DÚVIDAS

Convescote, outra vez
Sobre diz Peixoto da Fonseca (22/02/00) que "existe realmente o termo convescote, mas ninguém o usa. Encontra-se documentado no Vocabulário da Língua Portuguesa do prof. F. Rebelo Gonçalves, mas desconheço onde ele o desencantou (nem lá diz o que significa)." Remeto o senhor Peixoto para pelo menos três dicionários (o Aurélio, o Michaellis e o Grande do Cândido de Figeiredo), que não só registam o termo como também o abonam, e lhe explicarão onde Rebelo Gonçalves o foi desencantar.
A pronúncia do e átono em Portugal
Gostaria de saber como é que a pronúncia do "e" átono, que era pronunciado como "i", passou a ser pronunciado como /ɨ/. Também gostaria de saber se esse é um fenómeno que ocorre com todos os is átonos, e não somente os que derivam dum "e" átono. Em galego-português, ou até mesmo no período pré-clássico, o "e" átono era registrado, na escrita, como um "i", devido a harmonização vocálica, processo que ainda acontece no Brasil, como é possível observar em palavras como "pepino" antes também escrita como "pipino", e até mesmo quando eram nasais, como em "mentir" (mintir), "mentira" (mintira), "ensinar" (insinar), que aparecem escritas assim até em Os Lusíadas. Sempre me pergunto como é que uma mudança tão grande como essa foi "desfeita", e o "e" que tinha passado para um "i" é agora um "ɨ", e no caso das nasais, voltou a ser pronunciado como "e".
A regência de importar-se
Pelo que tenho visto, a regência do verbo importar-se é diferente no português do Brasil e no português de Portugal. Em Portugal, o verbo deve ser sucedido da preposição de antes de indicar o verbo que o complementa, certo? Exemplo: «Ele não se importa de ir à estação de comboios.» Mas e quando não há sucessão de verbo? Por exemplo: «ele não se importa da menina». Não seria correto trocar o de pelo «com a»? Ex.: «ele não se importa com a menina».
«Foi-se embora» vs. «foi embora» em Portugal
Queria pedir, por favor, uma resposta mais detalhada sobre a preferência por «ir-se embora» em detrimento de «ir embora». Há contextos em que o se me parece necessário, outros em que me soa desnecessário, mas não tenho uma justificação científica para tal. Por exemplo: na frase «Depois ele foi embora», parece-me faltar o se. Falta? Porquê? Muito obrigado.
«Nenhum dos vossos ataques serve de alguma coisa»
Tendo por base a frase «Nenhum dos vossos ataques serve de alguma coisa», é possível afirmar que esta última está correta? De facto, a mim, não me parece, pois penso que não pode haver concordância possível entre "nenhum" e "alguma", neste caso. Deste modo, como se pode reformular a frase, com vista a que ela transmita a ideia de que nenhum dos ataques empreendidos surte qualquer tipo de efeito? «Os vossos ataques de nada servem» será uma possível reformulação? Cordialmente.
A palavra hotomote num samba de Clementina de Jesus
É muito comum encontrarmos palavras estranhas nas músicas, especialmente influenciadas pelo regionalismo, mas também por explicações simples e muitas vezes cômicas. Gostaria de conhecer a explicação para a palavra "hotomote" na música A tua sina de Clementina de Jesus (1901-1987): «Lá no morro de São Carlos"existe" dois hotomotesde perto conhece os fracosde longe conhece os fortes.» Obrigado.
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