O uso passivo do verbo vitimar
Na locução de um documentário na Dois [canal de televisão em Portugal], sobre a violência e insegurança em São Paulo, Brasil, diz-se, às tantas, a seguinte frase: «... para aqueles que foram vitimados...» Não há aqui o mesmo erro já assinalado pelo Ciberdúvidas dessa outra moda jornalística das «crianças "abusadas"»? Muito obrigado.
Os naturais da Amadora (Portugal)
Tenho 9 anos e gostaria de saber como se chamam os naturais da cidade da Amadora.Obrigado.
A partícula de exclusão senão
Observem a frase:
«Não fazia coisa alguma SENÃO CRITICAR.»
A oração em caixa alta é uma adversativa? Se for, o senão não deveria estar virgulado?
Desde já agradeço a enorme atenção dos Senhores!
A pronúncia de cefalorraquidiano e de cerebrorraquidiano
Nos termos cefalorraquidiano e cerebrorraquidiano, a primeira sílaba é tónica, isto é, os seus elementos iniciais pronunciam-se tal e qual como nas palavras céfalo e cérebro?
Muito agradecido às excelentes Ciberdúvidas por mais este esclarecimento.
A pronúncia de melodramático
Qual é a pronúncia recomendada de melodramático? Muito obrigada.
Subponderar e sobreponderar
O oposto de sobrestimar é subestimar.
Será que a mesma lógica deveria aplicar-se a ponderar, com subponderar a ser o oposto de sobreponderar? Estas palavras não são aceites em muitos corretores ortográficos, nem em alguns dicionários. É correta a sua utilização?
E a utilização de "sobponderar", pode ser considerada um sinónimo de subponderar?
Alguma das alternativas está mais correta?
Obrigado.
Multiplicação
É correto afirmar que a ação de multiplicar por dois é uma duplicação, por três é uma triplicação. Gostaria de saber como é a correta designação da ação de se multiplicar por quatro, seis e por oito.
A forma qui-lo (conjugação pronominal)
Gostava de saber qual é a forma correta na conjugação de querer (quis) + o/a/as/os.
É frequentemente advertido que, no Português europeu, o verbo querer quando combinado com pronomes oblíquos na segunda e terceira pessoa pode adquirir as formas quere-o/requere-a. Fiquei, então, na dúvida se algo parecido acontece ou não nas suas respetivas formas do pretérito quis. Está correto «ele qui-lo» em Portugal?
Muito obrigado desde já por qualquer esclarecimento desta pequena dúvida!
A construção «tem vindo a» + infinitivo
Na resposta de 12.05.2017 à minha pergunta sobre o tema, o consultor Carlos Rocha falou do valor concessivo da perífrase verbal vir a + infinitivo, talvez porque fosse possível atribuir-lho ao exemplo específico que dei.
Interessava-me, no entanto, o aspecto durativo que somente tem a perífrase no pretérito perfeito composto, mas não no simples, como no exemplo seguinte:
«O Governo detalha esta quinta-feira as medidas para ajudar a aliviar o aumento das mensalidades do crédito à habitação, que têm vindo a escalar devido à subida das taxas de juro do BCE.» (Expresso, 18.09.2023)
É à perífrase no pretérito perfeito composto, com aspecto durativo e sem valor concessivo, que me referia quando disse ser inexistente no português brasileiro. Inexistente também no PB é a construção ter estado a + infinitivo*, quase sempre empregada no PE com a mesma acepção de ter vindo a + infinitivo, do que é prova a possibilidade da seguinte reformulação da citação anterior, sem mudança aparente do sentido:
«O Governo detalha esta quinta-feira as medidas para ajudar a aliviar o aumento das mensalidades do crédito à habitação, que têm estado a escalar devido à subida das taxas de juro do BCE.»
No PB, parece-me que sempre se empregaria ter + particípio. Quando muito, caso se sentisse a necessidade de dar à ação um aspecto ao mesmo tempo durativo e progressivo, usar-se-ia vir + gerúndio. Assim, diríamos:
«As mensalidades têm escalado.»
«As mensalidades vêm escalando.»
Uma busca ao Corpus do Português, do Mark Davies, encontrou resultados que, à primeira vista, confirmam a minha hipótese de se estar diante de inovação do PE, e não anterior ao século XX, já que não há ocorrências do mesmo tipo de construção com idêntico aspecto durativo antes do século passado, com a possível exceção da seguinte, extraída de Os Gatos:
«[...] que é isto, senão assentar cúpula infame num edificio d'estimulos condenáveis, que as pobres têm vindo a sentir levantar-se dentro delas (mercê das causas que atrás pus) e que às propensas dará a noção de que a formosura é uma coisa que publicamente toma o passo à virtude (...)» (Os Gatos, de Fialho de Almeida)
Diante do exposto, pergunto: que sentidos específicos têm ter estado a + infinitivo e ter vindo a + infinitivo (sem o valor concessivo de vir a + infinitivo) que faltariam a ter + particípio e a vir + gerúndio, considerando que as duas últimas construções também não são estranhas ao PE e são compartilhadas com o espanhol, nas mesmas acepções?
Grato pela atenção.
* Existe a construção que seria de esperar, no PB, como equivalente à do PE, i. e., ter estado + gerúndio, mas é, no caso do PB, evidente decalque do inglês, encontrável apenas no PB escrito, em textos de estilo comparável ao daqueles em que se encontram construções como ir (presente ou futuro do indicativo) + estar (infinitivo) + gerúndio.
Complemento determinativo de tempo
Na frase «Um vintém chega para todas as despesas da semana», como se classifica «da semana»? Complemento determinativo de tempo, ou de posse?
