DÚVIDAS

Ainda «Complemento preposicional e construção de foco»
Na resposta a Jorge Botelho, em 24/6/2008, a professora Sandra Duarte Tavares deu como exemplo duas frases que valem um comentário. Ei-las: 2) «É de livros novos que a biblioteca precisa.» 3) «Do que a biblioteca precisa é de livros novos.» Agora, o comentário: Na frase 2, verifica-se o composto expletivo «é que», que evidentemente pode ser elidido sem prejuízo do entendimento: «A biblioteca precisa de livros novos». Na frase 3, parece não ser assim. O «que», nessa frase, é um pronome que se refere a outro pronome, no caso o pronome o. Assim sendo, parece haver um de a mais no período. Talvez pudéssemos escrevê-la desta forma, para enfatizar a regência: «O de que a biblioteca precisa são livros». Ou, mais sonoramente: «Do que a biblioteca precisa são livros.» Salvo melhor juízo.
Rastreabilidade, usabilidade e manutenibilidade
Será correcto utilizar estas palavras, baseadas em palavras existentes na língua portuguesa, para indicar "qualidade do que é... "? Exemplo correcto: fiável - fiabilidade. Exemplos "duvidosos": rastrear - rastreabilidade; usável - usabilidade; manutenível - manutenibilidade, etc, etc. A dúvida tem origem num trabalho de síntese no qual pretendi traduzir conceitos correspondentes do inglês. Por exemplo: usability.
Próxima actualização de Ciberdúvidas
na segunda-feira, 11 de Dezembro
1. Como 8 de Dezembro é feriado em Portugal, Ciberdúvidas regressará com as suas actualizações diárias na segunda-feira, dia 11. 2. Ainda em relação à polémica gerada pela implantação em Portugal da Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS), pusemos em linha mais alguns textos nas Controvérsias: – Piruetas argumentativas – Terminologias – Uma proposta salomónica – O ensino do pobre português 3. Foram também actualizadas as rubricas Correio, Notícias Lusófonas e Pelourinho) – além das 58 novas respostas que ficam em linha desde esta data (ver Respostas de Hoje e Respostas Anteriores).
Siglas coincidentes de instituições diferentes
Sou diplomado em biblioteconomia. Como é que se alfabetam siglas coincidentes de instituições diferentes? Exemplo: A.E.P.: Aliança Evangélica Portuguesa, Associação Empresarial de Portugal, Associação dos Escoteiros de Portugal; A.P.D.C.: Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações; Associação Portuguesa de Direito de Consumo; C.N.E.: Comissão Nacional de Eleições, Conselho Nacional de Educação, Corpo Nacional de Escutas; S.P.A.: Sociedade Portuguesa de Alcoologia, Sociedade Portuguesa de Autores, Sociedade Protectora dos Animais.
Um caso de crase nas cantigas galego-portuguesas
Consultei vários glossários e dicionários e nenhum, dos que possuo, pôde me auxiliar no entendimento dessa contração marcada pelo apóstrofo («que a'm poder tem») nos versos que se seguem. Trata-se de uma sinalefa? Se sim, como desenvolvê-la e como construí-la na ordem direta? «(...) Deus nom mi a mostre, que a 'm poder tem,se eu querria no mundo viverpor lhe nom querer bem nem a veer.'» (Rui Pais de Ribela, ''A mia senhor, que mui de coraçom") Desde já, agradeço a atenção dispensada.
O prefixo nuper-
No âmbito jurídico, inclusive em decisões judiciais e em artigos acadêmicos, não é raro o adjetivo "nupercitado(a)", aparentemente como sinônimo de supracitado(a). Exemplo: «[...] É certo que a lei nupercitada estabelece em seu art. 6.º: "Não serão de domínio da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios as obras por eles simplesmente subvencionadas".» Gostaria de saber se o adjetivo existe, e qual o significado do prefixo nuper-. Observo que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras registra o adjetivo nuperpublicado. Desde já agradeço.
Voz passiva com estar
Desde já muito obrigada pelo vosso trabalho. Ao explicar a uma aluna estrangeira a formação da voz passiva indiquei que geralmente o verbo auxiliar para a formação da voz passiva é o verbo ser. Contudo, expliquei também que apesar de o verbo ser constituir o verbo principal da voz passiva, verbos como estar, ficar, ... combinados com um particípio também podem formar a voz passiva. A pergunta da aluna foi: «quando é que eu sei se tenho de usar o verbo ser ou o verbo estar?» Dado que na língua nativa dela (francês) só existe um verbo com o mesmo significado (être), torna-se mais complicado entender o significado de cada verbo. Ex.: «A mãe lavou a minha camisola. A minha camisola foi lavada pela mãe. A minha camisola está lavada.» Para a aluna, faria sentido dizer «A minha camisola esteve lavada...» Entendo que quando em português usamos o verbo estar, estamos na verdade a deixar claro o resultado da ação, mas acabei por não encontrar nenhuma explicação lógica/prática para esta questão. Poderiam esclarecer-me, por favor? Muito obrigada.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa