DÚVIDAS

O género de perna-vermelha
Perna-vermelha designa o nome de uma ave limícola da família dos maçaricos, com o nome científico Tringa totanus. Os observadores de aves referem-se a esta espécie no masculino: «o perna-vermelha», «um perna-vermelha», havendo também referências bibliográficas antigas (de 1930) que utilizam o género masculino quando se referem a esta espécie. Contudo, em todos os dicionários que consultei, o termo perna-vermelha é registado como sendo um substantivo do género feminino. Penso que esta é uma daquelas situações em que os dicionários registam uma forma, e as pessoas que mais utilizam o termo preferem outro género. Gostaria que me esclarecessem sobre o género correcto da palavra perna-vermelha. A mesma dúvida se aplica à ave perna-verde (a qual, contudo, não encontrei nos dicionários).
O prefixo nuper-
No âmbito jurídico, inclusive em decisões judiciais e em artigos acadêmicos, não é raro o adjetivo "nupercitado(a)", aparentemente como sinônimo de supracitado(a). Exemplo: «[...] É certo que a lei nupercitada estabelece em seu art. 6.º: "Não serão de domínio da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios as obras por eles simplesmente subvencionadas".» Gostaria de saber se o adjetivo existe, e qual o significado do prefixo nuper-. Observo que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras registra o adjetivo nuperpublicado. Desde já agradeço.
O uso de ele como complemento direto (dialetal)
Primeiramente gostaria de cumprimentá-los pela excelente prestação de serviços com que somos brindados pelo Ciberdúvidas! No português brasileiro, a oposição pronome reto X pronome oblíquo átono não é levada a sério na fala espontânea, ficando restrita à língua escrita formal. Assim, são comuns frases como «eu conheço ele», «eu encontrei ela», «eu vi elas», etc. O único caso que se obedece é a oposição eu e me e, mesmo assim, entre pessoas de muito baixa escolaridade, pode-se ouvir um «ele viu eu» ou, ainda pior, «ela me viu eu». [...] Eu gostaria de saber, afinal, se em Portugal, na fala espontânea, podem-se encontrar construções com o pronome reto empregado em vez do oblíquo átono. PS.: Não há problemas para o brasileiro, mesmo de pouca instrução, em relação às formas tônicas.
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