DÚVIDAS

Sujeito nulo subentendido e anáfora
Gostaria que me esclarecessem relativamente à classificação do sujeito da seguinte frase: «Está a acontecer um pouco por todo o lado, mas sobretudo em livros.» A minha primeira resposta foi sujeito nulo indeterminado («algo está a acontecer»), mas surgiu depois a dúvida relativamente à possibilidade de poder tratar-se de um sujeito nulo subentendido. A frase pertence ao texto cujo link disponibilizo [aqui]. Antecipadamente grata.
O sujeito da frase «descobrir o verdadeiro assassino era uma tarefa para Sherlock»
Na frase: «Descobrir o verdadeiro assassino era uma tarefa para Sherlock.» O termo «descobrir o verdadeiro assassino» é oração subordinada substantiva subjetiva ou oração subordinada substantiva predicativa? Como diferenciar subjetiva de predicativa quando uma oração reduzida de infinitivo vem seguida de verbo ser mais artigo e um termo substantivado?  
Abertura (11/04/1997)
Gulbenkian e Mia Couto Registamos com agrado o facto de a Fundação Calouste Gulbenkian nos ter anunciado a decisão de cobrir parte dos custos da instalação de Ciberdúvidas. É, assim, a primeira fundação cultural a patrocinar este projecto sobre a Língua Portuguesa. "Língua que aceita brincadeiras", como há semanas escreveu, num convite implícito, na Antologia, o romancista angolano Pepetela. O escritor moçambicano Mia Couto acaba de aceitar o convite com "Perguntas à Língua Portuguesa", um texto redigido propositadamente para Ciberdúvidas, em que o autor se recreia com tonalidades e sentidos do idioma comum, em mutação permanente. Sinais desta mudança são registados em Controvérsias, num artigo do jornalista angolano Rui Ramos: "Luandês, a nova língua da lusofonia". Dentro de algum tempo, após a reestruturação que vamos realizar em Ciberdúvidas, contamos incluir numa nova rubrica - Diversidades - textos como o de Rui Ramos, porque, antes de polémicos, eles são acima de tudo recolhas necessárias das diferenças que fazem do português uma língua viva.
Pronome se com gerúndio: «Viajando-se»
Revisando o marketing da minha empresa, me deparei com o seguinte trecho: «O hiperespaço criado por Star Wars é uma dimensão alternativa que só pode ser alcançada viajando na velocidade da luz.» Eu corrigi para «... é uma dimensão que só pode ser alcançada viajando-se à velocidade da luz», mas fiquei com um peso na consciência, como se eu houvesse cometido um erro. Apresento outras circunstâncias que também me deixaram com dúvida: 2 – «O sucessor de um número natural é obtido somando (ou somando-se?) uma unidade a ele. Supondo (Supondo-se) que esse número natural é x, a soma entre seus 10 sucessores é:» 3 – «Representando (ou Representando-se) a situação na forma de diagrama, retira-se a interseção de cada conjunto e conclui-se que há 30 pessoas gostando apenas de pizza doce.» 4 – «Testando (ou Testando-se?) qualquer número inteiro no lugar de n, por exemplo 1, conclui-se que A é o conjunto dos números pares e B dos ímpares.» 5 – «Sabendo (ou Sabendo-se) as dimensões do cercado, basta obter o perímetro (2p) do retângulo de dimensões 20×25.» Devo dizer que coloquei a partícula se em todas. Cometi algum erro? Desde já agradeço.
«Enquanto não» com presente do conjuntivo num verso de Torga
Sou um amante de poesia e, a nível nacional, tenho uma grande estima pela arte de Miguel Torga (1907-1995). Defendo que o poema "Sísifo" detém uma profundidade rara e propõe uma conexão imediata às palavras utilizadas. Um poema simples e genial. No entanto, há uma passagem sobre a qual tenho uma dúvida gramatical: «Recomeça.... Se puderesSem angústiaE sem pressa.E os passos que deres,Nesse caminho duroDo futuroDá-os em liberdade.Enquanto não alcancesNão descanses.De nenhum fruto queiras só metade. E, nunca saciado,Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.Sempre a sonhar e vendoO logro da aventura.És homem, não te esqueças!Só é tua a loucuraOnde, com lucidez, te reconheças...» Os versos «Enquanto não alcances / não descanses» são obviamente inteligíveis, mas a utilização de alcances deixa-me sempre na dúvida sobre se não seria mais correto alcançares. Está correto? Ou demonstra a utilização de licença poética para que os versos rimem emparelhadamente? Obrigado desde já.
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