DÚVIDAS

Grau de doutora, mais uma vez
Sou funcionária numa instituição universitária e, como soube que, de acordo com o Ciberdúvidas, o correcto para as mulheres não é o grau de doutor, mas o de doutora, comuniquei isso a um colega que não tinha a certeza como se dizia em relação a uma doutorada. O resultado não foi o melhor, porquanto um membro do Conselho Directivo, cuja formação não é linguística, mas que telefonou a um professor da especialidade, disse que grau de doutora não passava de um disparate, porque grau é masculino. O meu colega ainda argumentou que cargo também é masculino e, apesar disso, temos o cargo de ministra, mas foi reiterado o epíteto de disparate (para cargo de ministra) e dada indicação para proceder em conformidade. Assim, escreveu que determinada senhora obteve o grau de doutor. Não sei se o argumento de que doutor concorda com grau foi dado pelo professor de linguística ao membro do Conselho Directivo ou se foi este que o inventou, pois o meu colega não quis falar mais no assunto. Seja como for, o que eu pergunto é se o referido argumento tem razão de ser.
Tempos compostos (português) vs. verbos compostos (inglês)
Existe em português, do ponto de vista gramatical, a designação «verbo composto»? Na língua inglesa, chama-se compound verb ou complex predicate ao verbo que consiste em pelo menos duas palavras ou por uma palavra composta (combinação de dois nomes). Este tipo de verbos divide-se geralmente em quatro grupos: (1) «prepositional verbs» [verbos preposicionados (?)] – verbo + preposição (os dois elementos não são geralmente passíveis de separação); (2) «phrasal verbs» [verbos sintagmáticos (?)] – verbo + partícula (preposição ou advérbio, ou ambos, sendo os dois elementos passíveis de separação); (3) «verbs with auxiliaries» [verbos com auxiliares (ser ou estar)] – ser/estar + verbo; (4) «compound single-word verbs» [verbos constituídos por uma palavra composta (podendo esta estar separada por um hífen) – Ex. «daydream» (fantasiar) ou «sight-read» (ler de improviso). Grato pela atenção.
No máximo, melhor que «no limite»
O Sr. Ministro João Cravinho acaba de anunciar na televisão que 'o Governo porá, por hipótese, no limite, 10 milhões de contos' já não sei onde. Sou eu que já não sei português, ou trata-se de mais uma bacorada (ministerial, certamente), daquelas que se dizem para mostrar que falo tantas línguas, estive tanto tempo no estrangeiro, que até já faço erros de português? E ainda há quem se ria dos que vão de vacanças!
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