Madame Bovary em português
Estava perguntando-me aqui o motivo de não haverem traduzido o título do livro de Gustave Flaubert Madame Bovary para "Dona Bovary". Vamos por partes.
No Brasil podemos referir-nos a uma mulher desconhecida de X maneiras:
1) Senhora – tanto para velhas como novas.
«A senhora irá à festa de Carlos.»
«Que horas são, senhora?»
Pode-se acrescentar o pronome possessivo minha para suavizar o solenidade. Se a mulher for casada ou a sogra, às vezes prefere-se usar dona.
2) Dona – sempre acompanhado do nome.
«A dona Ivete morreu ontem, sabia?»
«Dona Cleide, a senhor pode me fazer um favor?»
3) Madame, senhorita e senhorinha – de maneira mordaz, sarcástica.
«Então quer dizer que a madame não gosta do que faço?»
«Eu aqui trabalhando. E a senhorita aonde? A senhorita só na gandaia.»
«E a senhorita quer tudo de mão beijada? Quer que lhe lave as roupas, que faça o café, o almoço, a janta?»
Parece-me, de acordo com o uso no Brasil, o melhor seria "Dona Bovary".
Eirádiga
Gostaria que me indicassem o significado de "eirádiga".
Muito obrigada.
Estigmatização
O que significa estigmatização?
Marta + Sofia
Qual a origem etimológica e o significado do nome Marta Sofia? Obrigada.
Clero, nobreza e povo como nomes coletivos
Quando falamos nas ordens sociais – clero, nobreza e povo –, poderemos considerá-los nomes comuns (conceitos) ou nomes coletivos?
Se coletivos, povo é um conjunto de quê? A dúvida surgiu-me ao colocar a hipótese de ser tratar de pessoas, já que o clero e a nobreza também são constituídos por pessoas, embora com títulos específicos.
EscolaNet, ainda
Ainda a propósito da pergunta e respectiva resposta sobre a grafia de EscolaNet (a propósito: parabéns a Ciberdúvidas!) a minha dúvida é se não é legítimo o uso do "N" em maiúscula a meio da palavra, por razões meramente gráficas.
Trata-se, afinal, de um título e essa liberdade, convenhamos, não me parece errada.
Sampetersburgo, e não "São Petersburgo"
É lícito criar o topónimo "Burgo de São Pedro" para denominar a cidade russa "Sankt-Peterburg" ?
P.S.: Reconheço haver a forma "São Petersburg".
«Mutuamente eliminatórios»
Ao analisar uma convocatória para apresentação de candidaturas a bolsas, deparei-me com a seguinte observação: «Os candidatos (...) devem preencher os seguintes critérios de elegibilidade: (Note, por favor, que os critérios (b) e (c) são mutuamente eliminatórios.)...». A interpretação que fiz, pelo conteúdo dos critérios, é a de que os candidatos devem respeitar ou o critério B ou o critério C. O que significa concretamente a expressão «mutuamente eliminatórios»?
A evolução do grupo -lt- do latim para o português e para o espanhol
Tenho uma dúvida quanto à evolução do grupo latino -lt- ao português. No dialeto gaúcho (assim como em outros dialetos do português e em galego), existe a forma escuitá em lugar de escutar. Então pensei no exemplo do espanhol onde escuchar corresponde à mesma evolução de mucho. Escuitar me pareceu, então a evolução natural e regular de auscultare, assim como de multus chegamos a muito. No entanto, de altus chegamos a alto tanto em português como em espanhol. Enfim, existe uma evolução natural e regular no português para o grupo -lt-? Há exceções ou sub-regras?
«O que não lhe falta são amigos», de novo
Quero remontar ao ano de 2012, quando foi respondida a dúvida de Daniel Dimas Pelição, em 12 de março.
A questão tratava especificamente de predicativo do sujeito, mas, ao examinar a nota da consultora Eunice Marta, ao final da resposta, ficou-me uma dúvida quanto à concordância verbal e a classificação sintática de sujeito/predicado, quando se inverte a posição dos termos na frase.
Se não, vejamos:
«Amigos é o que não lhe falta» – sujeito: «amigos»; verbo no singular.
«O que não lhe falta são amigos» – sujeito (?): «o que não lhe falta»; verbo no plural.
Pergunto: alterando-se a ordem dos termos, alteram-se-lhes as funções sintáticas, ou seja, o que era sujeito torna-se predicativo, e vice-versa? E assim também a concordância verbal?
Obrigado.
