DÚVIDAS

«Teve-a breve e misteriosa»
Na frase «Teve vida breve e misteriosa o maior artista de sempre da Roma barroca», qual a função sintática de «breve e misteriosa»? O constituinte responde ao teste «Teve-a breve e misteriosa», parecendo um predicativo do complemento direto. Será esta a análise correta? Ou a análise que considera «vida breve e misteriosa» como complemento direto e «breve e misteriosa» como modificador do nome restritivo é que está correta? Muito obrigada pela vossa ajuda.
Expressão adjetival intercalada numa oração relativa
Gostava de uma explicação acerca da utilização da palavra que. Surgiu o problema ao deparar-me com a letra de uma música sacra e pareceu-me que algo não está bem. Perguntei a outros colegas e eles dizem-me que gramaticalmente está correcto. A frase em questão é: «Fortalecei-nos com a protecção que, maternal do vosso coração, nas incertezas sempre nos conduz.» Pessoalmente faria uma alteração da palavra que para depois do conteúdo entre as duas virgulas. Ficaria assim: «Fortalecei-nos com a protecção, maternal do vosso coração, que nas incertezas sempre nos conduz.» No entanto gostava de saber "quid est veritas?" (o que é a verdade?), porque embora me pareça auditivamente mais "lógico", poderá não o ser. Grato pela atenção
A oração subordinada na frase «não há nenhum [animal]
tão grande que se fie do homem» (Padre António Vieira)
Gostaria de saber qual a classificação certa para a oração subordinada seguinte: «Não há nenhum [animal] tão grande que se fie do homem.» (Padre António Vieira) Não pode a oração ser restritiva? O meu raciocínio é este: os animais grandes não se fiam do homem; os animais que são grandes não se fiam do homem; embora haja animais grandes, estes não se fiam do homem. O «que» não retoma o «animal grande»? O não se fiar é uma consequência da sua grandeza? A grandeza é uma característica/causa que, apesar de existir, impossibilita, tem como consequência o não se fiarem? Muito obrigada.
A regência do adjetivo faminto
Gostaria de saber se é correcto usar o adjectivo faminto seguido da preposição «de» quando o usamos num sentido figurado.Exemplo: «As crianças, a morrerem de fome, famintas das ideias que já havia aqui e ali, gritaram: "Independência!"» Uma vez que faminto pode significar, em sentido figurado, «muito desejoso» ou «ávido», não sei qual a regra admitida, se a preposição é de ou por ou se não é admitida preposição. Muito obrigado.   [N. E. – O consulente escreve correcto e adjetivo, mantendo a antiga ortografia. As formas da norma em vigor são correto e adjetivo.]
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