DÚVIDAS

A dúvida em etimologia
Tenho particular interesse como consulente do léxico do português brasileiro em saber as origens das palavras. Na edição eletrônica do Dicionário Houaiss (2025), observo diversas expressões empregadas para caracterizar a etimologia incerta de determinados vocábulos, tais como: a) orig. contrv. (origem controversa) (ex.: balaio); b) orig. desc. (origem desconhecida) (ex.: chasqueiro); c) orig. duv. (origem duvidosa) (ex.: catano); d) orig. obsc. (origem obscura) (ex.: léria); e) orig. inc. (origem incerta) (ex.: chapa). Diante desses critérios lexicográficos estabelecidos pelo Dicionário de Houaiss, em que medida eles se mostram irrefutáveis para a classificação de palavras cuja etimologia permanece imprecisa ou indefinida? Quais são os principais desafios e abordagens metodológicas para atribuir essas categorias, considerando a evolução das línguas e as fontes históricas disponíveis?
A interjeição como classe de palavras e como recurso expressivo
Sou professora de português do 2.º ciclo e precisava da vossa ajuda na seguinte situação: no passado ano letivo (5.º ano) começou a aparecer nos manuais escolares a interjeição como classe de palavras e como recurso expressivo. Parece-me estranho porque no mesmo livro acabamos por ter um termo – interjeição – associado a dois conteúdos diferentes. Esta situação causa alguma confusão na cabeça dos alunos. Gostaria de saber se, do ponto de vista científico, é correto existir esta situação. Muito obrigada.
A construção «estar de» + nome (vestuário)
Eu fui criticado por uma expressão que julgo estar certa e, na realidade, as pessoas que me rodeiam também a dizem. Acontece que há pessoas que dizem que é errado, na internet. Trata-se da expressão «estar de». Bem sei que é usada para no referirmos a um estado provisório, não habitual, como «estou de baixa», «estou de férias» ou «estou de trombas», certo? Acontece que a mesma expressão, no meio em que estou inserido, ou seja em Lisboa, e pensando eu que seria no país todo, o que até pode ser que seja o caso, também se usa a expressão «estar de» em relação ao vestuário. Por exemplo: «Eu hoje estou de ténis»; «ele está de calções e de T-shirt». Penso que já perceberam a ideia? Conhecem esta expressão também? Ela é estranha? Existe alguma agramaticalidade contida na mesma? Obrigado.
O valor aspetual de tentar no mais-que-perfeito do indicativo
Caros peritos da língua, Considerem a frase: «Putin descreveu o leste da Ucrânia como "território histórico" da Rússia e voltou a insistir que a Rússia tinha tentado negociar um acordo pacífico antes de enviar tropas, mas "foi enganada".» Como compreender o valor aspetual da construção "tinha tentado negociar"? É télico ou atélico? Isto parece-me ser aberto à interpretação de cada um da frase. Estamos a falar de uma ação/tentativa de fazer um acordo? Ou talvez de uma série de tentativas contínuas que se prolongaram por um longo período de tempo? Não tenho certeza, mas talvez o verbo tentar seja por si só um operador aspetual na frase, cujo valor não consigo determinar. Agradeceria um comentário de um especialista.
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