DÚVIDAS

Madame Bovary em português
Estava perguntando-me aqui o motivo de não haverem traduzido o título do livro de Gustave Flaubert Madame Bovary para "Dona Bovary". Vamos por partes. No Brasil podemos referir-nos a uma mulher desconhecida de X maneiras: 1) Senhora – tanto para velhas como novas. «A senhora irá à festa de Carlos.» «Que horas são, senhora?» Pode-se acrescentar o pronome possessivo minha para suavizar o solenidade. Se a mulher for casada ou a sogra, às vezes prefere-se usar dona. 2) Dona – sempre acompanhado do nome. «A dona Ivete morreu ontem, sabia?» «Dona Cleide, a senhor pode me fazer um favor?» 3) Madame, senhorita e senhorinha – de maneira mordaz, sarcástica. «Então quer dizer que a madame não gosta do que faço?» «Eu aqui trabalhando. E a senhorita aonde? A senhorita só na gandaia.» «E a senhorita quer tudo de mão beijada? Quer que lhe lave as roupas, que faça o café, o almoço, a janta?» Parece-me, de acordo com o uso no Brasil, o melhor seria "Dona Bovary".
«Mutuamente eliminatórios»
Ao analisar uma convocatória para apresentação de candidaturas a bolsas, deparei-me com a seguinte observação: «Os candidatos (...) devem preencher os seguintes critérios de elegibilidade: (Note, por favor, que os critérios (b) e (c) são mutuamente eliminatórios.)...». A interpretação que fiz, pelo conteúdo dos critérios, é a de que os candidatos devem respeitar ou o critério B ou o critério C. O que significa concretamente a expressão «mutuamente eliminatórios»?
A evolução do grupo -lt- do latim para o português e para o espanhol
Tenho uma dúvida quanto à evolução do grupo latino -lt- ao português. No dialeto gaúcho (assim como em outros dialetos do português e em galego), existe a forma escuitá em lugar de escutar. Então pensei no exemplo do espanhol onde escuchar corresponde à mesma evolução de mucho. Escuitar me pareceu, então a evolução natural e regular de auscultare, assim como de multus chegamos a muito. No entanto, de altus chegamos a alto tanto em português como em espanhol. Enfim, existe uma evolução natural e regular no português para o grupo -lt-? Há exceções ou sub-regras?
«O que não lhe falta são amigos», de novo
Quero remontar ao ano de 2012, quando foi respondida a dúvida de Daniel Dimas Pelição, em 12 de março. A questão tratava especificamente de predicativo do sujeito, mas, ao examinar a nota da consultora Eunice Marta, ao final da resposta, ficou-me uma dúvida quanto à concordância verbal e a classificação sintática de sujeito/predicado, quando se inverte a posição dos termos na frase. Se não, vejamos: «Amigos é o que não lhe falta» – sujeito: «amigos»; verbo no singular. «O que não lhe falta são amigos» – sujeito (?): «o que não lhe falta»; verbo no plural. Pergunto: alterando-se a ordem dos termos, alteram-se-lhes as funções sintáticas, ou seja, o que era sujeito torna-se predicativo, e vice-versa? E assim também a concordância verbal? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa