DÚVIDAS

A expressão «doença social»
Na sequência de frases «O racismo é um problema social que afeta a saúde mental e física das pessoas. Ele pode ser considerado uma doença social porque causa exclusão, desigualdade, violência e sofrimento», a expressão «doença social» é sempre interpretada como uma metáfora? Gostaria de entender se, do ponto de vista linguístico, há alguma possibilidade de essa frase ser interpretada literalmente ou se a metáfora é inevitável, mesmo considerando o contexto explicativo sobre os impactos do racismo. Agradeço a ajuda!
Gramáticos em desacordo
 Não há consenso perfeito entre os gramáticos de nosso idioma (e de idioma algum, creio eu). Há, por exemplo, certo debate quando ao plural de certos substantivos compostos. A minha dúvida é a seguinte: como devemos proceder em tais casos? Há matérias em que basta recorrer ao parecer do autor com mais autoridade para saber a posição correta (ou ao menos mais segura), mas me parece dificílimo definir qual dos entendidos mais célebres de nosso idioma (Napoleão Mendes de Almeida, Celso Cunha, Rocha Lima, Cegalla, Manuel Said Ali, Bechara etc.) possui maior autoridade. Basta aderirmos ao julgamento do autor de nossa preferência? Ou pode ocorrer deste ou daquele gramático ter uma posição errada? E caso possa haver equívoco por parte de um autor, como podemos saber quem está correto? Obrigado.
Impacte vs. impacto: ponto da situação
Sempre utilizei o termo impacte ambiental, mas cada vez mais vejo «este impacte» escrito com o. Para mim impacto está associado a choque/colisão e impacte está associado a questões relacionadas com ambiente. Houve alguma alteração? E quando falamos em termos de efeito, qual usar? Será que depende? Devendo usar impacte sempre que esse efeito está relacionado com ambiente? Por exemplo: «...transformar ideias em soluções com impacto social, ambiental, económico, artístico e cultura.» Obrigada.
A locução «para que» numa tradução da Eneida
Por conta da leitura da Eneida de Virgílio, gostaria de saber se há outros significados para a expressão «para que», além do de finalidade (sendo sinônima de «a fim de que»). Eis o trecho: «Filho, minha força, meu grande poder, filho, tu o único que não receias os dardos com que o sumo Pai matou Tifeu, junto de ti busco socorro e suplicante solicito o teu poder. Para que o teu irmão Eneias seja atormentado pelo ódio da acerba Juno, por todos os mares, coisas que tu sabes e muitas vezes te condoeste com o nosso sofrimento.» No contexto da obra, não faz sentido, para mim, pensar que Vênus esteja pedindo para que Cupido, seu filho, faça com que Eneias seja atormentado pelo ódio de Juno. Em tradução de outras línguas, assim se encontra este trecho: «Que tu hermano Eneas anda en el mar sacudido por todas las costas a causa del odio de la acerba Juno, lo sabes muy bien y a menudo de nuestro dolor te doliste.» «It’s known to you how Aeneas, your brother, is driven over the sea, round all the shores, by bitter Juno’s hatred, and you have often grieved with my grief.»
A sintaxe de «abrir alas»
No sentido de abrir caminho, ouvi algumas vezes a expressão «abrir alas». No entanto, não sei se será muito correto. Se o for, rege-se por alguma preposição? Ou seja, na frase: «A temperatura estival parecia abrir alas para a multidão de pessoas que se aglomerou no Palácio de Cristal.» Desconheço se faz ou não sentido, contudo, poderia substituir-se por: «A temperatura estival parecia abrir alas à multidão de pessoas que se aglomerou no Palácio de Cristal.» Uma vez mais, quero reiterar os meus genuínos parabéns a toda a equipa que nos ajuda a aperfeiçoar este tão belo idioma de Camões.
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