador do nome apositivo: «A igreja de Longhena, no Grande Canal»
Agradecia que me indicassem a função sintática do constituinte «no Grande Canal», na frase «A igreja de Longhena , no Grande Canal, perderia a sua presença altiva [...] se os edifícios modestos [...] fossem substituídos por blocos de escritórios de betão armado».
Agradeço mais uma vez a vossa disponibilidade.
A expressão «um amigo para o inverno»
Porque se diz «um amigo para o inverno»?
A sintaxe de comparticipar
Gostaria que me esclarecessem, por favor, se a forma correta deverá ser «Os estudantes devem comparticipar os custos de formação» ou «Os estudantes devem comparticipar nos custos de formação»?
Muito obrigada.
«Os que» (elipse) e «o que» (locução pronominal)
Depois de ter feito uma pesquisa no vosso site, gostaria de saber se estou a analisar corretamente, em termos oracionais e sintáticos, as seguintes frases complexas com a presença das expressões «o que» e «os que»:
1) «Estava calor, o que me transtornou.»
Oração subordinante: «Estava calor.»
Oração subordinada adjetiva relativa explicativa: «o que me transtornou», constituinte que exerce a função sintática de modificador apositivo da oração matriz.
Quanto à análise sintática da oração subordinada: «o que» é sujeito e «me» é complemento direto.
2) «Façam o que mandei.»
Oração subordinante: «Façam.»
Oração subordinada substantiva relativa sem antecedente: «o que mandei», constituinte que desempenha a função sintática de complemento direto.
Quanto à análise sintática da subordinada: «o que» é complemento direto do verbo mandar.
3) «Resolvam os que estão na página trinta» («Resolvam os [exercícios] que estão na página trinta»).
Oração subordinante: «Resolvam os [exercícios]»
Oração subordinada adjetiva relativa restritiva: «que estão na página trinta», constituinte que exerce a função sintática de modificador restritivo do nome [do nome exercícios].
Por seu turno, o constituinte «os que estão na página trinta» exerce a função sintática de complemento direto da matriz.
Quanto à análise sintática da subordinada: «que» é sujeito, e «na página trinta», predicativo do sujeito.
4) «Os exercícios para resolver são os que estão na página trinta»
Oração subordinante: «os exercícios são os»
Oração subordinada relativa restritiva: «para resolver», com a função de modificador restritivo do nome (ou será uma completiva com função de complemento do nome?).
Oração subordinada relativa restritiva: «que estão na página trinta», com a função de modificador restritivo do nome.
Por seu turno, o constituinte «os que estão na página trinta» exerce a função sintática de predicativo do sujeito.
Quanto à análise sintática da última oração subordinada: «que» é sujeito e «na página trinta» predicativo do sujeito
A minha dúvida nas frases 3 e 4 é se o predicativo do sujeito [«os que estão na página 30»] não constituirá como um todo uma oração substantiva relativa, sendo a subordinante apenas até ao verbo ser. Isto gera certa estranheza: se a partícula os fizer parte da subordinante (pois a subordinada restritiva inicia-se apenas com que) soa estranho a subordinante ser «Resolvam os».
Por outro lado, se «os que estão na página trinta» funcionar como substantiva relativa teríamos uma adjetiva restritiva («que estão na página trinta») encaixada na subordinada substantiva relativa, mas apenas com um verbo para as duas subordinadas («estão»), o que também parece estranho.
Peço por isso a vossa ajuda para resolver este dilema, pois sempre tive dificuldades em classificar orações com a presença de «os que» ou de «o que».
Votos de bom trabalho.
Ninguém, nem e coordenação
Em relação à frase «Sem os médicos, ninguém era saudável e "não" tinha uma vida normal», perguntava-vos se a mesma pode ser considerada correta.
Obrigado
Oração subordinada adverbial consecutiva reduzida de gerúndio
Deparei-me com o seguinte período numa questão:
«Dois inimigos silenciosos vieram junto: o vírus da febre amarela e o mosquito Aedes aegypti, sendo a consequência uma série de surtos de febre amarela urbana no Brasil, com milhares de mortos.»
Quanto à oração destacada, qual sua classificação?
Fiquei em dúvida se ela é coordenativa conclusiva, explicativa ou mesmo outra. Embolo-me facilmente nessas situações. Gostaria que alguém pudesse me auxiliar.
Desde já, agradeço.
As expressões «até 20% de descontos» e «descontos até 20%»
Diz-se com «com até 20% de descontos», ou «com descontos até 20%»?
A construção «outra coisa que não seja»
Seria correto classificar o vocábulo que no contexto abaixo como advérbio de exclusão equivalendo a só, somente?
«Não estuda outra coisa que geografia.»
Os valores semânticos da construção ao + infinitivo
Tenho visto algumas frases em que a construção ao + infinitivo me parece inadequada, possivelmente por resultar de traduções literais do inglês by + ing form, e gostaria de saber se a sua aplicação está correta ou não nos exemplos de 1 a 3.
1) Pode ver mais informações ao clicar neste link.
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3) Descobre mais novidades ao ler este artigo.
Intuitivamente, costumo usar a construção ao + infinitivo em orações temporais ou temporais-causais e valido a sua utilização substituindo-a por quando ou marcas temporais similares, como nestes exemplos.
4) Ao sair de casa, reparei que me tinha esquecido da chave. (Quando saí de casa, reparei que me tinha esquecido da chave)
5) A rapariga corou ao ver o rapaz. (A rapariga corou porque/quando viu o rapaz)
6) Ouviu as notícias ao preparar o jantar. (Ouvi as notícias enquanto preparava o jantar)
Eu percebo que nos exemplos de 1 a 3 se possam substituir as expressões ao + infinitivo por quando e, ainda assim, obter frases gramaticais. Contudo, parece-me que há uma notória alteração no significado destas frases. Para ser mais exata, estas frases são exemplos inspirados em traduções do inglês em que a forma ao + infinitivo serve de tradução de by + formas terminadas em -ing, que optei por não partilhar na plataforma por razões de confidencialidade. No entanto, em inglês seria mais ou menos assim:
1) You can see more info by clicking on this link traduzido como «Pode ver mais informações ao clicar neste link»;
2) You can publish an ad by accessing the home page traduzido como «Publica um anúncio ao aceder à página principal»;
3) Learn more news by reading this article traduzido como «Descobre mais novidades quando leres este artigo».
Partindo dos exemplos em inglês, não me parece que haja uma intenção temporal/causal nas construções introduzidas por by + formas terminadas em -ing. Na verdade, estas construções parecem-me muito próximas daquilo a que anteriormente designávamos como complemento circunstancial de modo:
1) Como é que podes ver mais informações? Clicando no link.
2) Como é que podes publicar um anúncio? Acedendo à página inicial.
3) Como é que descobrir mais novidades? Lendo este artigo.
Convocando outros exemplos, não me parece que na nossa língua se utilize o ao + infinitivo para descrever a forma como certas ações são concluídas e daí a minha estranheza perante estas estruturas.
Parece-me mais natural dizer:
7) «Visitámos vários países viajando de bicicleta» do que *Visitámos vários países ao viajar de bicicleta
8) «Ela informa-se das notícias lendo o jornal» do que *Ela informa-se das notícias ao ler o jornal
9) «Desloco-me ao escritório conduzindo» do que *Desloco-me ao meu escritório ao conduzir.
Ou seja, se a minha intenção é a de explicar de que forma concluo determinada ação, é natural a aplicação desta estrutura?
Obrigada pela ajuda.
Rerruptura ou rerrotura
Existe uma situação na especialidade de cirurgia do ombro que é ocorrer uma "rerruptura" ou "rerrotura" do tendão após seu reparo. Na língua inglesa chama-se retear ou rerupture.
Todavia, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras, não existem as palavras "rerruptura" ou "rerrotura".
Existe a possibilidade dessas palavras serem inseridas no VOLP? Como fazer isso? Até isso se resolver, como devemos denominar essa intercorrência na cirurgia do ombro: “recidiva da ruptura”, "ruptura recorrente”, “nova ruptura”?
