DÚVIDAS

Vírgulas e advérbio entre verbo e complemento
Li a seguinte citação, apud Celso Luft: «[...] não se deve pôr entre vírgulas o advérbio situado entre o verbo e o complemento. Hoje isso é prática comum, mas indefensável, no jornalismo e no estilo oficial. Escreve-se, por exemplo: ‘chegou, ontem, de São Paulo’ ‘não recuperou, ainda, os sentidos’ ‘comprou, agora, duas casas’; ‘demitiu-se, também, do Ministério’. Não há pausa em tais sequências: portanto, não se justifica a vírgula. Só num caso, excepcional, de ênfase ou de cabível relevo (Gladstone Chaves de Melo, Gramática fundamental da língua portuguesa, 3. ed., Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico, 1978, p. 248).» Se possível, gostaria de saber mais informações sobre essa regra. Costumo utilizar esse tipo de vírgula para isolar o advérbio, então fiquei receoso de estar cometendo um equívoco. Contudo, não encontrei outros materiais tratando (,) especificamente(,) do tema. Muito obrigado!
Uma oração gerundiva: «pinturas representando flores...»
Primeiramente quero agradecer à equipe Ciberdúvidas o belo trabalho de nos ajudar a nós, consulentes, a aprender mais sobre o nosso idioma. Ao ser questionado a respeito da possibilidade da construção de gerúndio acompanhando com, o consultor legitimou tal construção e deu um exemplo: «Todas as umbreiras e cimos de janelas e portas, feitos d'entrançados de canastra, uma das engenhosas indústrias campestres da região, hoje perdida; móveis de pinho, sem tinta nem verniz, respeitando as formas tradicionais do escabelo e do tamborete de tripeça, com pinturas representando flores e animais, no pinho cru: à altura da cimalha, prateleiras com faianças portuguesas de Darque, Coimbra, Caldas e Lisboa [...] (Corpus do Português)» ("Oração de gerúndio introduzida por com", Ciberdúvidas da Língua Portuguesa). Mas, se não for muito incômodo, eu gostaria de saber: Quais são as funções sintáticas de orações com com seguida de gerúndio, como no exemplo que o consultor deu? O que é «oração gerundiva sublinhada»? Mais outra vez: obrigado!
Dado + conjuntivo
Tenho percebido em textos mais antigos que se fazia uso do particípio dado (independente da partícula que) para estabelecer uma relação de condicional, ou seja, encabeçando uma oração subordinada condicional como, por exemplo , no período abaixo (cujo documento esté em " Uma notícia sobre a famosa revolta do 'Quebra Panelas' em Fordlândia – 1930", Blog do Padre Sidney Canto, 01/08/2017): «(...) que podiam, dado houvesse justo motivo, se rebelar sem usar do meio extremo de depredar(...) Assim, gostaria de um parecer dos meus amigos especialistas. É lícita tal construção? Há abono de escritores consagrados?
A construção «entende-se por»
Escrevo para tirar uma dúvida sobre a forma mais apropriada de interpretar a expressão «entende-se por» em períodos como este: «Entende-se por poder de polícia a atividade que regula uma prática.» Nesse tipo de período, a partícula se está marcando um caso de voz passiva ou de sujeito indeterminado? A presença da preposição por parece apontar para sujeito indeterminado, mas o verbo entender pode ser transitivo direto e indireto e há um sintagma não iniciado por preposição («a atividade que...») que poderia fazer o papel de sujeito da passiva, ainda que não venha logo após a partícula. Por outro lado, montar essa frase com o possível sujeito na posição que habitualmente ocupa em passivas sintéticas me parece pouco natural («Entende-se a atividade que regula uma prática por poder de polícia»), fora a questão de que, nas construções passivas, a preposição por costuma introduzir agente da passiva, mas esse não é o caso em períodos que usam «entende-se por». Essa dúvida surgiu no trabalho, quando estávamos discutindo se o verbo entender deveria ir para a terceira do plural em um caso como este: «Entendem-se por poder de polícia as atividades que regulam uma prática.» Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa