DÚVIDAS

«Quem vier trabalhar», de novo
Sou assíduo freqüentador do Ciberdúvidas e navego muito na variedade de temas focados nas Respostas Anteriores. Foi assim que encontrei registrado em junho deste ano a questão Quem vier trabalhar colocada pela consulente brasileira Kenia Bessa. O curioso veio por conta da resposta, assinada por Rui Gouveia. Lá, para exemplificar o uso do futuro de subjuntivo ou conjuntivo, como vocês chamam, do verbo "ver" o Rui Gouveia colocou a seguinte frase: «Quem 'vir' bem não precisa ir ao oculista.» Parece-me que no caso cabe o modo infinitivo "ver" ou, melhor ainda, a terceira do singular do presente do indicativo "vê".
A grafia do nome próprio Amaia (antiga cidade lusitana)
Recentemente tomei conhecimento que no Alentejo existem as ruínas de Ammaia, monumento nacional desde 1949. Não me lembro de alguma palavra em português com dois mm. Tendo em conta que as ruínas fazem parte do território nacional, pergunto porque nunca terá sido feito o aportuguesamento deste nome? Especialmente tendo em conta que tantos outros lugares estrangeiros tiveram os nomes aportuguesados. Terá sido porque a identificação arqueológica terá sido relativamente recente (1935)? Obrigado!
Viaja pelo Brasil afora
Parece-me que a resposta dada por F. V. P. da Fonseca ao advogado Paulo Bastos, de Cambará, Brasil, foi parcial ou incompleta. Pois, segundo o Aurélio, "afora" também significa "por toda a extensão (tempo e espaço) ao longo". A propósito, o mesmo dicionário dá, como exemplo, o seguinte trecho: "Desde os tempos do colégio, nosso grupo foi um grupo de pessoas decentes... Pela vida afora, continuamos a ser pessoas decentes." (Herbert Sales, Armado Cavaleiro, o Audaz Motoqueiro, p. 144). O Aurélio ainda cita outro exemplo.
Não + pronome o: «Não no pode estorvar» (Camões)
Algumas ocorrências que encontrei de pronomes oblíquos átonos arcaicos: «Que estais no céu, santificado... Não no disse eu, menina? Seja o vosso nome…» (Almeida Garrett) «Ele ou é trova, ou latim muito enrevezado, que eu não no entendo.» (Almeida Garrett) «Via estar todo o Céu determinado / De fazer de Lisboa nova Roma; / Não no pode estorvar, que destinado / Está doutro Poder que tudo doma.» (Camões) «O favor com que mais se acende o engenho / Não no dá a pátria, não, que está metida…» (Camões) «Ora sabei, padre Fr. João, que eu bem no supunha, bem no esperava; mas parecia-me impossível, sempre me parecia impossível que viesse a acontecer.» (Eça de Queirós) «A culpa de se malograrem estes sublimes intentos quem na tem é a sociedade…» (Camilo Castelo Branco) «Parentes, amigos, nem visitas nenhumas parecia não nas ter.» (Almeida Garrett) Há alguma explicação para o uso da consoante n antes dos oblíquos átonos? Muito obrigado!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa