DÚVIDAS

O uso nominal de querer
Outro dia, numa conversa casual, certa pessoa disse a seguinte frase: «A Atena (nome de um cão) anda cheia de quereres!» Outra pessoa comentou que a frase estaria errada, e que o certo seria «cheia de querer», no singular. De fato, a expressão conhecida, até onde me lembro, aparece no singular. Achei exagerada essa acusação de erro, primeiro, porque a língua é viva e pode naturalmente se inflexionar; e, segundo, de nenhuma maneira me parece que o sentido da frase foi perdido no plural; e, finamente, é possível justificá-lo, acredito, argumentando que a pessoa que usou a expressão tratou a palavra querer como um substantivo. Consigo imaginar perfeitamente uma situação em que quereres sejam contáveis: 1 querer, 2 quereres, 3... Bom, estou longe ser um entendido da língua e gostaria de saber como se pode elucidar essa questão. «Cheia de quereres» a mim é totalmente inteligível, mas o que podem me dizer os estudiosos? Como a gramática funciona neste caso? Desde já agradecido abraço
A sintaxe do nome entrevista
Começando por agradecer o ótimo e muito útil trabalho do Ciberdúvidas, que consulto muitas vezes, peço que me esclareçam, por favor, sobre a forma correta de referenciar uma entrevista. Imaginando que o jornalista Santos entrevistou o ministro Silva, devemos referir a situação como: – Entrevista do ministro Silva ao jornalista Santos ou – Entrevista do jornalista Santos ao ministro Silva? Muito obrigada.
«Com que» causal
Estudando os valores semânticos da preposição com no livro Sintaxe Clássica Portuguesa de Cláudio Brandão de Sousa, eis que me deparo com um trecho de um texto de Camões. Daí o que queria, de fato, era ajuda na verdadeira análise da expressão «com que». Sei que com estabelece causa no contexto. Agora quanto a esse que, seria pronome relativo ou toda a expressão estaria fazendo as vezes de uma conjunção causal? «correm rios de sangue desparzido, com que também do campo a cor se perde.» (Os Lusíadas, III, 52)
A construção «estar de» + nome (vestuário)
Eu fui criticado por uma expressão que julgo estar certa e, na realidade, as pessoas que me rodeiam também a dizem. Acontece que há pessoas que dizem que é errado, na internet. Trata-se da expressão «estar de». Bem sei que é usada para no referirmos a um estado provisório, não habitual, como «estou de baixa», «estou de férias» ou «estou de trombas», certo? Acontece que a mesma expressão, no meio em que estou inserido, ou seja em Lisboa, e pensando eu que seria no país todo, o que até pode ser que seja o caso, também se usa a expressão «estar de» em relação ao vestuário. Por exemplo: «Eu hoje estou de ténis»; «ele está de calções e de T-shirt». Penso que já perceberam a ideia? Conhecem esta expressão também? Ela é estranha? Existe alguma agramaticalidade contida na mesma? Obrigado.
Estilo e interferência do inglês
A pedido de um colega, estou revendo um texto da área médica que contém repetidas vezes frases como esta: «Setenta por cento dos pacientes foram definidos como apresentando um baixo grau de sangramento.» A mim, soa muito mal o gerúndio após «definidos como», mas não sei justificar por quê. O que há de errado? Uma sintaxe calcada no inglês? Ou seria uma construção aceitável? Grata pela atenção.
Posição do possessivo: «criação minha» x «minha criação»
1) Isto aqui é criação minha. 2) Isto aqui é minha criação. Quero saber se, no entendimento de vocês, faz diferença o lugar em que se coloca o possessivo meu. E, se puderem, justifiquem, por favor. Creio que, no primeiro caso, haja a indicação de que seja (apenas) uma criação e bem possível de ter outra(s) criação(ões). E que, no segundo caso, haja bem maior chance de ser só uma (aquela) criação na totalidade. Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
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