DÚVIDAS

O uso nominal de querer
Outro dia, numa conversa casual, certa pessoa disse a seguinte frase: «A Atena (nome de um cão) anda cheia de quereres!» Outra pessoa comentou que a frase estaria errada, e que o certo seria «cheia de querer», no singular. De fato, a expressão conhecida, até onde me lembro, aparece no singular. Achei exagerada essa acusação de erro, primeiro, porque a língua é viva e pode naturalmente se inflexionar; e, segundo, de nenhuma maneira me parece que o sentido da frase foi perdido no plural; e, finamente, é possível justificá-lo, acredito, argumentando que a pessoa que usou a expressão tratou a palavra querer como um substantivo. Consigo imaginar perfeitamente uma situação em que quereres sejam contáveis: 1 querer, 2 quereres, 3... Bom, estou longe ser um entendido da língua e gostaria de saber como se pode elucidar essa questão. «Cheia de quereres» a mim é totalmente inteligível, mas o que podem me dizer os estudiosos? Como a gramática funciona neste caso? Desde já agradecido abraço
Quantificadores e pronomes indefinidos
Por que razão nas frases: (1) «Qualquer sobremesa é uma boa escolha. São todas ótimas.» (2) «Vi bastantes filmes neste fim de semana, mas poucos me cativaram.» (3) «A minha avó ofereceu-me dois vestidos e eu gostei muito de ambos.» as palavras qualquer, todas, bastantes, poucos, ambos são quantificadores universais (qualquer, todas e ambos) e existenciais (bastantes, poucos), quando os vocábulos todas, poucos e ambos não antecedem um nome de forma explícita? E, neste caso, como se classificam quanto à classe e subclasse? Obrigada pela atenção.
Preposições com que e se
Tenho uma dúvida sobre o uso da preposição em frases como: «Em uma conversa, esteja atento a se o seu interlocutor lhe entende.» «O professor estava atento a que ninguém colasse na prova.» «Ela mostrou-se grata a que a ajudassem naquele momento difícil.» Esse uso da preposição antes de que ou se é realmente natural no português, ou soa artificial? Pergunto porque, ao ensinar esse ponto aos alunos, a construção lhes pareceu estranha ao ouvido. Gostaria também de saber se há outros exemplos com outras preposições (como para, em, com) usadas antes de orações introduzidas por que ou se, para compreender melhor a extensão desse uso. Poderiam esclarecer a correção dessas construções e indicar bibliografia onde essa questão esteja tratada, de preferência com páginas específicas? Muito obrigado.
A expressão «cair em cima»
Como costumo fazer traduções, questiono-me geralmente sobre o núcleo de significado de várias expressões na minha língua. A última que me veio à cabeça foi «cair em cima de», que, segundo julgo, significa «censurar castigando a entidade em causa». Porém, tenho as minhas dúvidas. É este mesmo o significado da expressão em apreço? E, se assim for, significa, então, que «cair em cima de» encerra sempre uma conotação negativa, cáustica e pejorativa? Obrigado pela atenção.
O verbo significar seguido de oração subordinada
Quanto mais estudo sobre modos verbais, mais tenho dúvidas sobre questões que parecem simples, especialmente o subjuntivo. 1) «Estudei física, mas isso significa que eu conheço todas as fórmulas?» 2) «Estudei física, mas isso significa que eu conheça todas as fórmulas?» Qual frase está correta? A 1 soa mais certa quando a digo em voz alta, porém, como a frase expressa dúvida, a 2 parece estar sintaticamente correta. Grato pela ajuda.
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