DÚVIDAS

O verbo relevar e a forma “irrelevar”
O verbo «relevar» tem, dentre outras, as seguintes acepções, de acordo com o Houaiss: 1 – dar relevo a; tornar saliente; fazer sobressair; 2 – dar alívio a; atenuar, consolar. Insta assinalar que todos os demais léxicos contêm os sentidos em referência. Depreende-se que as acepções são antitéticas, e, dependendo da frase em que o verbo estiver inserido, decerto causará perplexidade em leitores, interlocutores etc., dificultando-lhes a escorreita, ou, na melhor das hipóteses, imediata intelecção. A título de exemplo, na frase «você deveria relevar as atitudes impensadas de fulano», o sentido tanto pode ser de «dar importância» como o de «não dar importância». Por outro lado, o adjetivo «relevante» significa «importante», não encerrando a antítese apontada, sendo seu antônimo o verbete «irrelevante». Indago: malgrado os dicionários não registrem o verbo "irrelevar" (da mesma forma que não listam todos os antônimos formados a partir da mera adição de prefixos de negação, por motivos óbvios), seu uso no lugar de «relevar» (no sentido de «aliviar») não conferiria mais precisão ao sentido que se pretende imprimir a frases escritas ou faladas? Grato pela atenção dispensada!
O estilo Saramago
Olá! O meu nome é Inês, sou do Cacém e sou estudante do 12.º ano do curso científico-natural. A minha questão é sobre o estilo saramaguiano. Tenho de realizar um texto segundo o estilo saramaguiano e quando o meu professor nos propôs esta tarefa o meu primeiro problema foi precisamente definir o estilo saramaguiano. Gostava que pudessem "iluminar-me" um pouco sobre este assunto. Obrigada pela vossa atenção.
O hífen nos compostos (espécies botânicas e zoológicas)
Por imposição do terceiro artigo da Base XV do Acordo Ortográfico de 1990, emprega-se o hífen «nas palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento: abóbora-menina, couve-flor, erva-doce, feijão-verde; bênção-de-deus, erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, fava-de-santo-inácio, bem-me-quer». Esta nova regra contradiz aquela que foi a prática dos naturalistas portugueses desde o Iluminismo até ao terceiro quartel do século XX: usar o hífen apenas em nomes vernáculos compostos por justaposição de substantivos ou por locuções verbais. Por exemplo, enquanto um incontornável botânico como AX Pereira Coutinho escrevia sem hífen, no seu Esbôço de uma flora lenhosa portuguesa (1936) nomes como castanheiro da Índia, pinheiro silvestre, e hifenizava somente nomes como alegra-campo, já o presente AO recusa tal variação. Qual o motivo de tal escolha, tão em contraste com as tradições ortográficas do nosso idioma, e mesmo em contrapelo com as práticas científicas nas línguas castelhana, francesa e italiana?
O tempo e o modo do verbo depois de talvez
Numa conversa informal com um amigo, que me fez a pergunta «Vamos à praia esta tarde?», surgiu-me a seguinte dúvida na simples resposta com o advérbio talvez: estará correto responder «Talvez vamos», mas também estará correto responder «talvez iremos»? No «talvez vamos», o verbo ir está no presente do conjuntivo (como o tempo normalmente usual a seguir ao advérbio talvez), poderei também empregar o futuro a seguir ao advérbio talvez? Antecipadamente grata por um esclarecimento.
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