DÚVIDAS

Convescote, outra vez
Sobre diz Peixoto da Fonseca (22/02/00) que "existe realmente o termo convescote, mas ninguém o usa. Encontra-se documentado no Vocabulário da Língua Portuguesa do prof. F. Rebelo Gonçalves, mas desconheço onde ele o desencantou (nem lá diz o que significa)." Remeto o senhor Peixoto para pelo menos três dicionários (o Aurélio, o Michaellis e o Grande do Cândido de Figeiredo), que não só registam o termo como também o abonam, e lhe explicarão onde Rebelo Gonçalves o foi desencantar.
A origem de Fão (Esposende, Braga)
Gostaria de saber a respeito da etimologia exata da vila lusitana Fão, no município de Esposende. Pelo que venho pesquisando, sua origem está no termo latino fanum, isto é, fano, pequeno templo ou altar. Tal etimologia configura-se como verídica? Seria Fão a forma herdada (atestada somente como nome de lugar) do termo, e fano a emprestada do latim? Em inglês parece haver um caso similar com o antigo termo anglo-saxão hearg de mesmo valor semântico, ainda que mais relacionado ao velho credo pagão. Em inglês moderno virou somente o topônimo Harrow, encontrado em Inglaterra, ou seja não mais existindo como um mero substantivo para altar.
O género do anglicismo shop
Tenho uma dúvida perante o determinante/artigo da palavra shop. A palavra em inglês é do género masculino[*], o que me levaria a usar o determinante o com a mesma, ou seja, «no shop, num shop, o shop, etc.. Todavia, ouvi falar que a palavra shop em Portugal é sempre acompanhada do determinante a – «na shop, numa shop, a shop, etc. Acho que neste caso o determinante a está relacionado com a tradução da palavra shop para loja, mas não funciona assim em outros idiomas. Será que alguém me conseguiria comprovar qual o género correto da palavra shop em Portugal? Agradeço desde já!   [* É estranho dizer-se que o nome shop tem o género masculino em inglês, porque nesta língua não há marcação morfológica de género, nem mesmo nos determinantes associados aos nomes. As sequências «the shop» e «a shop» não exibem, portanto, marcas que levem a atribuir-lhes o género masculino; na verdade, se, numa frase, forem retomadas por um pronome, este será o pronome it, que é neutro: «There was one chip shop and it was packed with diners» («Havia uma loja de batatas fritas e estava cheia de clientes»).]
A expressão «em moco»
Em Trás-os-Montes, pelo menos no concelho de Vinhais, utiliza-se o termo "moco" (com o fechado) na expressão «em môco» que designa um pássaro recém-nascido, ainda sem penas e apenas com uma ténue penugem. Não encontro essa expressão nem o termo "moco" em dicionários de regionalismos, nomeadamente: – Mirandelês / Jorge Golias, Jorge Lage, João Rocha, Hélder Rodrigues. – Mirandela : Câmara Municipal de Mirandela, 2010. ISBN 978-972-9021-12-1; - – Dicionário dos Falares de Trás-os-Montes / Vítor Fernando Barros. – Porto: Campo das Letras, 2002. ISBN 972-610-580-3 Colocada a questão numa ferramenta de inteligência artificial, obtive a informação genérica seguinte: «O termo “moco” parece derivar do latim mucus, possivelmente relacionado ao estado frágil e vulnerável dos filhotes de pássaros, que ainda estão sem penas e cobertos apenas por uma leve penugem.» Gostaria de, se possível, obter a informação sobre a existência registada do termo ou expressão, qual a sua origem etimológica e qual o seu uso e emprego em Portugal, em resposta fundamentada por um dos vossos habilitados autores. Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa