DÚVIDAS

Metáfora e hipérbole em versos de Almeida Garrett
No poema "Seus Olhos", de Almeida Garrett, nos versos 4 e 5, «Não tinham luz de brilhar,/ Era chama de queimar», podemos aceitar a presença de três recursos expressivos, a metáfora, a hipérbole e a antítese? Passo a explicar o meu ponto de vista. – Metáfora e hipérbole (o poeta pretende realçar o poder que os olhos da mulher têm sobre ele e os sentimentos intensos que ela provoca, ao ponto de o fazer sofrer). – Antítese (mostra que o amor que o sujeito poético sente é paradoxal, isto é, intenso, mas, ao mesmo tempo, destruidor). Agradeço, desde já, a atenção e um possível esclarecimento.
A pronúncia de saem e caem
Reparei que, nalgumas formas verbais que acabam por vogal + em, há a interposição de um /j/ entre vogal e em: saem → /'sa.ɐ̃j̃/ → /'saj.ɐ̃j̃/ põem → /'põ.ɐ̃j̃/ → /'põj̃.ɐ̃j̃/ Sobre essa regra, tenho duas dúvidas: 1) É por causa do mesmo fenómeno que as formas verbais têm e vêm se pronunciam /'tɐ̃j̃.ɐ̃j̃/ e /'vɐ̃j̃.ɐ̃j̃/, em vez que /'tɛ.ɐ̃j̃/ e /'vɛ.ɐ̃j̃/? 2) Essa regra pode aplicar-se também a outros encontros vocálicos? Por exemplo, alguns falantes pronunciam a frase «é ela» como /ɛj 'ɛ.lɐ/, outros como /ɛ 'ɛ.lɐ/. Ambas as pronúncias estão corretas, ou uma é mais adequada do que a outra? Obrigado
«Meter o Rossio pela Betesga» numa obra de A. Garrett
Pretendia saber o sentido da expressão inserida na obra Falar Verdade a Mentir de Almeida Garrett: «José Félix – Ora adeus! O senhor seu pai com efeito... ele ainda é parente, bem se vê, há-de ter sua costela espanhola... O seu projecto é outra espanholada também... Querer impedir que um rapaz do tom, da moda pregue a sua peta!... isso é mais do que formar castelos em Espanha, é querer meter o Rossio pela Betesga.» Gostaria muito que a professora Lúcia Vaz Pedro explicasse o que significa a expressão.
A origem de Fão (Esposende, Braga)
Gostaria de saber a respeito da etimologia exata da vila lusitana Fão, no município de Esposende. Pelo que venho pesquisando, sua origem está no termo latino fanum, isto é, fano, pequeno templo ou altar. Tal etimologia configura-se como verídica? Seria Fão a forma herdada (atestada somente como nome de lugar) do termo, e fano a emprestada do latim? Em inglês parece haver um caso similar com o antigo termo anglo-saxão hearg de mesmo valor semântico, ainda que mais relacionado ao velho credo pagão. Em inglês moderno virou somente o topônimo Harrow, encontrado em Inglaterra, ou seja não mais existindo como um mero substantivo para altar.
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